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	<title>ANA MARIA MONTARDO</title>
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		<title>Notas sobre o ciúme</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jan 2012 13:26:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Maria Montardo</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Na minha opinião, um dos mais belos versos da MPB sobre o ciúme é aquele em que Caetano diz &#8220;você me deixa a rua deserta quando atravessa e não olha pra trás&#8221;. Ela não olha para trás porque tem outros interesses além dele: a família, os amigos, o cachorro, o trabalho, o curso de pós-graduação, o artesanato, o trabalho voluntário, a terapia, as aulas de violão, a vida alheia nas redes sociais&#8230; Para ele, entretanto, que não tem família, amigos, trabalho, futebol nem cerveja, resta um vazio quando ela se vai aos seus outros prazeres que não o inclui. É um verso de um sujeito totalmente entregue, não à amada, mas ao próprio desejo de receber atenção, até porque é claro que ele tem família, amigos, trabalho, futebol e cerveja&#8230; mas tudo isso lhe exige atenção, e o ciumento não quer dar, ele quer receber. Só receber. Lembram de Lennon &#8220;<em>I was trying to catch your eyes</em>&#8220;? Pois é&#8230; <em>just a jealous guy</em>.</p>
<p>O ciumento paranoico &#8211; e uso o gênero masculino apenas por convenção e para não encher o texto de (a)s e (la)s &#8211; vive de tentar varrer a areia da praia. Não adianta pedir que sua amada não tenha perfil no Facebook. Ela pode criar um fake com nome falso e foto da Hello Kitty e  através dele combinar orgias com outros homens. E mesmo que não tenha Facebook fake, há sempre o celular. E é inútil ter acesso a ele. Ela pode comprar outro escondida especialmente para falar com o amante quando está no trabalho ou quando você está no banho. Também pouco ajuda ter a senha do Gmail. Ela cria uma conta no Yahoo! só para emails picantes! Não há saída senão confiar.</p>
<p>Mas aí é preciso tomar cuidado para que o paranoico não dê lugar ao negligente. E como tem negligentes neste mundo! Eles se escondem sob as mais absurdas desculpas. &#8220;Ela me ama&#8221;. Complexo! Primeiro, porque amor é uma coisa, tesão é outra. Segundo, porque por mais que ela o ame, ela sente falta de algumas coisas que você não lhe oferece &#8211; e parece não muito esforçado em oferecer. E terceiro e principalmente, ela pode estar segura do amor que sente por você, mas estará segura do amor que <em>você</em> sente por ela? Fica a dica: não a deixe insegura. Pessoas inseguras são perigosíssimas! Como qualquer ser humano, ela precisa de alguém que lhe dê segurança, senão ela dança. Como ela não quer dançar, quando o nível de insegurança atingir níveis insuportáveis, ela vai procurar esse alguém. E vai encontrar. Outra desculpa frequente é o &#8220;confio no meu taco&#8221;. Confia? Não devia! O seu taco pode ser ótimo, mas os dos outros também são. Talvez não como o seu, mas de um jeito diferente. Uma senhora certa vez me contou que ouviu de uma amiga &#8220;Mulher como eu meu marido não arranja outra&#8221;, ao que ela retrucou &#8220;E quem disse que ele quer outra mulher como tu? Como tu ele já tem!&#8221; Sábias palavras!</p>
<p>A mim, o excesso de confiança cheira a preguiça e desinteresse. Sem dúvida, confiar dá bem menos trabalho do que, em caso de sinal amarelo, indagar quem mandou aquela mensagem às 2h da manhã ou rondar a cidade a procurá-lo em todos os bares. Mas &#8220;quando a gente gosta é claro que a gente cuida&#8221;. Piegas, mas verdadeiro. Desconfie de quem confia muito em você: quem dá de ombros ao sinal amarelo é porque não vai se importar muito quando acender o vermelho. E se você se interessar por alguém? E se ela de repente lhe ganha? Os &#8220;super bem resolvidos&#8221; dizem que se ela se apaixonar por outro é porque &#8220;ela não era a pessoa certa para mim&#8221; ou que &#8220;é sinal de que ela não me amava de verdade&#8221;. Ou são cínicos ou são ingênuos. Este é o mesmo argumento dos que prestam vestibular sem estudar quando descobrem que não passaram: &#8220;Não era para ser&#8221;. Jogam para o outro e até para o transcendental a responsabilidade pelo seu fracasso! É uma infalível desculpa para não estudar para o próximo vestibular &#8211; e não cuidar dos próximos relacionamentos. Sem esforço, nada &#8220;é para ser&#8221;.</p>
<p>Dizem que os extremos de uma questão são idênticos: as feministas são, na verdade, machistas, os radicais de esquerda são tão totalitários quanto os da extrema direita&#8230; Pois isso, vejam só, se aplica ao ciúme. Tanto o paranoico quanto o negligente terão o mesmo destino: ficarão na rua deserta quando ela atravessar sem olhar para trás.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/anamariamontardo.wordpress.com/594/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/anamariamontardo.wordpress.com/594/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/anamariamontardo.wordpress.com/594/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/anamariamontardo.wordpress.com/594/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/anamariamontardo.wordpress.com/594/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/anamariamontardo.wordpress.com/594/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/anamariamontardo.wordpress.com/594/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/anamariamontardo.wordpress.com/594/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/anamariamontardo.wordpress.com/594/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/anamariamontardo.wordpress.com/594/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/anamariamontardo.wordpress.com/594/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/anamariamontardo.wordpress.com/594/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/anamariamontardo.wordpress.com/594/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/anamariamontardo.wordpress.com/594/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=594&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Não canse quem te quer bem</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 01:41:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Maria Montardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Impressões do cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[relações humanas]]></category>
