Você sabe o que é uma falácia? Pois a falácia é um tipo de raciocínio indevido, indutivo ou dedutivo, que parece bem construido, mas que não segue rigorosamente as regras da lógica. O exemplo mais batido, mas muito eficiente, é aquele raciocínio infame segundo o qual “Deus é amor, o amor é cego, Stevie Wonder é cego, então Stevie Wonder é Deus”. Nesse caso, a infâmia está escancarada, e qualquer criança é capaz de perceber que, apesar de o raciocínio estar aparentemente correto, seu resultado é ridículo e não corresponde à verdade.
O problema é que nem sempre as falácias se denunciam assim, tal qual gato preto em campo de neve. Na maioria das vezes, os resultados absurdos dos raciocínios falaciosos ficam muito bem disfarçados, e os menos dotados de espírito crítico acreditam nele. Existem vários tipos de falácia:
Falácia da falsa causa: é aquela falácia segundo a qual se considera como causa de um acontecimento um fato ou fenômeno que apenas o antecedeu, sem relação constatada de causa e efeito entre eles. Por exemplo, Filmes violentos causam comportamento violento em seus especatores. Meu vizinho assistiu a Assassinos por natureza e depois cometeu uma chacina na sua escola. O fato de uma pessoa cometer assassinatos após assisitir a um filme violento não comprova essa relação de causa e efeito. Não há meios de comprovar que, se ele tivesse assistido ao filme A noviça rebelde, ele não teria cometido os mesmos crimes.
Falácia da causa comum: afirma que um fato é causa de outro, sem considerar que há um terceiro fato que é causa dos dois primeiros. Exemplo: A publicidade, através de atores e modelos belos e bem vestidos, incita as pessoas a darem valor excessivo à aparência. Ora, a publicidade quer vender, e para isso, apela para os valores do público que quer atingir. Portanto, se ela mostra pessoas belas e bem vestidas, é porque, anteriormente a isso, as pessoas já dão valor excessivo à aparência. Talvez ambos os fatos estejam atrelados a um terceiro: o desejo de ter status, que na época da sociedade aristocrática se estabelecia pelos títulos de nobreza, os quais foram abolidos após o advento da sociedade burguesa.
Falácia do apelo à ignorância: afirma uma verdade com base no desconhecimento de argumentos que lhe contrariem. Por exemplo: Não há perigo de transmissão do HIV em consultório dentário. Até hoje, nenhum caso desse tipo foi registrado. O fato de nunca ter acontecido não comprova que nunca venha a acontecer.
Enfim, há ainda vários outros tipos de falácia, como o apelo à autoridade e a generalização apressada. Muitas vezes, mesmo sem nos darmos conta, utilizamos discurso falacioso. Outras vezes, oradores competentes usam falácias conscientemente com o intuito de fazer seus ouvintes concordarem com ele.
FALÁCIAS DA PRÁTICA
Os artigos sobre educação que Gustavo Ioschpe escreve para a revista Veja, por exemplo, são um festival de falácias, um prato cheio para analisarmos os mais diversos exemplos delas!
Vejamos alguns:
Em 1° de outubro de 2008, ele publicou o artigo Dinheiro não compra qualidade, em que ataca a ideia defendida pelos professores de que para melhorar a educação no Brasil é preciso aumentar significativamente o salário da categoria docente para que essa se sinta motivada a ensinar melhor. Diz ele:
“O problema principal dos funcionários de nossas escolas não é de motivação: é de preparo. E falta de preparo não se resolve com salário, mas com mais e melhor treinamento. Alguns defendem a idéia de que um aumento de salário atrairia novas e melhores pessoas ao magistério. Que não adianta aumentar o salário dos professores em 20% ou 30%: seria necessário dobrá-lo ou triplicá-lo, para torná-lo comparável ao salário das carreiras ditas nobres. Há dois problemas com a idéia: primeiro, não tem respaldo empírico. Segundo, mesmo que seja verdadeira, o orçamento de prefeituras e municípios simplesmente não comportaria um salto assim.“
Ioschpe lança mão de uma falácia de apelo à ignorância quando diz que não há respaldo empírico para o argumento de que um aumento salarial atrairia novas e melhores pessoas ao magistério. O fato de não haver respaldo empírico não invalida – nem confirma, concordo – o argumento. Além disso, o autor esquece que, se é preciso mais treino e preparo para melhorar a educação, para treinar e preparar-se melhor é preciso motivação. Por que alguém estudaria mais para ganhar a mesma coisa? Eu acredito que a medida isolada de aumento salarial para a categoria docente não resolveria, de fato, os problemas da educação brasileira, mas ela é um dos elementos fundamentais para um conjunto de medidas que vise a esse objetivo.
Convenhamos, o dinheiro é um símbolo de valorização. Por que tratamentos estéticos são tão caros e por que tantas pessoas pagam por eles? Porque a beleza é um valor para a nossa sociedade. Diversas mulheres interrompem o curso de inglês e a terapia e deixam de comprar livros nos momentos de aperto financeiro, mas não deixam de retocar a raiz – e não é só porque ela considera seu cabelo importante, mas porque também sua chefe, suas clientes e seus pretendentes o consideram. Numa sociedade, basta verificar quanto a população investe em determinados setores – estética, pet shops, vestuário, viagens, etc – para saber o que ela valoriza.
Portanto, o dia em que a sociedade realmente quiser uma educação de qualidade, o dia que em um professor for considerado tão importante quanto uma massagista que reduz a celulite, aceitará pagar salários melhores à categoria docente. Enquanto não aceitar, terá educação de má qualidade, e isso tem relação, sim, com remuneração.
Em 07 de dezembro de 2007, Ioschpe publicou o artigo Professor não é coitado, em que ataca a ideia de que a carreira docente seja tão ruim como se propala. Diz ele:
Segundo a última Sinopse Estatística do Ensino Superior, em 2005 havia 904.000 alunos matriculados em cursos da área de educação, ou o equivalente a 20% do total de alunos do país. É a área de estudo mais popular, deixando para trás gerenciamento e administração (704.000) e direito (565.000). Ademais, é uma área que só faz crescer: em 2001, eram 653.000 alunos – um aumento de quase 40% em apenas quatro anos.
(…)
Surge o questionamento: se a carreira de professor é esse inferno que se pinta, por que tantas pessoas optam por ela? Pior: por que esse interesse aumenta ano a ano? Seria uma categoria que atrai masoquistas? Ou desinformados?
Ioschpe usa aqui a falácia da falsa causa. Segundo seu raciocínio, tantas pessoas procuram a carreira docente porque a carreira docente é boa. Ele deve pensar também que se há uma lista quilométrica de homens interessados no emprego de lixeiro, deve ser porque ser lixeiro é muito bom! Ora, não lhe ocorre que talvez tantas pessoas procurem a carreira docente por não terem outra escolha? Como o próprio Ioschpe defende em outro artigo – O direito à ruindade -, profissionais com diploma universitário costumam ganhar mais do que os que não o têm. Por isso, muitas pessoas procuram o curso superior. Acontece que nas universidades públicas os cursos de licenciatura oferecem menor concorrência por vaga, e em muitas universidades particulares, as licenciaturas cobram mensalidades mais baratas. Portanto, o fato de a carreria docente atrair tantas pessoas não se explica por ser fácil ser professor, mas por ser fácil se tornar professor.
E aí volta à tona o aumento salarial da categoria para melhorar a educação. Aumentando o salário dessa carreira, mais pessoas se interessariam por ela. Se mais pessoas se interessassem por ela, a concorrência nas universidades federais e as mensalidades das particulares aumentariam. Assim, só entraria em curso de licenciatura pessoas que realmente querem e podem ser professores. Estou eu mesma cometendo uma falácia? Não, a medicina é o pilar que sustenta o meu argumento. Não são só os melhores que entram nessa tão desejada faculdade? E a remuneração dessa classe é vergonhosa como a dos professores? Creio que não.
Para melhorar a educação, é preciso melhorar, sim, a remuneração de seus funcionários. É fato que isso custaria caro. Mas, como disse Derek Bok, ”se achas caro preço da educação, experimenta o da ignorância”. Já estamos experimentando. Um deles é haver quem acredite em Gustavo Ioschpe.
Melhorar a remuneração dos professores é incentivar a melhor educação em nosso país.
A educação é um dos pilares que sustentam a nossa sociedade, e esta passa pelas habilidosas mãos dos professores.
Como podemos deixar de valorizar isso ?
É ignorância achar que o dinheiro não é um estimulo para alguém, este Ioschpe é um idiota !
A Rede Globo está passando uma série de reportagens sobre a Educação brasileira, com a consultoria de Gustavo Ioschpe. É interessante comparar as reportagens atuais com as falácias de Gustavo antigas. Será que suas falas dependem de seu público?
Esse que se diz especialista em educação é ridiculo, durante todas essas reportagens do JN no ar ele demonstra não ter a menor idéia do que é lecionar neste pais. Todo o tempo ele falou como se o professor e a escola tem toda a culpa, sendo que o professor hoje trabalha acuado sem ter a menor autoridade, trabalhando em salas de aulas super lotadas, lidando com crianças que sofrem problemas em casa, falta de estrutura familiar. Não é justo criticar, um professor que ganha uma miseria, trabalha em condições precarias e que todos os dias trabalha em prol de uma sociedade que não sabe ensinar aos seus filhos o conceito de respeito.
Na escola em que trabalho recebemos muitos estagiÁRIOS dos cursos de licenciatura e a maioria deles só quer o diploma de nível superior. É um curso barato e rápido. É por isso que querem fazer uma licenciatura e não para dar aula.
Esse Gustavo está vendo o que é Educação brasileira agora,pois está visitando o mundo real da escolas junto com o JN no ar.
Ótima argumentação!
Quem é Gustavo Ioschpe? Em que escola pública trabalhou? Para que séries ministrou aulas? Será que trabalhou em alguma escola de periferia de uma grande cidade? Será que teve que pegar 2 ou mais conduções para chegar à escola que trabalhou ou trabalha?
Não, nada disso! Nunca trabalhou em escola pública. Ele é apenas um indivíduo de familia com posses e que estudou no exterior. Muito provavelmente, nunca passou por dificuldades financeiras. Posso estar enganado, certo. Mas me diga como que alguém, com esse perfil, pode falar em soluçoes para educação com tanta propriedade (e sem modestia) sem ter vivído esta realidade?
Bom, só pode mesmo dizer estas barbaridades!