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		<description><![CDATA[Tempos atrás, eu estava entre amigas, todas falando sobre seus respectivos relacionamentos, até que uma delas admitiu sem pudor: todas as brigas com seu cônjuge são causadas exclusivamente por ela. Seu mal &#8211; totalmente confesso &#8211; é a estupidez, principalmente &#8230; <a href="http://anamariamontardo.wordpress.com/2012/01/22/nao-canse-quem-te-quer-bem/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=589&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tempos atrás, eu estava entre amigas, todas falando sobre seus respectivos relacionamentos, até que uma delas admitiu sem pudor: todas as brigas com seu cônjuge são causadas exclusivamente por ela. Seu mal &#8211; totalmente confesso &#8211; é a estupidez, principalmente quando algo não vai bem no trabalho, mas a sorte, disse ela, é que o rapaz sabe lidar bem com isso. Temerosa de estar me metendo demais na vida alheia, fiquei calada, mas outra amiga, despojada de melindres, não se furtou a dar um palpite, a meu ver, totalmente feliz: &#8220;convém não abusar&#8221;. Lembrei dessa história dias atrás quando uma das moças do time do programa Saia Justa, do GNT, comentou sobre um dos ditos que seu pai costumava usar quando ela era criança: &#8220;não canse quem te quer bem&#8221;.</p>
<p>Pode parecer improvável, mas, não duvidem desta verdade: os apaixonados também cansam. Qualquer pessoa que já esteve apaixonada ou já teve um parceiro apaixonado sabe que durante a paixão, tudo é suportável. Não se trata de estar disposto a tolerar os porres dele ou as crises de enxaqueca dela. Quando se está apaixonado, os porres deles são engraçados, e as crises de enxaqueca dela são fofas. O apaixonado sente-se até um pouco honrado em limpar o vômito ou cuidar dela. Quando se está apaixonado, qualquer coisa &#8211; <em>qualquer coisa</em> &#8211; que diga respeito ao objeto da paixão lhe desperta o interesse e a vontade de estar junto.</p>
<p>Mas, desculpem a minha inconveniência, paixão acaba. Puf! Vira poeira. Não que não sobre nada depois dela &#8211; às vezes sobra. Mas o que sobra pode ser suficiente para, no máximo, o sujeito permanecer no relacionamento <em>apesar dos porres e das crises de enxaqueca</em>. Mas gostar da situação, ter prazer em ajudar o bêbado ou em levantar às 3h da manhã para levar a moça à emergência, esquece! Depois que a paixão acaba, o máximo que o sujeito faz é trazer um balde para a beira da sua cama ou ligar para uma farmácia que faça tele-entrega. E com má vontade!</p>
<p>Conheço um casal que depois de 18 anos e três filhos, terminou o casamento por cansaço: o cara disse estar simplesmente cansado de tentar conquistá-la. Sim, ele passou 18 anos e três gravidezes tentando fazê-la corresponder-lhe. Não funcionou &#8211; e ele, como não poderia deixar de ser, cansou. Casou com outra mulher pouco tempo depois. Disse ele que não sente pela atual o que sentia pela ex, mas pelo menos agora ele se sente quite com a parceira: não dá mais do que recebe, e está feliz assim. Dar mais do que se recebe é outra coisa deveras cansativa!</p>
<p>Posso estar parecendo pessimista, mas isso é uma questão de ponto de vista. Para o apaixonado, que é escravo de sua paixão, não há perspectiva mais otimista do que a do fim da paixão e o restabelecimento de sua dignidade. O fim da paixão é a sua carta de alforria, sua libertação. A partir dela, ele passa apenas  a querer bem. E notem que o &#8220;apenas&#8221; é uma força de expressão. Nos dias de hoje, ter alguém que lhe queira bem além de seu pai e sua mãe é um privilégio inestimável. Por isso mesmo, convém não cansá-lo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/anamariamontardo.wordpress.com/589/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/anamariamontardo.wordpress.com/589/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/anamariamontardo.wordpress.com/589/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/anamariamontardo.wordpress.com/589/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/anamariamontardo.wordpress.com/589/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/anamariamontardo.wordpress.com/589/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/anamariamontardo.wordpress.com/589/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/anamariamontardo.wordpress.com/589/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/anamariamontardo.wordpress.com/589/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/anamariamontardo.wordpress.com/589/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/anamariamontardo.wordpress.com/589/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/anamariamontardo.wordpress.com/589/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/anamariamontardo.wordpress.com/589/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/anamariamontardo.wordpress.com/589/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=589&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Não façam merda</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Jan 2012 18:14:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Maria Montardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Impressões do cotidiano]]></category>
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		<description><![CDATA[Um dia, cruzei com uma conhecida, cuja identidade preservarei por razões óbvias, e surpreendi-me com sua expressão: estava abatida e tinha o rosto inchado pelo choro. Perguntei o que havia ocorrido. Ela, sem reservas, talvez pelo desespero da situação, que &#8230; <a href="http://anamariamontardo.wordpress.com/2012/01/15/nao-facam-merda/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=448&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dia, cruzei com uma conhecida, cuja identidade preservarei por razões óbvias, e surpreendi-me com sua expressão: estava abatida e tinha o rosto inchado pelo choro. Perguntei o que havia ocorrido. Ela, sem reservas, talvez pelo desespero da situação, que o desespero supera qualquer inibição, contou-me que estava vindo de uma sessão com seu psicólogo, ao qual havia recorrido para tentar superar o trauma de um aborto proposital. Contou-me rapidamente sobre como &#8211; e com quem &#8211; havia ocorrido a gravidez, e de como os dois decidiram pela interrupção, e a angústia que envolveu tudo isso &#8211; ela, por tirar a vida de uma criança, ele, por ser comprometido com outra moça. Mas de todo o angustiante relato, o que mais me marcou foi seu conselho final. Ela me segurou por uma das mãos e disse, quase pedindo, como se a minha vida importasse algo a ela: &#8220;Ana, não faça merda&#8221;.</p>
<p>Eu tinha 19 anos e toda a vida pela frente. Fiquei assustada! Tinha diante de mim um perfeito exemplo de como fazer merda pode ser devastador. E pensei &#8220;Ai, que medo de fazer merda!&#8221;</p>
<p>No filme <em>Tropa de Elite 2</em>, o Capitão Nascimento diz a André Matias estar surpreendido com a sua capacidade de fazer merda. Pois eu me espanto com a quantidade de Andrés Matias que eu conheço, e me compadeço: eles não tiveram a sorte que eu tive, ninguém lhes preveniu contra fazer merda.</p>