Antes de analisarmos o perfil de uma pessoa.Temos que fazer uma reflexão sobre o perfil do professor ( e não do educador). Vê-se que na nossa profissão a palavra ética e respeito é inexistente. Não se observa em outras profissões que são consideradas de “alto prestígio” um colega depreciar o outro. Segue na medicina um Código de Ética. Mesmo que ainda haja uma grande luta para melhoria salarial dos professores precisamos julgar menos as pessoas.Não faremos o mesmo em sala de aula com nossos alunos? Cadê nossos valores?
Perfeito Fernando!
Falou tudo o que eu queria ter dito. Se eu pudesse, convidaria o senhor Gustavo para ministrar uma semana de aulas na escola em que trabalho. E nem precisaria trocar uma semana de saçário dele por uma semana do meu. Professor bom é aquele que consegue dar aula para aluno ruim. Dar aula em escola boa, particular ou pública, é fácil. Culpar o professor pelo fracasso na educação é fácil. difícil é fazer uma política pública para mudar a situação. Vamos aguentar mais uns anos roendo o osso, porque daqui no máximo dez anos, professor vai virar artigo de luxo. Quem quer trabalhar ameaçado de morte? Quem quer ficar surdo com os gritos das crianças nas salas de aula?
Não se pode, nem se deve atrelar o perfil de alguém a sua classe social ou formação. Se ele é de família rica, mas tem boas idéias, que isso seja debatido. Senão partimos do princípio de que só quem foi presidente pode criticar quem lá está. E possivelmente não é assim que agimos. Sendo assim, se você nunca esteve na posição dele (de rico e colunista), NÃO diga que ele está errado!
O que me preocupa mais é que esse Gustavo Ioschepe “se vende” como especialista em educação e não divulga o seu itinerário acadêmico. Afinal, ele cursou Pedagogia? Fez mestrado ou doutorado em educação? Acho que não.
E as ideias do senso comum e parcial dele são divulgadas como aceitáveis e razoáveis… Que tristeza para nós educadores.
É NOSSO PAPEL DESCONSTRUIR TODAS AS FALÁCIAS SOBRE EDUCAÇÃO QUE ELE PROPAGA NA MIDÍA, TANTO EM REVISTA (VEJA), QUANTO EM TELEVISÃO (JN).
O problema é que a grande maioria dos funcionários públicos (sou funcionário público há 2 anos e vejo que a indolência é uma qualidade fácil de se achar) não gosta de ser avaliado, de ter que mostrar resultados. Quer fazer o que bem quer (ou não fazer) e receber o salário no fim do mês. Concordo que o salário de professor é baixo, mas a questão é bem mais profunda, é cultural e essa baboseira de politicamente correto piorou ainda mais as coisas pois cada vez mais temos mais DIREITOS e menos DEVERES. Então cobrar algo das pessoas é muito complicado, principalmente se cobrar de um servidor público, acostumado a regalias e a fazer o que der na telha. Repito: sou funcionário público e concordo que o salário dos professores é muito baixo, com raríssimas exceções. Não dá pra fechar os olhos a essa realidade, mas também não dá pra acreditar que melhorando os salários nos tornaríamos uma Coréia do Sul no ensino. Seria preciso mais uns 250 anos pra ver alguma coisa mudar.
Não sei se isso se aplica aos professores, Antonio, porque nem todo professor é funcionário público. E tanto a questão do salário baixo quanto da desmotivação se aplica a ambas as esferas. A maioria das escolas em que trabalhei eram particulares, e não pense você que o cenário é diferente. É claro que o valor hora/aula é maior, mas dependendo da escola, essa diferença não é tão significativa. E muitos dos professores da rede privada também dão aula na rede pública – nesta, para ter estabilidade e plano de saúde, e naquela para “engordar” a renda” -, ou seja, trabalham demais e se desmotivam da mesma forma. Na rede privada, já ouvi pérolas como “a turma tal é muito bagunceira, por isso hoje vou encher o quadro de atividades” ou “vou dar uma prova bem difícil para ver se nas próximas aulas eles se aquietam”. São atitudes antididáticas, e eles sabem disso, assim como os funcionários públicos sabem o que têm de fazer, mas não fazem. Para mim parece às vezes que os próprios professores não valorizam sua própria carreira. Eles falam em valorização da carreira docente, mas isso só vale para aumento da remuneração, para aumento do comprometimento, não. Evidentemente, há exceções – nas duas redes.
Muitos procuram ser professor porque não há compromisso e o cargo público (a maioria) garante estabilidade. Dificuldades existem em todas as profissões, todas são para “resolver problemas dos outros”. Se existem escolas públicas longínquas com bom IDEB e outras com índices ruins, qual a diferença entre elas. As análises de Gustavo Iochpe em sua maioria são muito pertinentes. O fato de não ter sido professor não o desqualifica, pois é estudioso do assunto. Se seguirmos este raciocínio (falacioso) então o professor só poderia criticar o diretor se já tivesse sido diretor; os pais se ele mesmo tiver filhos. A placa sugerida por Iochpe à porta de cada escola, apresentando seu IDEB é uma excelente idéia para motivar todos (diretor, professor, aluno) a melhorar. Por que o aluno que não passa em uma matéria apenas, é aprovada pelo conselho? Por que não pode rodar pela segunda vez numa mesma matéria? São orientações que partem de muitas secretarias, para artificilalizar um IDEB mais alto. O professor que escolheu esta carreira tem de se dedicar sim, pois estava ciente do salário que o mercado paga. Senão, ele próprio que estude medicina e se torne médico, se é que lá ele só vê flores. Quando o professor “curte” suas férias prolongadas, o médico é acordado no meio da noite para atender emergências! Que professor toparia visitar os pais de um aluno num domingo à tarde para ver o que acontece que aquele aluno não está aprendendo direito? Concordo que não existem afirmações e soluções fáceis, mas NADA justifica o professor não se dedicar de corpo e alma ao seu trabalho. Os que defendem a disciplina e o rigor se decepcionam com a maioria de seus pares e com seus diretores, porque não tem respaldo para atuar condignamente. “Essa nota tem de ser aumentada, porque aluno Fulano este ano tem de passar”, hehehe
Olá, Roberto!
Não sei para quem – se para mim, para os que aqui comentaram ou para todos nós – você escreveu este comentário. De qualquer maneira, vou comentar alguns trechos do teu texto:
1) “Muitos procuram ser professor porque não há compromisso”: o que você quis dizer com isso? Bem, às vezes eu me pego pensando “Nossa, ser dentista não é moleza, imagina se o paciente morre por causa da anestesia?!” E esses dias uma nutricionista e um chef foram presos porque havia carne vencida na geladeira do restaurante. “Essa profissão não é pra mim”, pensei. E digo isso porque não tenho perfil obsessivo, perfil desejável em algumas profissões, tais como aquelas em que um passo em falso pode comprometer a saúde e até a vida de alguém. Para professores, por exemplo, o perfil obsessivo não tem vez. Um obsessivo teria um ataque do coração no primeiro dia de aula. Portanto, creio que algumas profissões exigem mais em alguns aspectos do que outras, o que não quer dizer que na profissão de professor não há compromisso. Tenho uma amiga advogada que está servindo uma cliente que está justamente processando uma professora, sob a alegação de que a professora orientou muito mal seu trabalho de conclusão de curso, aprovando-o para submissão à banca sem antes lê-lo (detalhe: a menina foi reprovada pela banca e não pôde se formar)! Uma outra amiga tem um filho de 14 anos que, desconfiado de que seu professor não lia seus trabalhos, colocou uma receita de bolo entre os parágrafos do texto sobre a II Guerra. O professor deu nota 8, não percebeu nada porque não leu. Esse vai se ferrar. E o que estou querendo dizer com isso? Que nessa profissão não há espaço para fazer corpo mole, para ser malandro. Esses dois professores fizeram e foram pegos. Pode haver, como provam esses dois casos, professores descomprometidos – mas não se deve julgar a profissão pelo profissional, não é? Também há médicos, fisioterapeutas e advogados descomprometidos. Nem por isso direi que nessas profissões não há compromisso.
2) “O fato de não ter sido professor não o desqualifica, pois é estudioso do assunto”: concordo em parte com você. Podes observar que no meu texto e em meus comentários, em nenhum momento o desqualifico por causa disso. Acredito inclusive que é muito enriquecedor que as diversas áreas do conhecimento contribuam para o debate em prol de uma educação melhor, já que a qualidade desta afeta todos em um país. Se a economia de um país depende do grau de instrução de seu povo, nada mais adequado que economistas se debrucem sobre a educação. Mas considero falho um de seus argumentos: “então o professor só poderia criticar o diretor se já tivesse sido diretor; os pais se ele mesmo tiver filhos”. Veja que nos dois exemplos que você dá, há educação envolvida, e sim, creio que nesses assuntos um professor pode dar palpite. O que um professor não pode é dar palpite na taxa de juros que o ministro da fazenda resolveu adotar ou no modo como um cirurgião vai proceder com seu paciente, porque aí foge demais à sua alçada. Na verdade, acho que qualquer pessoa pode criticar o que quiser, desde que tenha conhecimento sobre o assunto. E em alguns momentos, Ioschpe parece carecer, não digo de conhecimento, mas de perfil: é muito perceptível que gosta de estatísticas. Não desdenho das estatísticas, considero este, aliás, um campo muito útil. Mas… quem gosta tanto de números, índices etc, tem dificuldade em lidar com elementos menos exatos. E educação se trata disso: humanos. Imprevisíveis, incomensuráveis, inexatos. É aí que Ioschpe dá mancadas: ele sugere soluções que dão a impressão de que basta entrar na sala de aula e fazer tudo o que ele recomenda, que os alunos responderão exatamente como ele prevê. Creio que é nesses momentos que seus detratores apelam para o argumento “O que esse cara entende de Educação?”. E tenho de dar a mão à palmatória: nesse aspecto, ele não entende nada mesmo.
3) “O professor que escolheu esta carreira tem de se dedicar sim, pois estava ciente do salário que o mercado paga.”: a seguir por esse raciocínio – “estar ciente do que o mercado paga” -, daqui a pouco ninguém vai querer ser professor. É por isso que é bom que ainda tenha gente que escolha essa profissão e que lute por melhores salários, para que no futuro, mais pessoas queiram ser professores.
4) “ele próprio que estude medicina e se torne médico”: é difícil passar em medicina, porque a medicina é uma carreira concorrida, porque a medicina remunera bem seus profissionais. Entendeu como as coisas funcionam?