<p>Já vi de tudo: colega de profissão que fez sexo com aluna menor de idade, amigo que engravidou a ex-mulher (não foi uma tentativa inconsciente de restabelecer a união &#8211; os dois continuaram separados e de mal um com o outro, só que agora unidos para sempre pelo filho -, foi merda mesmo!), mulher que engravidou de amante &#8211; e teve o filho como se fosse do marido (como dizia o já mencionado Capitão Nascimento, &#8220;já avisei que vai dar merda isso&#8221;) e homem que traiu a esposa com uma mulher que não gostou nada da demora do cara em pedir o divórcio e resolveu &#8220;adiantar o serviço&#8221;. Merda dupla: para ele, que teve que administrar a fúria da esposa, e para a amante, que, tendo feito isso, vejam só, traiu a confiança do amado. Será que ele esperava ética de alguém que era justamente sua cúmplice em algo antiético?</p>
<p>No excelente romance <em>O primo Basílio</em>, de Eça de Queiroz, Luísa comete adultério com o primo do título e, ao ser descoberta pela empregada, Juliana, passa a ser chantageada por ela. Luísa chega ao cúmulo de ter de fazer todo o serviço de Juliana &#8211; lavar, passar, cozinhar &#8211; para que seu marido, Jorge, não fique sabendo de nada. Entrar para o clube dos que têm rabo preso também é uma infalível maneira de fazer merda &#8211; e de, quem sabe, ficar condenado a fazer uma sucessão de outras merdas, dependendo do grau de sadismo de quem prende seu rabo.</p>
<p>A não ser que se opte por se rebelar contra a situação e matar no peito todas as consequências de assumir as merdas que se fez. Na minha opinião, não deve haver consequência pior do que ser refém a vida inteira do medo, da angústia, da culpa e da chantagem. Sem contar que não confio em quem é muito certinho, os tais semideuses de quem Pessoa está farto no seu <em>Poema em linha reta</em>. Só penso que essas merdas devem ser feitas de modo homeopático e principalmente quando as perdas por elas provocadas sejam, ainda que dolorosas, necessárias para acarretar ganhos. No mais das vezes, é preciso seguir o conselho: &#8220;não façam merda!&#8221;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/anamariamontardo.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/anamariamontardo.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/anamariamontardo.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/anamariamontardo.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/anamariamontardo.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/anamariamontardo.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/anamariamontardo.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/anamariamontardo.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/anamariamontardo.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/anamariamontardo.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/anamariamontardo.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/anamariamontardo.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/anamariamontardo.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/anamariamontardo.wordpress.com/448/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=448&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>There is no greater voice&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jul 2011 22:02:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Maria Montardo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160; No vídeo acima, Amy Winehouse mostra porque era diferente de outras cantoras contemporâneas também incríveis, como Beyoncé, Lady Gaga, Christina Aguilera e a nossa brasileira Ivete Sangalo. Enquanto estas são profissionais &#8211; competentes, diga-se de passagem -, Amy era &#8230; <a href="http://anamariamontardo.wordpress.com/2011/07/24/there-is-no-greater-voice/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=433&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://anamariamontardo.wordpress.com/2011/07/24/there-is-no-greater-voice/"><img src="http://img.youtube.com/vi/7qZB4adZAf8/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>&nbsp;</p>
<p>No vídeo acima, Amy Winehouse mostra porque era diferente de outras cantoras contemporâneas também incríveis, como Beyoncé, Lady Gaga, Christina Aguilera e a nossa brasileira Ivete Sangalo. Enquanto estas são profissionais &#8211; competentes, diga-se de passagem -, Amy era artista.</p>
<p>O que é um artista? Na minha opinião, é alguém capaz de expressar de modo único emoções comuns a todos. Isso que todos nós sentimos, como a dor pelo abandono do amante ou a sensação de deslocamento no mundo, os artistas manipulam com maior intimidade, misturam com imagens, ou cores, ou sons, ou palavras, enfim, e sintetizam para nós em forma de uma obra. Quando nós, os desprovidos desse talento, nos deparamos com ela, muitas vezes não só reconhecemos a emoção ali expressa como a sentimos novamente &#8211; e então choramos, ou temos raiva, ou vontade de sair correndo ou de continuar naquilo de que estávamos prestes a desistir&#8230; Em outras palavras, o artista é tradutor das nossas próprias almas, um médium que nos coloca em contato com nossos fantasmas.</p>
<p>Amy Winehouse fazia isso muito bem e, nos dias de hoje, melhor do que ninguém. Talvez nem caiba comparação. Suspeito que ela fosse a única a fazer isso hoje em dia. E é justamente por conviver tanto com fantasmas que não se podia esperar dela o mesmo tipo de performance das suas colegas. Quem pagou para ir a um show dela &#8211; eu paguei e não me arrependi! &#8211; pagou para ver um artista expressar o que ela estava sentindo naquele momento. No vídeo acima, reparem, ela não canta para o público. Canta para si. Não está ali para cumprir contrato. Está ali para demonstrar seu amor que é maior do que qualquer outro amor no mundo.</p>
<p>É por isso que eu, que não fui contemporânea de Ella, Billie e Janis, posso dizer a Amy com palavras dela mesma, da música Help yourself: you are like nothing that I ever knew!</p>
<p>Rest in peace, Amy!</p>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/anamariamontardo.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/anamariamontardo.wordpress.com/433/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/anamariamontardo.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/anamariamontardo.wordpress.com/433/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/anamariamontardo.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/anamariamontardo.wordpress.com/433/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/anamariamontardo.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/anamariamontardo.wordpress.com/433/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/anamariamontardo.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/anamariamontardo.wordpress.com/433/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/anamariamontardo.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/anamariamontardo.wordpress.com/433/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/anamariamontardo.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/anamariamontardo.wordpress.com/433/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=433&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Sucesso e lições do Paraguai na Copa América</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jul 2011 14:14:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Maria Montardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Impressões do cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Copa América]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Paraguai]]></category>