5) “Quando o professor “curte” suas férias prolongadas”: as férias são, de fato, prolongadas, Roberto. Quanto a “curtir”, aí depende do que você entende por “curtir”. Se isso inclui poder ficar em casa e dormir até o meio-dia, aí concordo. Mas para mim, “curtir férias” significa viajar. Mas como viajar se seu salário mal dá para pagar as contas? Isso, é claro, vale para os professores da rede pública. Eu trabalho na rede privada e posso viajar. Inclusive estou planejando uma viagem para a Europa para fevereiro. FEVEREIRO. Neve, frio etc. Ah, tenho férias em julho também. JULHO. Calor, filas quilométricas nos museus, taxas altíssimas. E não tenho outra opção: ou é verão ou inverno. Jamais poderei ver as folhas amarelas do Central Park em outubro, nem as flores de abril de Amsterdam. Isso é só para mostrar que o professor tem o privilégio de ter férias longas, mas a eterna impossibilidade de tirar férias no mês que julgar melhor. Juro que eu preferiria ter apenas um mês – ou até 15 dias – de férias ao ano, desde que pudesse escolher quando.
6)”o médico é acordado no meio da noite para atender emergências!”: o professor também vai até altas horas da madrugada corrigindo provas, Roberto. Eu mesma já cansei de fazer isso. E nunca fui à casa de um aluno em um domingo à tarde, mas já passei várias tardes ensolaradas de domingo corrigindo redações e provas.
7) “Os que defendem a disciplina e o rigor se decepcionam com a maioria de seus pares e com seus diretores, porque não tem respaldo para atuar condignamente”: exatamente! Impor disciplina hoje significa comprar briga com alunos, pais de alunos, coordenadores e diretores! Graças a Deus na escola em que trabalho hoje não é assim, mas já trabalhei em cada escola…
Obrigada pela leitura e participação!
rapaz esse PLAYBOYZINHO nao tem moral para falar do sistema de ensino brasileiro pq nunca estudou aqui ele foi se formar nos EU. ele ta assim com dor de cotovelo é para pegar um pedaço do dinheiro da educaçao com impresa de consultoria. mas como ele ta de baixo com os tucanos…kkkk… ele ta lá abril que é da globo e a VEJA? de quem é a VEJA mesmo? nao é daquele ex-presidente sul-africano que implantou o regime do “apartaid” na África do Sul… coitado do bichinho….
Essa falácia nem se discute, a remunaração dos professores é diretamente proporiconal à qualidade do ensino e um incentivo a arte do educar.
Melhorar o ganho dos professores implicará em aulas bem ministradas, professores mais entusiasmados e alunos bem qualificados.
Acabei de ver esse sujeito num programa de Tv. Ele jamais trabalhou na vida. Apenas escreve. Só isso, talvez nem pense!
Agradeça que ele escreve. Se todo professor ensinasse tão bem aos seus alunos a escrever quanto ele escreve, e, se todo professor lembrasse que é pelo que os outros escrevem que ele próprio aprendeu alguma coisa, seu comentário seria diverso. Seriedade em discussão sim, demagogia não!
Os artigos de Gustavo Ioschpe e Cláudio de Moura Castro representam as ideias da Editora Abril, que representas as ideias da extrema direita mundial (Instituto Millenium, Instituto Atlas – EUA) e da Opus Dei, como mostram as pesquisas do jornalista Colyn Brayton em “O Bicho Preguiça” (http://obicho.wordpress.com/).
Enquanto este seu artigo desmonta magistralmente a lógica torta dessa gente, aqui eu desmonto os números que eles usam para tentar manipular a opinião pública:
Os países mais burraldos do mundo, http://meiradarocha.jor.br/news/2008/09/01/ocde_pisa_2006_ciencias/
Aliás, você já reparou que nem Gustavo Ioschpe nem seu colega de Yale e de Editora Abril Cláudio de Moura Castro têm currículo Lattes?
Verdade! Depois da entrevista que vi ontem (Painel -Globo News – 13/11/2010) procurei o lattes e não achei.
Aliás, eu entrei em catálogos da biblioteca da Yale (http://orbis.library.yale.edu/) e fiz buscas com outras ferramentas disponibilizadas pela própria Yale e a única obra recuperada foi o livro que ganhou o prêmio Jabuti. A outra referência ao nome é um comentário do Ioschpe, que coloco abaixo. Onde está a dissertação de mestrado, alguém conhece? No Google Acadêmico, as citações ao autor referem-se às matérias publicadas na Veja… Onde está a produção acadêmica desse tão elogiado “intelectual” do Instituto Millenium?
Gustavo Ioschpe ’02 MA IDE writes, “The research that I started on the economics of education while at Yale was published in Brazil in 2004, titled A Ignorância Custa um Mundo — O Valor da Educacão no Desenvolvimento do Brasil (something like ‘Ignorance Costs the World — The Value of Education for Brazil’s Development’) and last year was awarded Brazil’s most prestigious literary award, called Jabuti. Partly as a result of the book and the award, I am now a columnist for Veja, Latin America’s largest magazine. I am now doing research on the impact of recent advances in evolutionary psychology on the design of a post-Marxist leftist political economy. I’m writing this one in English as well as Portuguese. Should be ready some time next year.”
Liliana, não sei como é o sistema de pós-graduação nos EUA. Talvez lá não seja exigida uma dissertação para a conclusão de um curso.
Alguns leitores já comentaram o fato de ele não ter currículo Lattes. Ora, ora, minha gente: posso estar enganada, mas creio que o Lattes é uma plataforma 100% brasileira destinada àqueles que pretendem seguir carreira na docência e na pesquisa. Tendo estudado nos EUA e sendo sócio/dono de empresas, Ioschpe está se lixando para a plataforma de doutores brasileiros. A ele não deve haver motivo nenhum para querer estar nessa vitrine. Ou vocês acham que ele está louco para lecionar em uma universidade por R$ 8 mil mensais?
Liliana, não sei como é o sistema de pós-graduação nos EUA. Talvez lá não seja exigida uma dissertação para a conclusão de um curso.
Alguns leitores já comentaram o fato de ele não ter currículo Lattes. Ora, ora, minha gente: posso estar enganada, mas creio que o Lattes é uma plataforma 100% brasileira destinada àqueles que pretendem seguir carreira na docência e na pesquisa. Tendo estudado nos EUA e sendo sócio/dono de empresas, Ioschpe está se lixando para a plataforma de doutores brasileiros. A ele não deve haver motivo nenhum para querer estar nessa vitrine. Ou vocês acham que ele está louco para lecionar em uma universidade por R$ 8 mil mensais?
EU TAMBÉ PROCUREI E NÃO ACHEI!!!
ELE NÃO É UM PESQUISADOR, OU UM ESPECIALISTA (ELE MESMO SE DENOMINA COMO TAL), EM EDUCAÇÃO!
ESTOU MUITO INDIGNADA!
ESSE MAURICINHO NÃO SABE O QUE É SUAR A CAMISA PARA RECEBER NO FINAL DO MÊS UM MÍSERO SALÁRIO, INDIGNO PARA UM PROFESSOR QUE EM OUTROS TEMPOS ERAM CHAMADOS DE “MESTRES”.
ESSE GUSTAVO IOSCHPE É A CÓPIA CARBONADA DO TAMBÉM COLUNISTA DIOGO MAINARDI DA EDITORA ABRIL.
ESTES PSEUDO-INTELECTUAIS QUE ACHAM QUE SABEM TUDO, QUE TEM RESPOSTA PARA QUALQUER PROBLEMA, QUANDO NA VERDADE SÃO APENAS MEROS COLUNISTAS QUE GANHAM SEUS SALÁRIOS EM UMA PROFISSÃO ONDE FICAM APENAS APONTANDO OS DEFEITOS DAS DEMAIS PROFISSÕES OU DAS ATITUDES DOS OUTROS.
QUE TRISTEZA DE PROFISSÃO A DELES… PREFIRO O MEU MÍSERO SALÁRIO… PELO MENOS NÃO TIVE QUE OFENDER A NINGUÉM PARA MERECÊ-LO.
JOÃO
João, vc também suou sua camisa para estudar?suou sua camisa para se tornar professor? se especializou? fala algum outro idioma além do Português? e não me venha falar que o Ioschpe é rico por isso teve pós graduação internacional, porque eu sou de família pobre e fiz duas especializações e fui ser babá nos EUA para aprender inglês. acho que a discussão apontada por Ioschpe é válida, pode não ser verdade absoluta mas tem fundamento. Vejamos o seu exemplo. diz que prefere o seu mísero salário, mas o quanto desse mísero salário vc investe em seu desenvolvimento profissional?
Abraços,
Pétula Lemos
Eis a questão, Pétula: com salário miserável, não dá para investir no desenvolvimento profissional.
E mesmo que desse, vejamos: eu sou professora de Língua Inglesa. Há na minha cidade, Porto Alegre, diversas instituições de ensino superior que oferecem cursos de especialização em ensino de pronúncia ou ainda ensino de língua inglesa através de textos clássicos da literatura britânica, olha que legal! Duração: um semestre, que na verdade é de 4 meses (de março a junho. Custo: R$ 5760,00 ou em 18 vezes de R$ 320,00. Horário: sextas-feiras, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Se eu quiser fazê-lo, terei de abrir mão de trabalhar na sexta (pelo menos na parte do dia), o que já me fará deixar de ganhar o pouco do que eu já ganho. R$ 320,00 já pesaria no meu orçamento trabalhando na sexta, imagina se eu não trabalhar! Entendes? É inviável! “Bom”, você deve estar pensando, “mas se esse curso existe, é porque tem procura, do contrário, a instituição não o disponibilizaria, e quem o procura deve ser professor”. É claro que tem procura, mas são professores que ou ainda moram com os pais ou com um cônjuge que pode segurar suas pontas. É a realidade de muitos, mas não de todos.
Mas digamos que eu pare de ser “reclamenta”, como Ioschpe sugere que minha classe é, e faça todos os sacrifícios necessários para fazer esse curso e investir no meu desenvolvimento profissional. Que retorno terei? Poderei chegar a uma escola particular e dizer “Ah, vocês pagam R$ 20,00 a hora-aula? Pois é, mas eu tenho especialização, então eu quero R$ 23,00 por hora”. É claro que não! Um administrador ou economista que faça um MBA em Harvard ou um médico que se endivide para aprender uma técnica revolucionária de cirurgia em cerca de um ano pagará o investimento que fez e depois disso vai ganhar, sei lá, 30% mais do que ganhava antes. Sabe quanto uma especialização acrescenta ao valor hora-aula do professor? 5%. Calcule quanto é 5% de R$ 20,00. Pois é.
É claro que tem o ganho intelectual, isso não se discute! Mas não podemos esquecer que estamos em um mundo capitalista, e necessitamos fazer cálculos, inclusive da relação custo-benefício.
A questão que o rapaz Gustavo ignora deliberadamente, e que praticamente desqualifica seus argumentos, é que as avaliações externas são recentes e não emitem conclusões seguras. É verdade que fatores culturais e sócio-econômicos aos quais os alunos são submetidos são, muitas vezes, mais determinantes do que a remuneração dos docentes. Mas a valorização da educação, como um todo, perpassa questões como melhores condições de trabalho, tanto no que diz respeito ao professor, quanto de aprendizagem, no que diz respeito ao aluno (condições de ensino-aprendizagem são a mesma instância – melhores materiais, menos alunos por turma, melhor aproveitamento do tempo, etc.), além de melhores salários e adequado tratamento social (leia-se, aí, reconhecimento pela imprensa) digno de acordo com a importância da função social. Não dá para esquecer que esse menino é um novo fantoche das elites que defendem o estado mínimo e que temem a elevação da consciência de classe do povo.
Esse Gustavo ioschpe demonstra ser uma pessoa completamente despreparada para exercer sua função, é uma pessoa sem noção, com pensamentos equivocados sobre os fatos da realidade, idéias absurdas e vergonhosas.
Gostei de encontrar esse texto. Por acaso, eu estava procurando mais informações sobre Gustavo Ioschpe, pois lera, em uma das edições da Veja, um artigo sobre educação (Aula de ética é em casa, não na escola 26/06) que me chamou a atenção: primeiro pela visível fragilidade de seus argumentos; segundo por sua visão deturpada da realidade. Senti uma irresistível vontade de desmontar os argumentos desse Ioschpe. Não sabia como começar, mas agora já tenho uma noção.
Você já recebeu aquela mensagem onde os pais veem as notas baixas do filho e questionam ele na frente da professora como se fosse no tempo passado, e numa outra imagem já no presente eles questionam a professora o por quê das notas baixas, enquanto o aluno fica sorridente?
Os argumentos dele são completamente possíveis. O que não podemos é ficar de braços cruzados e sermos reclamões de bar. Leia um artigo sobre o brasileiro Carlos Saldanha que saiu na Veja dessa semana que mostra como alguém com garra e vontade de crescer se dá bem apesar dos problemas. Não sou educador, tampouco de classe alta, mas a educação me preocupa como um todo, e sim, ética se aprende em casa se realmente queremos um país melhor.
Parabéns pelo texto, Ana Maria, você argumentou com muita precisão.
Por coincidência, eu também escrevi um texto desconstruindo as ideias de Gustavo Ioschpe, dê uma olhada neste post do meu blog:
http://letrasdespidas.wordpress.com/2010/09/15/uma-educacao-elitista/
Abraços,
Adriano
Adorei ler seu artigo. Estava lendo um material da pós em educação que citava a obra dele “A ignorância custa um mundo: O valor da educação no desenvolvimento do Brasil”, pois era um contraponto de vertentes de Gandin e Frigotto. Como entendi um pouco do pensamneto dele vi que não vale a pena comprar o livro, mas continuarei com as pesquisas na internet sobre o assunto. Obrigada.
Sr Gustavo. Passe a ganhar 10 reais a hora aula pra ver se o seu raciocínio é correto. Não se dá uma aula de dez reais diferente de 50 (pelo menos eu não ) mas com certeza, se minha aula for de 50 reais estarei um pouquinho mais feliz como vc deve ser com seu grane salário.
Assisti a entrevista dele ontem com muita atenção e acredito que ele tem razão sim em muitos pontos, dentre eles que a educação deve ser gerida para RESULTADOS.
Nesse ponto eu também concordo com ele, Gustavo. Podes ver que em meu texto, não contextei essa parte da maneira com que ele pensa a educação.
A única dúvida que eu tenho a esse respeito é: como medir os resultados em educação? Como deves saber, provas e testes não provam nada. Submetidas à mesma prova elaborada pelo mesmo professor, alunos que assisitiram às mesmas aulas do mesmo professor têm resultados muito diferentes. E aí? O professor é competente ou não? Se não, por que um aluno tirou 10? Se sim, por que outro aluno tirou zero? O aluno que tirou pode ter tirado 10 porque adora a disciplina, porque faz aula particular ou porque o pai prometeu-lhe uma bicicleta em recompensa, o que tira o mérito do professor. Mas o aluno que tirou zero pode odiar a disciplina, querer agredir seus pais com seu fracasso escolar, estar transtornado pela separação dos pais, ou pela morte do avô, ou pela desclassificação de seu time do campeonato brasileiro ou pela paixão por uma coleguinha ou simplesmente não estar nem aí para o seu futuro, o que não é demérito do professor.
E esse é apenas o lado mais superficial da questão de resultados em educação. Por quanto tempo sua mãe teve que buzinar no seu ouvido para não deixar a toalha no banheiro e escovar os dentes depois das refeições até que você incorporasse esses hábitos – se é que incorporou (a educação de algumas mães também não dá resultados)? Pois é, educação é investimento de longo prazo, um processo de semeadura de cuja colheita não é o professor quem usufrui, mas a sociedade. O fato de um aluno ou de uma turma ir mal em provas hoje não significa que serão maus cidadãos e profissionais amanhã. Dentre os profissionais bem-sucedidos que conheço, há quem tirava 4,0 em Cálculo na faculdade e quem reprovou na escola e concluiu o Ensino Médio em supletivo. Mas se deram bem na vida. Será que se deram bem porque o que (não) aprenderam na escola não fez falta em suas vidas profissionais? Ou será que se deram bem porque o que seus professores lhe ensinaram só fez sentido dez, quinze anos depois? Os professores foram ou não foram importantes? Não tem como saber.
Avaliar resultados em educação é como avaliar resultados em uma psicoterapia, onde não podemos saber se o sujeito que não conseguia se envolver com ninguém em um relacionamento estável conseguiu fazê-lo por causa da terapia ou se tudo era uma questão de tempo, e ele conseguiria fazê-lo de qualquer jeito, mesmo sem terapia.
As pessoas teimam em tratar as ciências humanas do mesmo modo como tratam as ciências exatas, sem desconsiderar as milhares de variáveis envolvidas no “objeto de pesquisa”.
Novamente, concordo que se deva medir os resultados do trabalho do professor. Só não sei como.
Professora Ana Maria, o seu argumento é válido. Só se pode questionar o jeito de andar de cada pessoa somente quando nos propormos a andar com o seu sapato e fazer o seu percurso. E o percurso do professor no Brasil é cheio de percalsos, de dificuldades até extra-curiculares. Concordo que o nosso ensino carece de qualidade. Muitos professores vem para o magistério por não ter outra opção. É aí que talvez desqualifique tão santa missão. O mérito de Gustavo Ioschpe foi provocar um questionamento que devemos dicutir peranemente e levar as autoridades e aos políticos os desafios que a questão “Ensino”estabelece. Uma revolução nesta área e mesmo socialmente cabe aos professores que estão em contato com os futuros cidadãos. Forjar cidadãos é necessário ter esta formação como meta primeiro. Professor de qualquer cadeira tem que incluir em seus ensinamentos esta consciência. O material humano que chega em suas mãos vem mutilados pela sociedade aqui fora ou mesmo dentro dos próprios lares. Portanto “Cidadania” deve fazer parte de todas as discíplinas. Assim haverá reconhecimento de todos os agentes deste cenário. Resposabilidades, participação de cada ator. Com certeza se assim agirmos poderemos salvar gerações de brasileiros que estamos marginalizando por ficarmos preocupado tão somente com o nosso umbigo. A revolução que precisamos ´para melhorar o mundo está nas mãos dos educadores e não nas mãos dos políticos, que infelizmente não se preocupam com a realidade que estamos envolvidos. Sois vós, pois, professores, tutores desta causa. Toda e qualquer melhoria no mundo depende o que empiricamente está provado. Temos, sim que valorar o educador, mas o educador tem que saber que nesta oração o sujeito é o educando.
Você disse muito bem, mas pelo menos ele aponta os pontos de vista dele. Não podemos simplesmente ignorar o caso. Mas as demonstrações de civilidade brasileira nos mostra que algo está errado e que precisa ser alterado. Ele aponta caminhos, e também não garante que os caminhos estejam corretos, mas devemos observar os pontos. Dizem que não devemos comparar Brasil e Coreia. São realidades distintas. Se for sempre assim, devemos abaixar a cabeça e aceitar que nada irá mudar, pois não tivemos coragem para fazer algo. Escrever na Internet onde poucos são os que realmente entendem alguma coisa e achar que o mundo irá mudar sozinho, não irá resolver nada. Todos devemos assumir nossas responsabilidades e parar de ficar achando culpados. Talvez aquela antiga frase numa época obscura para a grande maioria, Brasil, Ame-o ou Deixe-o seja necessário retomar. O Brasil ficaria vazio.
Olá, Cedenir! Obrigada pela leitura e pela resposta em meu blog. Olha, quanto à sua colocação “Escrever na Internet onde poucos são os que realmente entendem alguma coisa e achar que o mundo irá mudar sozinho, não irá resolver nada”, concordo. Mas não vou deixar de escrever por causa disso. Minha motivação ao escrever um post sobre as ideias de Gustavo Ioschpe das quais discordo não é resolver a situação. É pura e simplesmente expor minha contrariedade com relação às suas ideias.
Porque professor tem tanto medo de avaliação?
Costa, suponho que esse medo se deva a duas razões.
No caso da rede privada – a única que conheço –, a detecção de problemas não é um caminho para a melhora do trabalho, mas para a demissão. Trabalhei em uma escola em que um professor de português foi demitido em pleno setembro – não esperaram nem o ano acabar! – porque um grupo de cinco mães ligou para a escola para reclamar que seus filhos ainda não tinham feito nenhuma redação naquele trimestre. O professor errou? Sem dúvida! Mas precisava demiti-lo por causa disso?!
Um dia, bem no início da minha carreira, em outra escola, entrei na sala de professores e disse “Gente, não consigo dominar aquela oitava série, eles bagunçam muito e não me respeitam, o que eu faço?” Uma colega me disse “Ana, não abre assim para todo o mundo que tu não consegues dominar a turma. Aquela turma é impossível mesmo, ninguém consegue dar aula lá, mas ninguém admite isso! Sempre que te perguntarem como está tua relação com qualquer turma, sempre diz que está tudo bem, porque do contrário, tu vais te incomodar e talvez até ser demitida”. Pensei “Ah, sim, e eu vou ficar aguentando aquela bagunça até o fim do ano? Não vou mesmo!”. Enviei um email quilométrico para a equipe pedagógica, e ela me chamou para conversar. A primeira coisa que fizeram foi me elogiar pela rara iniciativa de pedir ajuda e de assumir minha parte de responsabilidade pelo problema – o que mais uma vez aponta para o costume dos professores de se esconderem. No final, obtivemos ótimos resultados com a turma. Mas essa escola é uma exceção, na maioria das escolas é assim que as coisas funcionam: faça de conta que tudo está bem.