		<category><![CDATA[Sucesso]]></category>

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		<description><![CDATA[Anteontem eu pensava solitariamente sobre o sucesso sem poder explicar sequer para mim mesma o que penso a respeito do assunto. Sim, considero o sucesso uma possibilidade ao alcance de qualquer um, de mim e de você, e basta aliar &#8230; <a href="http://anamariamontardo.wordpress.com/2011/07/21/sucesso-e-licoes-do-paraguai-na-copa-america/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=428&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Anteontem eu pensava solitariamente sobre o sucesso sem poder explicar sequer para mim mesma o que penso a respeito do assunto. Sim, considero o sucesso uma possibilidade ao alcance de qualquer um, de mim e de você, e basta aliar trabalho duro ao seu talento para chegar lá. Portanto, acredito que se você é um músico, escritor, ator ou empreendedor extraordinário que ainda não aconteceu, talvez esteja falhando em algumas das suas estratégias, e não há ninguém a não ser você mesmo que você possa culpar. Essa ideia, segundo a qual você é o único responsável por suas escolhas e dono de seu destino, é corrente entre muitas linhas de pensamento, da psicanálise ao espiritismo, e eu concordo com ela. Porém, há alguns casos que me confundem: todo dia nos deparamos com pessoas desprovidas de talento cujas músicas são as mais baixadas, os livros são os mais vendidos, o salário é o mais alto na Globo, a empresa abriu capital na Bolsa&#8230;</p>
<p>Aí aconteceu aquele jogo entre Paraguai e Venezuela pela Copa América, e tudo ficou mais claro para mim. Não acompanho campeonatos de futebol. Não sei o nome de nenhum jogador do time pelo qual torço &#8211; o Grêmio -, nem sei em que posição da tabela do campeonato brasileiro ele está nem quais serão seus próximos adversários. Nunca vesti uma camiseta do meu clube ou da seleção brasileira, e a única vez que fui a um estádio foi justamente no Beira-Rio&#8230; para assistir ao Paul McCartney.</p>
<p>Mas, de um outro modo, diferente do da maioria das pessoas, adoro futebol. O que me encanta nesse esporte é o seu poder metafórico: o futebol é exatamente como a vida. Na maioria das vezes, o time melhor organizado e que reúne os jogadores mais talentosos vence. Essa é a lógica. Mas de vez em quando, por um capricho dos deuses, ocorre de a lógica ser contrariada. No caso da seleção paraguaia, é impressionante que um time que não conquistou sequer uma vitória ao longo de um campeonato inteiro &#8211; nem um magrinho 1 x 0! &#8211; chegue à sua final!  Poderíamos imaginar que para chegar a esse resultado, ela foi competente pelo menos em um aspecto: o de neutralizar seus adversários. Mas nem isso ela fez, do contrário o Brasil não teria tido tantas oportunidades de fazer gol. Em outras palavras, não podemos negar que o Paraguai deixou o Brasil jogar no domingo, e que este jogou bem. Como então se justifica a chegada do Paraguai à final da Copa América?</p>
<p>É aí que entra uma palavrinha que muitos detestam: sorte. Poucos são os que admitem terem contado com ela, talvez por pensarem que ela tira o mérito de seu talento ou de seu esforço, o que não é verdade. Apenas com a sorte, ninguém chega a lugar nenhum, nem o próprio Paraguai, afinal eles souberam fazer algo melhor do que seus adversários: cobrar pênaltis, o que aliás, nos traz outra lição, a de que, em algumas situações, habilidades básicas decidem muito mais do que as extraordinárias.</p>
<p>E então eu chego à principal e mais animadora lição que a seleção paraguaia nos legou nesta Copa América, a de que só havia uma possibilidade de a seleção paraguaia jamais disputar a final: se ela jamais tivesse entrado em campo. Só não corre o risco de ganhar quem não joga.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/anamariamontardo.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/anamariamontardo.wordpress.com/428/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/anamariamontardo.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/anamariamontardo.wordpress.com/428/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/anamariamontardo.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/anamariamontardo.wordpress.com/428/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/anamariamontardo.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/anamariamontardo.wordpress.com/428/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/anamariamontardo.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/anamariamontardo.wordpress.com/428/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/anamariamontardo.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/anamariamontardo.wordpress.com/428/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/anamariamontardo.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/anamariamontardo.wordpress.com/428/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=428&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Sobre carros e cultura brasileira</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 18:30:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Maria Montardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Impressões do cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Época]]></category>
		<category><![CDATA[carros]]></category>
		<category><![CDATA[cultura brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[A revista Época publicou hoje interessante reportagem sobre o uso de carros nos EUA, Europa e Brasil. Diz a revista que enquanto o transporte coletivo parece estar ganhando mais investimentos e o individual parece ter chegado ao seu limite nos países desenvolvidos, &#8230; <a href="http://anamariamontardo.wordpress.com/2011/07/18/sobre-carros-e-cultura-brasileira/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=421&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A revista Época publicou hoje interessante <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI246637-15228,00-USO+DO+CARRO+ATINGE+O+LIMITE+NOS+PAISES+DESENVOLVIDOS.html" target="_blank">reportagem sobre o uso de carros nos EUA, Europa e Brasil</a>. Diz a revista que enquanto o transporte coletivo parece estar ganhando mais investimentos e o individual parece ter chegado ao seu limite nos países desenvolvidos, no Brasil observa-se fenômeno contrário. Em seu perfil no Facebook, a publicação questiona: como reduzir o uso do carro em nosso país?</p>