Na rede pública, suponho que o medo tenha outra natureza: o trabalho de ter de melhorar. Acredito que esses professores pensem que não compensa se esforçar para fazer um trabalho melhor para continuar ganhando a mesma coisa. Aí surge uma pergunta tostines: os professores estão desvalorizados porque não fazem um bom trabalho ou não fazem um bom trabalho porque ganham mal?
Há quem afirme que não há – ou pelo menos não deveria haver – relação entre qualidade do trabalho e remuneração. Se você se compromete a executar uma tarefa, deve fazê-la com todo o seu empenho independente do que vai ganhar por isso, principalmente quando estava ciente do quanto ganharia. Há um fundo de verdade nisso. Mas esse tipo de postura é típica de empreendedores, e empreendedores não escolhem ser professores. Vide o próprio exemplo de Ioschpe: é um empreendedor, sem dúvida, pelo quê está de parabéns. Justamente por isso não escolheu a sala de aula.
Acabo de ver um programa na globo news onde se discutia educação( se é que aquilo é uma discussão), nele estava presente este tal de Gustavo Ioschpe, um imbecil que não entende nada de educação, desde quando um capitalista mediocre pode falar algo sobre educação e desde quando ser colunista da revista veja se tornaou sinonimo de credibilidade ou uma avalização de confiança.
Este tal falou tanto merda, mas tanta merda que conseguiu realmente me tirar do sério.
Enquanto rede globo e revista veja puderem e conseguirem moldar de alguma maneira a opinião popular, estaremos perdidos e f…..
Galera pensem bem !!! O que o Ioschpe esta querendo dizer e que nao adianta jogar montanhas de dinheiro num profissional achando que ele vai melhorar – exemplo: nao adianta vc pagar um salario de 10,000 a quem ja ganha 1,000 achando que com isso ele vai ser um funcionario 10 vezes melhor. A observacao do Ioschpe e bem clara, ser humano nao e igual a um objeto material no qual “o mais caro e melhor” dinheiro nao e tudo.
Acredito que criando uma carreira mais atraente para o educador se melhora o sistema educacional, dinheiro e apenas uma parte dessa equacao.
Tens toda razão, Luiz. Dinheiro é apenas uma parte da equação. Mas é uma parte, né?
Vejamos um exemplo concreto em que remuneração faz o profissional melhorar. Acabei de participar de um concurso público para professor efetivo de uma escola federal – salário para mestre (meu caso) de R$ 4194,00. Uma das etapas era apresentar um projeto de pesquisa para se aplicar na escola, em caso de aprovação. Para fazer o projeto, li, escrevi, me debati com minhas ideias anteriores sobre o modo como eu ensinava, reformulei hipóteses, busquei fontes diferentes. No final das contas, não passei no concurso, mas certamente vou aplicar meus novos conhecimentos nos meus próximos empregos. Em suma, me tornei uma professora melhor. Mas por que melhorei, por que me dediquei tanto a esse projeto? Porque havia um salário de R$ 4194,00, um plano de carreira e estabilidade em jogo.
Mas convenhamos: quantos de nós não tivemos professores universitários que eram super bem pagos e que eram muito incompetentes? Isso prova que alta remuneração não basta. Mas é uma peça fundamental.
Sim…mas como vc atrai bons profissionais com salarios de 1000 reias que porcamente pagem a mensalidade de uma faculdade.
Pessoal, parabéns pela rica discussão! O argumento do tal Ioschpe economista é mesmo simplista diante de uma discussão tão complexa, os óculos da tal ciência empírica que ele tanto insiste em defender o cegou para a sensibilidade dos valores sociais. Mas em uma coisa eu concordo, não basta remunerar melhor, é preciso implementar ações de avaliação de desempenho e resultados. Queremos ser melhor remunerados, mas será que queremos nos submeter às avaliações de resultados?
Boa questão, Ana Paula. Será que queremos ser avaliados?
A cultura do feedback é nova – se é que já existe para além de um projeto – na educação. No meio corporativo, por exemplo, já uma prática corriqueira. Todo administrador, economista ou profissional do gênero que é contratado por uma empresa sabe que, de tempos em tempos, levará um puxão de orelhas ou será elogiado. Isso faz parte da sua profissão.
O mesmo não ocorre com professores. Até hoje os únicos feedbacks que tive – positivos ou não – vieram de alunos. E como tudo o que é novo, a avaliação dos professores vai levar muito tempo para ser implantada e aceita.
Mas é bom que pensemos na razão porque adminstradores aceitem a avaliação numa boa, e os professores, não. Nem vou tocar no assunto da bonificação em caso de metas atingidas. Vou mais fundo: qual é o perfil de quem escolhe ser businessman e de quem escolhe ser professor? Quem é que escolhe uma profissão reconhecidamente mal paga e com más condições de trabalho (salas lotadas, alunos indisciplinados, etc)? Em geral – há excessões – são pessoas com baixa auto-estima. E pessoas com baixa auto-estima detestam ouvir críticas.
A resistência da classe docente parece ser um apelo do tipo “Eu já fiz o favor para a sociedade de topar exercer essa profissão difícil e mal remunerada, e vocês ainda querem checar se eu faço bem feito??!!!”
Há toda uma cultura que se deve pensar e mudar.
Adorei os comentários aqui relatado, sobre o Gustavo Ioschpe.Assisti uma roda de conversa na Globo News com esse economista sobre educação, fiquei indignada com os comentários. Esse riquinho não sabe o que é estar em sala de aula e receber um salário injusto,o que é administrar uma escola com todas as dificuldades e buscar resultados na aprendizagem de alunos totalmente desinteressados com pais despreocupados com a educação dos seus filhos, transferindo a responsabilidade toda para a escola.
Ele não sabe 1% da realidade das escolas, é muito fácil falar de educação na teoria.
A realidade é que…como diz Gustavo nao há um trabalho guiado por resultados…e principalmente nao há um desejo efetivo de mudar tal realidade, os órgaos de educacao estao muito mais preocupados com o acesso do que com a qualidade deste acesso e permanencia do aluno na escola…os orgaos responsaveis pelas estrategias educacionais estao preocupados em garantir que todos estejam na escola “a qualque custo”, Gustavo ta certissimo ao criticar o ingresso da gestao…precisamos democratizar o acesso e garantir a meritocracia.
Gustavo Ioschpe é filho de banqueiro, colunista de Veja. Como foi treinado nos EUA, carrega a tática de persuasão da direita americana. Entre outras, é a de transformar a vítima em culpado. De negar o óbivo de forma tão absurda até que se torne comum e aceitável. Agora a culpa é do professor, agora sindicato é corporação de ensino, agora a sociedade (ignorante e vítima do mau sistema de educação) é quem tem a responsabilidade de resolver a educação do futuro. Na verdade, o objetivo deles (mídia de direita) não é garantir a educação, é garantir o status quo do seu público, a classe média alta, bem nascida, privilegiada e bem educada.
Me desculpa Jairo, se você não teve competência para enriquecer, os que tiveram não têm culpa. Conheço histórias de muitos pobres que se tornaram ricos ou passaram para a classe média, sem ser necessariamente por herança, mas por meio de muito suor (estudo e trabalho) e um pouco de informação para gerir seus recursos fianceiros. Infelizmente, FHC estava certo: o povo brasileiro (em sua maioria) é vagabundo. Não gostam de estudar (nos EUA os alunos estudam em tempo integral), não gostam de trabalhar ( Nos EUA não tem a metade de feriados que o Brasil tem) e depois querem “mamar na teta do governo” e quem paga a alta conta, advinhe que é? R.: a classe média que você tanto critica. Quem defende o socialismo é um bando de gente ignorante, preguiçosa e invejosa que olha pro vizinho rico sem saber os sacrifícios que ele fez. Lembra do conto da cigarra e da formiga?
Mas quem aqui está defendendo o socialismo, Luciana?!
GENTE, RELENDO OS MEUS COMENTÁRIOS, ESTOU DEPARANDO COM ERROS HORRÍVEIS DE PORTUGUÊS! PEÇO DESCULPAS, DEVE TER SIDO A PRESSA! ACABEI DE LER UM “CONTEXTEI” COM “X” QUE ME DOEU NA ALMA! EM OUTRO COMENTÁRIO MEU, VI UM “A RAZÃO PORQUE”. ESSE “PORQUE” DEVERIA SER SEPARADO! AI, JESUS, ME DESCULPEM!
Como simpatizante do marxismo, fiquei surpreso com as críticas ao burguês Gustavo Ioschope. Concordo que ele anuncia opiniões polêmicas, algumas não tão verdadeiras. De qualquer modo, coloca-se à disposição para discutir a qualidade da educação no Brasil. Isso já é algo em si positivo. Assisti no Globo New Painel alguns comentários de Gustavo sobre a educação, a saber: “1) é preciso que a educação seja tomada como um problema pela sociedade; 2) é preciso pensar na qualidade do ensino; 3) somos um país de analfabetos funcionais;4) gestores da educação não podem ser resultado de indicação política; 5) gasta-se mal o recurso financeiro destinado à educação. Enfim, apenas reprová-lo por ser burguês e achar que bom salário do professor não resolveria o problema da educação parece mais um sentimento de ódio do que de avaliação crítica do pensamento desse jovem. O mais importante é o debate que se abre sobre a educação.Sempre haverá opiniões divergentes. O mais importante, para mim, é ver o sentido de politica que queremos para a educação no Brasil.
Caro “silva”, quando o sr. escreve em seu comentário, “(…) O mais importante é o debate que se abre sobre a educação.”, abre-se o que deveria ser realmente o foco das discussões deste artigo. Destilar ódio sobre a pessoa não irá modificar o destituí-lo de seus ideais. Talvez sirva só para fortalecê-los. Uma discussão sobre a nossa educação, ética e cidadania é extremamente válida, pois estamos vivemos o legado de nossos antepassados e devemos preparar o futuro de nossos filhos. Esta é a minha preocupação quando leio arigos como este. Parabéns pelos seus comentários e, faço votos por mudanças em nosso pensar em educação.
Sensato Silva! Boa!
Caros professores, assumam suas deficiências. Gustavo Ioschpe só quer ajudar para que a profissão de vocês seja cada vez mais valorizada. Vocês não podem ignorar que o Brasil em todos os testes de afericação da educação está muito aquém do mínimo desejado. Há algo errado, não? Ou a culpa é só dos alunos? O Gustavo Ioschope, um estudioso, está certo ao afirmar que tão somente aumentar salário não resolve. Se remuneração fosse suficiente para garantir qualidade nós teríamos os melhores, menos corruptos e mais eficientes políticos do mundo!
Com certeza tem algo errado, e não só com os alunos. Quando a educação fracassa, a culpa é dos alunos, dos professores, dos gestores de escolas, dos pais e de visões equivocadas da educação. Algumas escolas adotam sistemas completamente retrógrados, ao passo que outras, na ânsia de se modernizar, adotam sistemas “inovadores” completamente ineficientes.
A comparação com os políticos é boa. Realmente, aumentar a remuneração não basta. Mas é preciso. Senão, vejamos: digamos que uma professora de Redação do Ensino Médio tenha seis turmas de 40 alunos (é a média em escolas privadas, algumas têm 38, outras têm 45). Se ela pedir que eles escrevam uma redação a cada 15 dias – o ideal é que fosse uma por semana – ela terá 480 redações por mês para corrigir. DE GRAÇA. Professor só recebe pelas horas em que está dentro de sala de aula ou em reuniões. Não recebe para planejar aulas, elaborar provas e trabalhos, bem como para corrigi-los ou conversar com pais de alunos. Eu sei que há vários profissionais que levam trabalho para casa e atravessam madrugadas trabalhando sem ganhar por isso, como juízes, que têm pilhas de processos para ler, e médicos, que, imagino, diante de uma cirurgia mais complicada, têm de recorrer a livros e artigos na internet para se informar sobre o novo desafio. Mas o salário dos juízes e o valor que os médicos cobram por cirurgia são compensadores. O dos professores, não.
Repito: só aumento da remuneração não basta, e os professores atualmente em exercício têm sim muito o que melhorar, mas essas questões – como a de ter de corrigir trabalhos sem ganhar por isso – têm de ser revistas.
Fiquei com algumas coisas engasgadas… mas a principal delas é que alunos procuram em massa os cursos de pedagogia (na graduação ou na pós) porque é dos mais fáceis de passar – média 4,0 (quatro) no vestibular nas universidades públicas federais – isto diz algo?
Vivemos em um país que prioriza o número de pessoas com nível superior em detrimento da qualidade dos profissionais que forma.
Alguns estudos apontam que um quarto dos brasileiros não leem e não escrevem em Língua Portuguesa com proficiência. Vejo isto na universidade pública. Cerca de 90% dos meus alunos não compreendem os textos que leem.
Aliny Lamoglia
Essas discussões são ótimas, mas , muitas vezes, equivocada. Tem de haver calma nas palavras. Às vezes, tudo me parece muito ofensivo. Luciana, concordo plenamente com você. O aumento de salário não aumenta o compromisso nem a competência do professor. Mas valoriza a profissão, que passa a ser objetivo de pessoas mais instruídas, mais engajadas no movimento sério para o crescimento do país. Trabalho com ensino médio, rede pública. Garanto: sozinha, não resolvo nada! Posso ter muito interesse nas minhas aulas, mas o sistema me engole. Não há jeito!São muitos problemas, e o maior de todos está na gestão. Tem de querer fazer! Tem de arregaçar as mangas! Tem de pôr a cara para bater! Que político se submete a isso? Poucos, queridos! Precisamos de choque de gestão, assim como está acontecendo na segurança. E ele virá. Precisamos de gestores competentes.
Como podemos falar em educação mantendo uma criança quatro horas apenas na escola? A solução está em uma escola integral. Uma escola integral que funcione de verdade. Projeto sério e comprometido com as demandas da sociedade. Os políticos perdem muito tempo com coisas banais. As escolas são divididas para deputados.Eles mandam, desmandam. Indicam incompetentes. Um horror!
Dessa forma, queremos o quê?
Só defendo a escola integral dependendo da proposta. Apenas fazer com os alunos à tarde o que se faz pela manhã, não resolve. Sei disso porque trabalho em uma escola em que dois dias por semana a criançada tem turno duplo, e te garanto, rende muito pouco. Os alunos chegam ao quarto e quinto períodos da tarde exaustos, sem conseguir se concentrar em nada. Se for para os alunos terem aula de Educação Física, Teatro e Música, debatam um filme, um livro, ou até uma cena de novela ou desenvolver projetos em que, por exemplo, cuidem de cães abandonados, organizem feiras de adoção ou tenham oficinas sobre, sei lá, separação do lixo ou prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, vá lá. Mas aula normal, com professor, quadro, giz, exercícios no livro… é cansativo e improdutivo!
Santa ingenuidade!!! Escola integral em que os alunos cuidem de cães abandonados, quando eles próprios são os abandonados, de pai, mãe, padrasto, madrasta, avós, avôs, enfim responsáveis ( não tão responsáveis assim). Da realidade de que eu falo (e há muitas outras), na verdade, a escola é a única fonte de referência para eles. Nessa escola, os professores, tão depreciados por Ioschpe, que costuma colocar todos os profissionais da educação na mesma peneira, numa generalização também irresponsável, ainda são os únicos (em sua grande maioria) que ainda não abandonaram essas crianças e jovens, advindos das classes menos favorecidas, e exercem seu papel de “educadores” e, dentro de parcas condições de trabalho, tentam proporcionar-lhes os tais conhecimentos básicos e, através dos projetos de cidadania, que enfocam os temas transversais, dos Parâmetros curriculares Nacionais, tentam torná-los cidadãos conscientes do espaço que podem e devem ocupar no mundo. Ensinar valores éticos num mundo tão repleto de falta de ética, a começar pelas maiores autoridades do país? E depois somos nós que temos a fama de reclamões? Reclamão é o Sr. Gustavo. REclama, reclama e clama por um educação de qualidade, mas não vai cobrar de quem pode fazer isso? Prefessores sozinhos nãofazem verão!!! Ainda bem que ainda existem alguns professores e bons! A julgar pelas estatísticas, dentro de muito pouco tempo, não haverá mais esse raro espécime neste mundo. Aí quero ver quem vai ser responsável pela “condução de milhões de anônimos de nossas escolas, que são diariamente massacrados e intelectualmente amputados por um sitema que, sem estardalhaço, lhes suga a possibilidade de uma vida plena e digna” (O que o Brasil quer ser quando crescer? Ioschpe, Veja, 11/05/2011. págs. 118, 119)
Peraí… Dinheiro não é (E nem pode ser) fator determinante para qualificar ensino (Claro que é justo que se receba bem por um ofício praticado com empenho e responsabilidade… Até pra poder si dedicar melhor a esse ofício) . Mas, se fosse assim, minha vó não poderia ter alfabetizado algumas dezenas de crianças, sendo ela pobre e sem ter ganho nada por isso.
Se a educação fica atrelada ao ganho material, então o aprendizado já está comprometido de antemão. Essa equação economicista sobre a questão da “Qualidade na Educação” só tem chegado a resultados lamentáveis para aqueles que deveriam ser o centro das atenções no ensino: os alunos.
Fala-se que “EDUCAÇÃO É UM DIREITO DE TODOS”, deduzindo daí que então eu mereceria uma remuneração justa por ter esse “direito”; esquecem que Educação é um DEVER de todos (Que querem aprender) e um MÉRITO (Para poucos que se dedicaram na busca do conhecimento)
E, lamentando aos que simpatizam com a visão de mundo socialista, é justamente essa VISÃO RETRÓGRADA de mundo, que a revolução cultural gramsciana (MARXISTA) vem IMPONDO SUTIL E SISTEMATICAMENTE nas cabeças modernas (Desde antes a “redemocratização” do País) que é a responsável pela situação catastrófica do ensino no Brasil.
Quantos educadores nesse País podem si formar em pedagogia sem tocar nos livros do comunista Paulo Freire, por exemplo? Ou vislumbrar uma METODOLOGIA EDUCACIONAL fora dos parâmetros impostos pelo “DESCONSTRUCIONISMO CONSTRUTIVISTA” (Inventado pelos avatares comunistas da Escola de Frankfurt)? A tal da EDUCAÇÃO CLÁSSICA (Tradicional) é levada em consideração dentro dessa HEGEMONIA socialista em que todos nós estamos mergulhados? E a mentalidade ANTICAPITALISTA que já se impregnou nas almas mais empreendedoras?
E como podemos tb vislumbrar uma “melhoria” (Melhorar o que não funciona é um dos paradoxos de quem trabalha com educação no Brasil) no ensino nacional se tooooda a cultura e educação está amalgamada até a medula aos ditames estatais e às ideologias que às sustentam???
Grato pela participação
Jairo,
Isso: “[...]Como foi treinado nos EUA, carrega a tática de persuasão da direita americana. Entre outras, é a de transformar a vítima em culpado. De negar o óbivo de forma tão absurda até que se torne comum e aceitável[...]”
…Eu aprendi lendo Lênin, PolPot, Stálin, Fidel, Chê, Dirceu, Dilma, Lula…
A elite “direitista” do século 20. ; )
Ana Maria,
Quando a educação fracassa é melhor começarmos a investigar o que se passa nas cabeças de nossa classe intelectual e falante, e nas CRENÇAS IDEOLÓGICAS que alicerçam as ideias dentro dessas cabeças, não na privacidade dos lares ou nas intenções infantis de crianças que estão ávidas em aprender.
Todo crime tem um “agente” causador desse crime. E o que vemos acontecer com a educação brasileira já entra na esfera policial. Desmantelar cérebros indefesos com doutrinas baseadas em apenas um tipo específico de visão de mundo não é oferecer “cidadania” à ninguém, mas um passe- só de ida- pra escravização intelectual.
Como pensar em “educação para o futuro” se aqueles que deveriam orientar e capacitar as crianças e jovens para se encontrarem com esse “futuro”, estão mais preocupados em ‘transformar o mundo’ do que em entendê-lo primeiro?
Vejo uma luz no fim do túnel. Será que é realmente uma luz? Projeto de ensino integral para o ensino médio, melhoria salarial, auxílo-transporte ( Um absurdo! Salário ridículo, sem um benefício óbvio),fim das indicações políticas para diretores, boas gestões. Bem, eu não sou daquelas que torcem o nariz para tudo. Pelo contrário, torço muito. Sobre provas para medir conhecimentos dos professores, não acho nada de mais. Quem sabe, sabe. Se não sabe, deveria saber. O problema é como vão ser feitas essas avaliações.
Mas quero tocar em um assunto delicado que é a pós- graduação nessas universidades federais, uma vez que falamos sobre o conhecimento e a capacidade dos professores. É espantoso como é difícil fazer um mestrado em certos cursos. Há um funil e indicações também. Há uma discriminação muito grande. Enquanto em matemática, os professores quase imploram para os alunos fazerem o curso strito sensu, nos de literatura e língua, há a necessidade de se conhecer coordenador, fazer novamente latu sensu para ter a sorte de algum coordenador” ir com a sua cara”. Será que um dia isso vai acabar? Sei não… Falam tanto que o professor deve priorizar seus estudos, sua formação, mas o que fazem para ele chegar lá? Há algo errado aí.