<p>Acredito que a resposta é simples, embora as soluções não o sejam: para reduzir o uso do carro no Brasil é preciso que nos sejam dados bons motivos pra preferirmos o transporte coletivo ao individual. Esses motivos são:</p>
<p>a) O transporte coletivo deve ser significativamente mais barato do que o individual: se o cidadão trabalha relativamente perto de casa e tem estacionamento gratuito &#8211; nem que seja na rua mesmo, em frente ao local de trabalho -, pode ser que a despesa com a gasolina seja inferior à das passagens. Mas mesmo que seja superior, se a diferença for pequena, o sujeito ainda vai preferir o conforto do seu carro ao desconforto do ônibus.</p>
<p>b) O transporte coletivo não deve ser significativamente mais desconfortável que o individual: as linhas de ônibus e de trem devem chegar às áreas mais remotas da cidade, para que ninguém precise caminhar muito de casa até a parada e da parada até o trabalho/escola, as partidas devem ser frequentes, e os veículos devem estar em excelentes condições e ter climatização.</p>
<p>c) O transporte coletivo deve ser significativamente mais rápido do que o individual: o trem ou o ônibus deve representar uma economia substancial de tempo ao cidadão.  Em termos de percurso, creio que essa já é uma realidade no Brasil, ou pelo menos na Grande Porto Alegre. O problema é o tempo de deslocamento até as paradas e estações e principalmente, no caso dos ônibus, o tempo de espera pelo dito cujo.</p>
<p>Mas o pior de tudo é que, conhecendo bem o povo de que faço parte, mesmo que o país desse todos esses motivos para a população preferir o transporte coletivo ao individual, ainda assim os carros reinariam e continuariam a trancar as ruas das cidades. Isso porque brasileiro adora sinais de status, e desafortunadamente, para ele o carro é um desses sinais. Um automóvel perde valor com o passar do tempo, gera despesas com IPVA, seguro, estacionamento e flanelinhas e muito estresse com batidas, arranhões e assaltos. Mesmo assim, nove entre dez pobres coitados que ganham quaisquer R$ 2 mil reais fazem das tripas coração para manter um automóvel e a falsa imagem de sucesso. Se aplicasse o valor das prestações do carro somado com as outras despesas por ele geradas, o sujeito veria seu dinheiro crescer ao invés de se desvalorizar. Mas acontece que dinheiro aplicado não aparece, não tem cor, não tem modelo nem marca nem motor nem air bag.</p>
<p>Junto com as transformações do sistema de transporte coletivo do Brasil é preciso que também ocorra uma transformação na mentalidade dessa população jeca que acha que aparentar ter é melhor do que ter de fato. Não que eu me importe com suas posturas de vida ou com o modo como gastam seu dinheiro. Mas importa-me o caos desse trânsito abarrotado desnecessariamente de carros.</p>
<p>Dizem que brasileiro é apaixonado por carro. Pois parece que, como todas as paixões, essa está levando o brasileiro ao colapso.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/anamariamontardo.wordpress.com/421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/anamariamontardo.wordpress.com/421/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/anamariamontardo.wordpress.com/421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/anamariamontardo.wordpress.com/421/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/anamariamontardo.wordpress.com/421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/anamariamontardo.wordpress.com/421/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/anamariamontardo.wordpress.com/421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/anamariamontardo.wordpress.com/421/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/anamariamontardo.wordpress.com/421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/anamariamontardo.wordpress.com/421/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/anamariamontardo.wordpress.com/421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/anamariamontardo.wordpress.com/421/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/anamariamontardo.wordpress.com/421/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/anamariamontardo.wordpress.com/421/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=421&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Freedom, o software antiautossabotagem</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Jul 2011 17:24:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Maria Montardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Impressões do cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[autossabotagem]]></category>
		<category><![CDATA[Freedom]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>

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		<description><![CDATA[Diz que agora tem um software, chamado Freedom, que você instala no seu computador para bloquear sua própria Internet. É um mecanismo para impedir você de se distrair com redes sociais, emails, notícias, etc., e assim não atrapalhar seu trabalho. &#8230; <a href="http://anamariamontardo.wordpress.com/2011/07/03/freedom-o-software-antiautossabotagem/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=411&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diz que agora tem um software, chamado Freedom, que você instala no seu computador para bloquear sua própria Internet. É um mecanismo para impedir você de se distrair com redes sociais, emails, notícias, etc., e assim não atrapalhar seu trabalho. Parece que você programa o tempo pelo qual você quer que sua Internet fique bloqueada, e então pode tranquilamente escrever sua dissertação ou trabalhar na sua planilha de gastos. Se quiser burlar o bloqueio, você terá de desligar o computador e ligar de novo, o que dá muito trabalho e, bem, melhor continuar trabalhando.</p>
<p>Há quem diga que funciona. Digo, no sentido de realmente ajudar as pessoas a se concentrarem em suas tarefas. Para mim não funcionaria. Sou muito determinada quando quero sabotar meu próprio trabalho, de modo que se minha Internet estiver bloqueada, logo arranjarei outra maneira de me distrair. Subitamente a louça acumulada há uma semana na pia me incomodará, e correrei para lavá-la, ou tomarei a consciência de que os quinze minutos que dedico ao passeio da cachorra é uma miséria, coitadinha, vai engordar, vai atrofiar os músculos, por isso não dorme direito, pois hoje o passeio vai durar uma hora!</p>
<p>Felizmente, me saboto apenas para começar minhas atividades. Na verdade, sou procrastinadora. Mas uma vez que começo algo, me concentro tanto que acabo procrastinando as outras coisas, inclusive a louça na pia, o passeio da cachorra e a caixa de entrada de emails.</p>