Patricia, tocaste num assunto muito importante mesmo! Se és da área de Letras, somos colegas. Também vejo esse problema nas federais, e isso não diz respeito apenas ao ingresso em cursos de pós-graduação: em concursos públicos também. Com algumas exceções, eles selecionam quem eles querem. Nem vou tão longe a ponto de afirmar que eles selecionam apenas quem eles conhecem, mas certamente apenas quem pensa exatamente como eles. Tipo assim: “é competente quem concorda comigo”. Ou seja, são instituições hermeticamente fechadas em todos os sentidos. Não há espaço para a diversidade. Sabe o que eu penso a respeito disso? Não tenho nada contra o networking. Se eu quisesse arranjar marido rico, por exemplo, tentaria mesmo fazer amizade com pessoas que pudessem me apresentar um candidato abonado. Ou se quisesse me tornar uma cantora famosa, procuraria uma maneira de arranjar um convite para uma festa onde eu sei que o dono de uma gravadora estaria. Nesses casos, em que as coisas são mesmo assim, aceitaria fazer esse jogo. MAS FAZER MARKETING PESSOAL PARA INGRESSAR EMUMA INSTITUIÇÃO PÚBLICA REGIDA POR LEIS E QUE SUPOSTAMENTE SELECIONA SEUS CANDIDATOS VIA PROVAS DE CONHECIMENTO, EU ME RECUSO!!! Se é prova de conhecimentos, que julguem meu conhecimento. Se isso é só para fazer de conta que é uma instituição séria, não quero mesmo fazer parte disso. Não por acaso essas instituições estão doentes, as pessoas que estudam e trabalham nelas não se suportam. Já estudei e já trabalhei em federal, e posso afirmar isso com muita segurança.
Este problema educacional do Brasil é simples de resolver: Experimentem dar um salário de apenas R$5mil para os professores e veremos que as licenciaturas serão as carreiras mais disputadas nos vestibulares e consequentemente os candidatos de melhor nível deixarão a medicina, o direito e a engenharia para se enganjarem na educação. Hoje os professores que aceitam este salário miserável não possuem sequer a capacidade de se reciclarem , menos ainda para se especializarem. A educação é trabalho para profissionais especializados, experientes, capacitados e competentes.
Não estamos falando em remuneração de juiz, nem de deputados. Falamos de apenas R$ 5mil, quando o correto seria bem mais que issso.
Esse cara diz certas coisas sem base alguma.
Nesta última edição de VEJA, a 2200, ele volta a soltar as dele.
Disse que não é verdade que se diminuir o número de alunos por sala, melhora a aprendizagem.
Claro que melhora!
Um professor que tem de lecionar para 45 alunos, por certo usará de dinâmicas diferentes daquele que leciona para 100.
Vejam parte do texto do Ioschpe na Edição 2200 de VEJA:
“EM TERMOS DE administração financeira, compete ao administrador evitar os dois maiores desperdícios de recursos: diminuir o número de alunos em sala de aula e aumentar o salário de professores. Ambas as variáveis não promovem a aprendizagem.”
Gente, pelo amor de Deus que temos de ler tais bobagens.
Claro que se eu leciono para 100 alunos em sala, minha didática não será a mesma que se eu lecionar para 45.
Lecionando para 100 alunos, tenho de me restringir à uma aula meramente expositiva. E, se leciono para 45, posso diversificar mais minhas estratégias de ensino.
Outra coisa: ganhar mais ajuda sim na qualidade de ensino.
Neste momento eu preciso de um data-show. Se tivesse mais grana, já teria comprado. E o que eu faria com um data-show?
Melhoraria as minhas aulas.
Professora Ana sua comparação mostra a profissional que é. Comparar catar lixo com formação humana é no mínimo vergonhoso, para uma educadora. Ou você acha que ambos são feitos da mesma matéria.
Fiona, em nenhum momento eu comparei a atividade de catar lixo com a atividade de formar humanos, nem para dizer que são atividades diferentes, muito menos para dizer que são atividades semelhantes. Lancei mão do exemplo da nobre e imprescindível, porém exaustiva, perigosa e mal remunerada profissão de lixeiro apenas para ilustrar que o fato de uma profissão ter enorme procura não significa necessariamente que ela seja boa. Em alguns casos, ela tem enorme procura simplesmente porque aqueles que a procuram não tiveram outra alternativa na vida.
Vergonhoso é alguém que não sabe ler se dar ao direito de opinar. Você pelo menos poderia ter deixado um comentário: “Ana, estou enganada ou você comparou catar lixo com formação humana?”, ao invés de precipitada e arrogantemente me julgar como profissional! Continuaria tendo pena da sua deficiência de compreensão leitora para o recurso argumentativo tão simples a que recorri, mas certamente te admiraria pela humildade de tirar a dúvida antes de partir para o ataque.
Arrogante é achar que só você tem copreenção leitora, só porque discorda do Gustavo Ioschpe. Faça alguma coisa prática para mostrar que ele está errado, caso contrário, tudo não passará de falácias, assim como acusa o sr. Ioschpe. Pense bem, no discurso todo mundo pode ser bom, quero ver nas ações para mudar a realidade que se apresenta. E não se preocupe, concordo com Voltaire quando ele diz:
” A dúvida é desagradável, mas a certeza é ridícula.”
e ainda que:
” “Pode ser que não estejamos de acordo com as idéias dos outros, mas devemos estar dispostos a morrer para defender a liberdade de todas as idéias.”
Voltaire.
Fiona, em nenhum momento eu disse que SÓ eu tenho compreensão leitora, muito menos que só eu tenho compreensão leitora porque eu discordo do Ioschpe. O que eu disse foi que você tem deficiências de compreensão leitora, e esse seu comentário só comprova a minha opinião. Minha intenção com esse blog jamais foi criar polêmica, tanto que escrevo sobre diversos assuntos e todos os meus outros posts têm pouco ou quase nenhum comentário. Casualmente, como professora que sou, indignei-me com algumas ideias de Ioschpe e escrevi sobre o assunto em meu blog. Para minha surpresa, o post teve muitas leituras e muitos comentários, E EU PUBLIQUEI TODOS, MESMO OS QUE DISCORDAM DE MIM E CONCORDAM COM IOSCHPE, porque concordo plenamente com a citação de Voltaire e respeito sim a liberdade de todas as ideias. O que não respeito são julgamentos precipitados. Você me sugeriu que eu fizesse algo prático para mostrar que ele está errado. Eu faço: dou aula em uma escola em que os alunos têm aula de língua estrangeira em grupos reduzidos e em que os professores são remunerados para preparar aula, ao invés de ter que ficar de galho em galho para conseguir alguns trocados. Resultado: meus 13 alunos da sétima série conseguiram chegar ao final do ano conseguindo manter diálogos curtos em língua inglesa, por exemplo, conversando sobre suas casas, famílias e gostos particulares, entre outros, e com pronúncia maravilhosa. É a prova de que número reduzido de alunos em sala de aula e professores bem remunerados contribui parcialmente para bons resultados em educação, e eu digo parcialmente porque mesmo com essas condições, há professores que não exercem suas funções com competência, o que que me dá respaldo para afirmar que as já mencionadas condições resolvem, mas não resolvem tudo, como já afirmei no texto deste post e em outros comentários deste post.
Um pensador anarquista, se não me engano Mikhail Bakunin, disse sobre o lixeiro que ele é tão importante quanto o médico.
Fiona, você disse que é pedagoga, com belas notas na pós-graduação, ao mesmo tempo em que tenta desqualificar a autora do texto. Você é uma idiota! Você também fez pedagogia para arrumar marido?
Corrigindo: Compreensão.
Cara srª. Montardo, você afirmar que tenho “deficiências de compreensão leitora” é um ato de arrogância sim, pois parece que não tem diplomação para fazer tal diagnóstico, a nota da minha Monografia ( souPedagoga), que foi sobre Leitura, me diz muito mais da minha compreensão leitora do que seu diagnóstico, ou caso contrário todos os Especialistas e Doutores que compuseram a minha banca também teriam deficiência de compreensão, já que me deram uma nota excelente.
Não estou aqui para criar nenhuma polêmica, só acho que a forma como defendemos nossos pontos de vistas diz muito de nós mesmos, e que o respeito as diferenças (incluse de ideias) é de fundamental importância nesse mundo tão atribulado por intolerâncias, julgar o Sr. Ioschpe só porque expressa suas idéias é de certa forma intolerância, ser obrigado a aceitar as idéias deles, sim, seria ignorância ou submissão. É sempre bom a pessoa ler as coisas num todo e não só nas partes, porque em todo trabalho de pesquisa sempre haverá partes dispensáveis e parte que devemos agregar a nossa vivência.
Boa sorte professora.
Fiona
Vá atrás do Sherek e nos deixe em paz
Maravilhoso o que você nos proporcionou, Ana Maria. Sempre tive muita vontade de malhar essa belezinha-de-mocinho-economista, metido a consultor de educação. Já são 23h39 minutos. Amanhã tenho um turno de trabalho que se inicia às 7h00 da manhã e termina às 22h50, com mísera meia hora de almoço, e hora e meia de jantar, pois acumulo dois cargos (professora das redes estadual e municipal), mas não consigo parar de ler esses comentários, que me lavaram a alma. Se você aceitar minhas respostas, ou mesmo se não, serei assídua leitora deste e, provavelmente, tecerei meus comentários, às vezes muito idealistas, pois acredito na educação e ainda a vejo como a única maneira de galgar degraus nessa sociedade, pelo próprio esforço e de uma maneira legal, embora muito de meus alunos prefiram o tráfico de drogas, etc… etc… etc…
Uahahahaha! Boa, Carlos!
Bom seria que pudéssemos ver sua monografia para fazermos uma avaliação mais criteriosa (não desmerecendo os doutores de sua banca, claro! Agora com o apelido de fiona, a senhora não quer que saibamos realmente quem é, portanto, acho muito estranho sua defesa tão apaixonada de uma economista critica educadores com um discurso falacioso.