<p>O curioso é o nome do software, Freedom, que, para quem não sabe, significa &#8220;liberdade&#8221;. Sim, entendo a sacada de quem deu a ele esse nome. Ele liberta as pessoas dos apelos da Internet. Mas na medida em que o usuário não pode se arrepender dessa liberdade &#8211; pelo menos não sem ter de desligar e ligar de novo o computador -, já não considero tão liberdade assim, uma vez que é uma liberdade imposta. E liberdades irreversíveis me assustam!</p>
<p>Amyr Klink contou certa vez em uma entrevista que, quando decidiu cruzar o Atlântico num barco, mandou construir um que, em caso de tempestade, pudesse virar, simplesmente porque o barco que não vira, quando vira, não desvira. E não deve ser muito agradável estar sozinho no meio do oceano - e de uma tempestade &#8211; com um barco virado que você não consegue desvirar. É preferível um que vira por qualquer vento, mas que você, sozinho, consiga pôr de novo em seu lugar, correto?</p>
<p>Isso me faz lembrar das diversas pessoas que eu conheço que passaram em um concurso público e que não estão felizes com suas vidas profissionais. Elas já estiveram infelizes em outros empregos, mas para resolver isso bastou pedir demissão e procurar outra oportunidade. Mas emprego público é diferente! Não é fácil abrir mão de um trabalho estável. Livre da ameaça do desemprego, preso na estabilidade. É, não é fácil contentar o ser humano!   </p>
<p>De qualquer modo, considero risíveis os subterfúgios a que os humanos recorrem para evitar a autossabotagem. Sabe aquela coisa de pagar a academia antecipadamente para assim se obrigar a ir? Quem não está a fim de ir não vai de qualquer modo. Pode até ir durante o tempo do contrato, mas quando este expirar, vai logo arrumar uma desculpa - aperto financeiro, redação da tese, muito trabalho &#8211; para não renová-lo. Cumpriu o contrato? Cumpriu. Mas o compromisso com sua saúde &#8211; que é o que verdadeiramente importa -, não.</p>
<p>É por isso que livre, livre mesmo, é a pessoa consciente das suas necessidades e das suas limitações. É aquela que sabe que odeia se exercitar, mas se exercita porque não quer arcar com o ônus de não se exercitar. É aquela que se concentra em seu trabalho, mesmo que possa, quando bem entender, navegar na Internet, porque não quer ter de fazer hora-extra mais tarde. E que, de vez em quando, sim, falta à academia ou passa a tarde no Twitter, e no dia seguinte se perdoa por isso e volta à disciplina de antes. </p>
<p>Livre é quem sai a cruzar o Atlântico ciente de que o barco pode virar e disposto a desvirá-lo caso isso aconteça. Viver não é isso?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/anamariamontardo.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/anamariamontardo.wordpress.com/411/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/anamariamontardo.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/anamariamontardo.wordpress.com/411/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/anamariamontardo.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/anamariamontardo.wordpress.com/411/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/anamariamontardo.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/anamariamontardo.wordpress.com/411/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/anamariamontardo.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/anamariamontardo.wordpress.com/411/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/anamariamontardo.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/anamariamontardo.wordpress.com/411/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/anamariamontardo.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/anamariamontardo.wordpress.com/411/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=411&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pobreza e depressão</title>
		<link>http://anamariamontardo.wordpress.com/2011/06/04/pobreza-e-depressao/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Jun 2011 14:09:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Maria Montardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Impressões do cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza; depressão; revista Época; Globo Repórter; solidão]]></category>

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		<description><![CDATA[Algumas semanas atrás, a revista Época publicou reportagem sobre uma pesquisa que concluiu que no Brasil pobres são mais propensos à depressão. Tanto na página quanto no Facebook da revista, choveram comentários impregnados de senso comum. Alguns deles concordavam com o resultado &#8230; <a href="http://anamariamontardo.wordpress.com/2011/06/04/pobreza-e-depressao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=404&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Algumas semanas atrás, a revista Época publicou reportagem sobre uma pesquisa que concluiu que no Brasil pobres são mais propensos à depressão. Tanto na página quanto no Facebook da revista, choveram comentários impregnados de senso comum. Alguns deles concordavam com o resultado da pesquisa, mas inclinando-se ao clichê de que dinheiro traz felicidade. A maioria, entretanto, discordou, pendendo para o clichê contrário: o de que dinheiro não traz felicidade.</p>
<p>Alguns comentários até me provocaram risos. &#8220;Acho que essa pesquisa  está errada, pois conheço muito mais pessoas ricas que fazem terapia&#8221;. Ou seja, fazer terapia seria sinônimo de ser deprimido. E não fazer, de ser feliz. Não ocorre a quem pensa assim que os ricos fazem terapia não por se deprimirem mais que os pobres, mas por terem dinheiro para pagar por esse serviço.</p>
<p>Outros argumentaram que os pobres que eles conhecem &#8220;estão sempre sorridentes e alegres&#8221; e que &#8220;qualquer churrasquinho na lage com os amigos tocando um pagode no domingo já basta para lhes deixar feliz&#8221;. Outro critério superficial. E cínico. Se tantos pensam assim, por que não se mudam para uma casa com lage numa favela? Francamente!</p>
<p>De fato, pobres podem mesmo sorrir mais. Contudo, isso não necessariamente indica felicidade. O ser humano é munido de uma série de mecanismos a que recorre para se defender das agressões, sejam físicas ou psíquicas. Para quem não pode pagar por terapia, não resta outra alternativa a não ser fingir satifação para si mesmo.</p>
<p>Ouso dizer, inclusive, que o samba tem origem nisso. Esse é um estilo comumente atrelado à alegria, mas se observarmos bem, tem fundo melancólico, e seu objetivo é exatamente este: disfarçar a tristeza. Diversas letras comprovam isso: &#8220;A tristeza é senhora, desde que o samba é samba é assim (&#8230;), cantando eu mando a tristeza embora&#8221;, &#8220;Canta, canta, minha gente, deixa a tristeza pra lá, canta forte, canta alto, que a vida vai melhorar&#8221;, &#8220;Mesmo assim, não reclamo da vida, apesar de sofrida, até posso levar&#8221;, &#8220;Eu sei que a vida devia ser bem melhor, e será&#8221;, &#8220;Se não tenho tudo o que preciso, com o que tenho, vivo, de mansinho lá vou eu&#8221;&#8230; </p>
<p>Ontem, voltei a pensar nessa pesquisa por causa do programa Globo Repórter, que abordou o tema da solidão. Entre outras pessoas, duas mulheres que sofrem do mesmo tipo de solidão &#8211; síndrome do ninho vazio, ou seja, o sofrimento causado em virtude dos filhos terem crescido e saído de casa para seguirem suas próprias vidas &#8211; foram entrevistadas. Uma delas era economista, falava bom português, tinha ótima apresentação e morava em apartamento bem decorado. A outra morava em uma casa humilde, frequentava um grupo de apoio mantido em um hospital público, e sua profissão não foi mencionada.</p>
<p>A economista contava como estava, com sucesso, superando sua dor: começou a cuidar de si mesma, passou a frequentar a academia e procurar novos focos de interesse para além do filho que cresceu. Estava sofrendo? Sim, um pouco ainda, mas continuava tocando sua vida. A outra, entretanto, sentiu no corpo os efeitos da tristeza: sofre de fibromialgia, dor muscular que já paralisou totalmente um de seus braços, está começando a atingir o outro, e, seu médico já disse, vai afetar as pernas também. Todos os exames realizados apontam para a mesma causa: psicológica. Em termos orgânicos, seu corpo não apresenta nenhuma anormalidade.</p>
<p>Uma reagiu. A outra paralisou. A mim parece claro: quem tem mais recursos financeiros tem também mais recursos psíquicos para lidar com os problemas da vida. Não estou com isso querendo dizer que se a mãe paralisada ganhar na Mega Sena, tudo se resolverá. Não, dinheiro sozinho não é a solução de todos os males do mundo. Mas dinheiro e psiquismo andam numa estrada de mão dupla. O sujeito que tem suporte emocional para buscar melhorar financeiramente tem também suporte para lidar com os reveses da vida, e a própria melhora financeira o leva a sofisticar esse suporte. Já quem vive na escassez emocional não tem ímpeto para progredir materialmente, e acaba que a escassez financeira potencializa a escassez emocional.</p>
<p>A questão é complexa, eu sei. A origem do dinheiro e o preço que se pagou para conquistá-lo &#8211; não há conquista sem renúncia &#8211; também podem interferir na saúde emocional do indivíduo. Mas de modo geral, acredito sim que pobres tenham maior tendência à depressão.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/anamariamontardo.wordpress.com/404/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/anamariamontardo.wordpress.com/404/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/anamariamontardo.wordpress.com/404/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/anamariamontardo.wordpress.com/404/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/anamariamontardo.wordpress.com/404/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/anamariamontardo.wordpress.com/404/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/anamariamontardo.wordpress.com/404/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/anamariamontardo.wordpress.com/404/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/anamariamontardo.wordpress.com/404/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/anamariamontardo.wordpress.com/404/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/anamariamontardo.wordpress.com/404/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/anamariamontardo.wordpress.com/404/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/anamariamontardo.wordpress.com/404/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/anamariamontardo.wordpress.com/404/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=404&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Reclama, mas compra!</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Apr 2011 20:05:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Maria Montardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Impressões do cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[consumismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando alguma celebridade revela gastar milhares de reais em uma peça de roupa qualquer, o povo se espanta. Eu não. Não acho nenhum absurdo que alguém que ganhe R$ 300 mil por mês invista R$ 3 mil &#8211; mísero 1% &#8230; <a href="http://anamariamontardo.wordpress.com/2011/04/08/reclama-mas-compra/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=395&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando alguma celebridade revela gastar milhares de reais em uma peça de roupa qualquer, o povo se espanta. Eu não. Não acho nenhum absurdo que alguém que ganhe R$ 300 mil por mês invista R$ 3 mil &#8211; mísero 1% de seu salário &#8211; numa bolsa ou par de sapatos. A mim parece muito mais estranho alguém que ganha R$ 2 mil mensais gastar R$ 250 (12,5% de seu salário) em uma bolsa <em>quando já tem várias outras bolsas em casa</em>. Mais bizarro que isso, só alguém que já está no cheque especial e compra a bendita bolsa. E tem <em>muita</em> gente que faz isso. </p>
<p>Dias atrás vi uma sapatilha azul numa vitrine. Preço: R$ 107,00.  Pensei: &#8220;Essa sapatilha não vale R$ 107,00. Somando o preço do custo com os impostos, os salários das funcionárias, o aluguel do ponto, etc, mais o lucro do lojista, deve valer <em>no máximo</em> R$ 90,00. Logo, R$ 17,00 são de abuso. Mas por que os lojistas colocam preços tão altos? Elementar: porque nove entre dez mulheres que concordarem comigo não vão deixar de comprá-la por causa disso.&#8221;</p>
<p>Eis a questão: o consumidor &#8211; pelo menos o de classe média &#8211; reclama dos preços, mas não deixa de consumir. Ele compra em diversas vezes no cartão, pede empréstimo bancário e/ou se atola de trabalho &#8211; aumenta sua carga horária, faz hora-extra e, no fim de semana, vende Avon e cozinha pra fora -, mas não deixa de ter uma bolsa de cada cor. Eu às vezes me pergunto por que as manicures cobram em torno de R$ 10,00 para fazer a mão. Se elas se organizassem e passassem a cobrar R$ 25,00, duvido que quem faz questão de ter as mãos sempre bem feitas &#8211; e não tem tempo ou habilidade para fazer as próprias &#8211; deixasse de frequentar o salão. </p>
<p>﻿﻿É claro que não podemos andar nus e descalços. Se um par de sapatos de qualidade custa caro, que compremos, fazer o quê? Além disso, de vez em quando merecemos nos fazer um agrado, que pode ter a forma de um vestido ou de um par de óculos. Mas manter o hábito de comprar objetos sem real necessidade só faz os lojistas pensarem que podem elevar os preços sem prejuízo das vendas.</p>
<p>Evidentemente, reconheço que deve haver outras razões para a vida estar tão cara &#8211; as razões dessa ciência estranha que se chama Economia -, mas estou convicta de que o consumidor tem participação nisso ao não saber dizer &#8220;não&#8221;. Não estou sugerindo que façamos um escândalo na loja. Não precisamos nem mesmo dizer &#8220;Nossa, que caro!&#8221; Há situações que pedem mudanças que prescindem de palavras. Bastam atitudes. Nesse caso, penso eu, bastaria que agradecêssemos, virássemos as costas e fôssemos embora. Com esse gesto, poderíamos fazer uma revolução. E com classe! </p>
<p>A grande questão é que o difícil não é dizer &#8220;não&#8221; para o atendente da loja. O duro é dizer &#8220;não&#8221; para si mesmo. É negar a si o prazer de adquirir tantos objetos do desejo. É se colocar um limite e voltar para casa de mãos abanando e amargando a frustração autoimposta. Entendem por que os adultos de hoje têm tanta dificuldade de colocar limites em filhos e alunos?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/anamariamontardo.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/anamariamontardo.wordpress.com/395/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/anamariamontardo.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/anamariamontardo.wordpress.com/395/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/anamariamontardo.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/anamariamontardo.wordpress.com/395/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/anamariamontardo.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/anamariamontardo.wordpress.com/395/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/anamariamontardo.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/anamariamontardo.wordpress.com/395/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/anamariamontardo.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/anamariamontardo.wordpress.com/395/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/anamariamontardo.wordpress.com/395/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/anamariamontardo.wordpress.com/395/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=395&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Surpresa!</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jan 2011 22:20:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Maria Montardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Já faziam três anos e meio que eles namoravam. Ele então resolveu fazer uma surpresa. Compraria as alianças de noivado e proporia casamento. Já estava na hora! Ela decerto cairia para trás. Sempre que ela tocava no assunto, assim como &#8230; <a href="http://anamariamontardo.wordpress.com/2011/01/23/surpresa/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=393&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já faziam três anos e meio que eles namoravam. Ele então resolveu fazer uma surpresa. Compraria as alianças de noivado e proporia casamento. Já estava na hora! Ela decerto cairia para trás. Sempre que ela tocava no assunto, assim como quem não quer nada, ele percebia que ela queria tudo, e saía pela tangente. Era bom nisso, desviar do assunto. E era bom em pegadinhas. Gostava de testar seu próprio poder de dissimulação. E testaria agora, no pedido de casamento. Ia começar seu discurso como quem quisesse terminar a relação. Ela cairia em lágrimas, claro. Todo o mundo percebia que ela era apaixonada por ele. Quando ela estivesse em prantos, ele mostraria a caixinha com as alianças, lhe daria um abraço e diria que ela é a mulher da sua vida. Ela iria adorar!</p>
<p>Foi à casa dela:</p>
<p>_ Eu preciso ter uma conversa com você.</p>
<p>_ Sim?</p>
<p>_ Uma conversa séria.</p>
<p>_ Fala &#8211; ela o encorajou com certa aflição.</p>
<p>_ É sobre a nossa relação.</p>
<p>_ Aham.</p>
<p>Ele pôde sentir o nó na garganta dela.</p>
<p>_  Sabe o que é, é que eu tenho sentido que ela não é mais como antes. &#8211; ele diria depois que agora era muito melhor!</p>
<p>_ Sei. &#8211; os olhos delas ficaram úmidos.</p>
<p>_ Sabe como são essas coisas. Não depende da gente. As relações e as pessoas vão mudando ao longo do tempo. &#8211; sim, ele tinha mudado muito, antes era avesso a casamento, mas agora queria casar com ela.</p>
<p>_ Eu sei. &#8211; ela baixou a cabeça e deixou as primeiras lágrimas rolarem.</p>
<p>_ E aí chega uma hora em que não dá mais para empurrar com a barriga, é preciso tomar uma decisão.</p>
<p>_ Entendo &#8211; ela disse entre soluços.</p>
<p>Ele então colocou a mão direita no bolso para pegar as alianças, mas foi interrompido por ela:</p>
<p>_ Entendo perfeitamente. Você não sabe o alívio que estou sentindo de saber que você também se sente assim.</p>
<p>_ Como?</p>
<p>_ A verdade é que nós dois fomos imaturos e acomodados demais esses anos todos, um querendo que o outro tomasse a iniciativa, mas ninguém tinha coragem. Finalmente você teve! Eu só tenho a agradecer e pedir desculpas, afinal eu tive a minha dose de responsabilidade. Fui covarde várias vezes. Eu bem que tentei te falar, mas você sempre me cortava. Eu sempre soube que você tem esse sonho de casar e construir família, mas toda vez que eu tentava tocar nesse assunto, deixar bem claro que eu não tenho esse mesmo projeto, você fugia do assunto.</p>
<p>Ele olhava para ela atônito.</p>
<p>_ Pode ser triste agora, mas é o melhor que podemos fazer por nós mesmos. Você há de encontrar uma boa mulher que partilhe dos mesmos sonhos que os seus.</p>
<p>Abraçou-o sinceramente, desejou-lhe toda a felicidade do mundo e foi embora, leve para a sua nova liberdade.</p>
<p>É o perigo das projeções nas relações.</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/anamariamontardo.wordpress.com/393/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/anamariamontardo.wordpress.com/393/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/anamariamontardo.wordpress.com/393/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/anamariamontardo.wordpress.com/393/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/anamariamontardo.wordpress.com/393/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/anamariamontardo.wordpress.com/393/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/anamariamontardo.wordpress.com/393/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/anamariamontardo.wordpress.com/393/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/anamariamontardo.wordpress.com/393/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/anamariamontardo.wordpress.com/393/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/anamariamontardo.wordpress.com/393/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/anamariamontardo.wordpress.com/393/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/anamariamontardo.wordpress.com/393/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/anamariamontardo.wordpress.com/393/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=anamariamontardo.wordpress.com&amp;blog=8258959&amp;post=393&amp;subd=anamariamontardo&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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