Olha, Alfia, não quis levar a conversa com a Fiona adiante porque chega uma hora em que simplesmente enche o saco. Mas fiquei pasma ao saber que sua monografia foi sobre Leitura. Você viu o modo como ela interpretou meu texto? Ela pensou que eu tivesse equiparado a tarefa de educar à tarefa de catar lixo! Como alguém que lê tão mal estudou sobre leitura?! Nessas horas confirmamos o quão mal anda a educação. Graduação, mestrado, doutorado? Humpf! Escreve-se qualquer coisa, compila-se as opiniões dos “papas” de determinado assunto – se for com as próprias palavras, menos mal, o pior é que muitos copiam e colam – e apresenta-se o resultado medíocre a uma banca igualmente medíocre – não é o orientador do trabalho que escolhe a banca? – e pronto, o mercado tem mais um profissional com título e sem formação de fato.
Eu penso que a Ana está correta nas suas afirmações. Eu li e reli e não encontrei nenhum julgamento feito pela autora do blog ao Sr. iosp… ou será cospe,ou então golpe ! Fomos nós, que cansados da baboseira estamos aplaudindo de pé numa ovação de minutos. Com muita propriedade e informação, a professora Ana desmistificou o então especialista em educação. Eu estava engasgada com esses 2 “especialistas’ há anos… até parei de comprar a revista. Meu escasso dinheirinho deve ser melhor aplicado. E por diversas vezes tentei escrever algo para argumentar, mas não tenho sua verve. A vontade era falar igual aos meus alunos, de cinco palavras, três são impronunciáveis para uma pessoa que quer respeito ou muito menos escreve-las para sempre no mundo virtual. Quero acreditar que faço parte das excessões!!
1 – Há provas de que aumentar salário não motiva, nem professor, nem em qualquer outra área, exceto por uns poucos meses. Depois o salário é “incorporado” e quem o recebeu não se esforça mais por isso.
2 – Há é claro provas de que carreiras que pagam melhor atraem talentos melhores.. mas a questão é que as pessoas ignoram o que seja um bom salário no Brasil… Se numa família marido e mulher são professores e recebem 1500,00 cada, eles recebem juntos 3000 reais, o que os coloca nos 30% mais bem pagos da população brasileira. Se cada um recebe 4000,00 eles estão no estrato AAA da população, composto por apenas 2% que recebem mais de 6000,00 por mês.
Concordo, Carlos, com o exposto no item 1. Mesmo sem jamais ter visto provas disso, penso que com o passar do tempo, de fato, as pessoas se acostumam seja com o salário maior, seja com um prêmio da Mega Sena, e não valoriza mais tanto o quesito “finanças”.
O ponto é justamente o que colocas no segudo item: salários melhores atraem talentos melhores. Eu já tive alunos brilhantes no Ensino Médio que diziam ter vontade de fazer História ou Física, mas escolheram seguir outras faculdades por não desejarem ser professores. A propósito, o tema de redação do vestibular da UFRGS de 2011 foi justamente a desvalorização da carreira docente, tema este escolhido porque a UFRGS percebeu a queda vertiginosa da procura de vestibulandos pelas licenciaturas.
Gostaria de ressaltar ainda o que escreves sobre “uma família em que marido e mulher são professores…” Desculpe, mas acho seu raciocínio até engraçado. Uma profissão digna merece salário digno em sua totalidade, e não somado ao salário de mais alguém. Um profissional da importância de um professor deve ter um salário que lhe permita ter uma vida confortável independentemente de seu estado civil. E, fala sério, se nessa família que o senhor falou houver 2 filhos, como é que se vai sustentar de maneira decente 4 pessoas no Brasil com R$ 3 mil reais mensais? Em Porto Alegre, para deixar uma única criança em uma escolinha média em turno integral gasta-se não menos do que R$ 800,00 mensais. Para deixar duas crianças, gastaria-se o salário inteiro de um dos cônjuges, o que faz com que valha mais a pena parar de trabalhar para ficar com as crianças em casa. Sei não, mas acho que quando deixar de trabalhar é mais vantajoso do que trabalhar, é porque tem alguma coisa errada nessa profissão…
Obrigada pelas opiniões, de todo modo.
Hoje, 10 de abril de 2011, fomos novamente brindados com a ridícula coluna de Gustavo Ioschpe na Veja. Digo “ridícula” não porque discordo de suas idéias mas sim porque suas colocações parecem sair da mente de alguém que após ter concluído pós-graduação, emite opiniões sobre a escola pública do nível fundamental e médio do Estado sem nunca mais ter pisado em uma delas desde que a frequentou. Demonstra ele total desconhecimento do que se passa numa escola pública ! Como pode alguém que, segundo a Veja, é “especialista em educação” emitir opiniões tão desprovidas de embasamento ? Desconfio de sua capacidade assim como começo a desconfiar da “qualidade” dos artigos e reportagens da Veja – que dá abrigo a colunistas de tão pobre argumentação.
Aliás, para ser considerado especialista em qualquer coisa, no mínimo deve ter atuado nesta área por um considerável período de tempo… será que este senhor já foi educador (e sobreviveu com tal atividade) durante alguns anos ? Será que tem um bom currículo nesta atividade ? Ou será que é apenas mais um papagaio a repetir aquilo que convém a quem o abriga ?
Sérgio
O tema central do artigo de Ioschpe não é nada falacioso. É muito lógico inclusive: sindicato dos professores é feito pra defender a categoria “professores” e não a categoria “alunos”. Onde está a falha desse argumento?
O próprio conceito de sindicato implica em tomar partido. É óbvio que não existe isenção. E não precisa necessariamente ter. Não são juízes de direito. E não há mal nenhum nisso, o que foi frizado pelo autor.
Talvez a primeira falácia que citou fosse verdadeira caso ele não tivesse citado estudos que corroboram sua tese. Um deles avaliou 260 000 alunos em trinta e nove países. Isso não é pouca coisa.
É assim que a ciência trabalha: tem-se uma intuição, formula-se uma hipótese e colhem-se dados pra estruturar uma teoria.
Você pode discordar dos estudos, mas não afirmar que o argumento é falacioso.
Suas idéias sobre salários de professores, vagas em universidade, cremes e aulas de inglês, não derrubam os argumentos do artigo citado. São hipóteses boas, mas que precisam de melhores evidencia além do seu senso de lógica.
Se fossemos confiar apenas no nosso bom senso, não faríamos uso de boa parte da ciência moderna. Ela desafia a lógica, mas é confirmada pelas evidências.
“Sindicato”? De que artigo de Ioschpe tu falas, Ale? Os que eu acuso de falaciosos são os que comento (inclusive com transcrição de trechos) no meu post. Em nenhum dos trechos transcritos por mim há menção a sindicatos.
Eu posso, sim, afirmar que seus argumentos são falaciosos. Veja bem, Ale, minhas críticas não são aos estudos que Ioschpe menciona em seus artigos, mas sim ao modo como ele constroi sua argumentação. Minha crítica é ao seu texto. Um advogado pode defender um inocente com discurso falacioso, entende? Acho que bom que defenda o inocente, mas acho ruim que para defender o inocente, ele lance mão de uma argumentação manipuladora. Não sei quem fez nem quem financiou as pesquisas que Ioschpe cita, muito menos os métodos utilizados nelas. Por isso, por desconhecer esses dados, não acredito nem duvido delas. Mas dizer que se o magistério fosse tão ruim como os professores dizem, essa profissão não seria tão procurada é uma falácia sim, e das mais absurdas! É como eu disse no meu texto: então, já que há filas enormes para a vaga de lixeiro, isso significa que ser lixeiro não é tão ruim? Não há outras variáveis (necessidade, falta de oportunidade) para que a procura a essas profissões seja tão tão grande? Convenhamos, para dizer uma asneira dessas ou o Ioschpe é muito burro ou – mais provável – pensa que os leitores são.
Francamente… Esse último texto do Gustavo Ioshpe é uma ofensa só. Que comparações são essas? Eu, professora, e , muito menos, os sindicatos não estamos do lado oposto dos alunos. Repudio totalmente suas palavras. Sinceramente, é tudo uma grande asneira. Pior é que ele escreve e fica por isso mesmo???!!!
Na verdade, penso que o Ioschpe pensa de modo muito coerente. Organiza sua idéia em relação a uma matriz de pensamento. Ele é um economista querendo falar de educação. É um burguês alienado acusando nossa classe de ser preguiçosa, indolente… Outro ponto discordo do pensamento colocado por um colega acima: “educação é resultado”, como assim??? Quer dizer que nossas crianças são cifras agora? precisam render algo no fim do processo educacional? Talvez vc estivesse se referindo que no processo ensino-aprendizagem alguns objetivos devem ser alcançados, nisso concordo (se essa for a questão, obviamente), mas não podemos pensar na educação como enquadramento, formatação de nossos alunos…
Ainda em relação a Gustavo Ioschpe em seu ultimo artigo na neo-nazista VEJA (todos tem direito ser o que quiser inclusive neo-nazista), fica claro qual a intenção da militância demo-tucana (e de certo modo petista também…): transformar a educação, um direito social em privilégio de poucos…
Socorro! Como dar uma aula maravilhosa com salas de aula com45 a 50 alunos? Como dar aulas maravilhosas com alunos interessados em ter notas e passar sem querer aprender? Como dar aulas maravilhosas com governos mandando aprovar alunos em progressões? Progressões que os alunos e suas famílias não dão o menor valor. Como dar aulas criativas onde alunos dizem estudar para quê? É maravilhoso falar. Mas cianças com fome, com famílias desestruturadas, pais ausentes, assédio de traficantes, dinheiro fácil pelas drogas, pais interessados só pelo bolsa família, que mandam a escola resolver o problema de comportamento do próprio filho, dizendo que eles não podem mais com elas (crianças com 9 anos), não tem nada de maravilhoso. Os professores em sua grande maioria, estão sem poder claro e essa não é sua função, assumindo o cargo de pais, psicólogos, assistentes sociais, educadores e todo tipo de problema que surgir. A escola ás vezes passa todo o ano sem saber quem é a família de determinado aluno, pois não aparecem. As crianças estão sozinhas no mundo. Pais que saem de casa para trabalhar 5 horas e só chegam 8 horas em casa e não sabem como os filhos passaram o dia sozinhos. Toda esta realidade vai para dentro da escola, dentro da sala de aula. Fora as péssimas condições, calor, poeira, etc. E os professores não merecem melhores salários? Socorro! Não sei mais o que dizer.
Por acaso alguns de vocês já escreveram para a Revista Veja, comentando os artigos de Gustavo Ioschpe? Eu já. Várias cartas do leitor, muitas vezes. Nem preciso dizer que nunca publicaram nenhuma. Acabei de escrever uma neste momento, que já sei que não será publicada, a qual transcrevo aqui, aproveitando-me deste riquíssimo espaço: “Estou entre os 9% de prefessores que consideram ser prioritário proporcionar conhecimentos básicos aos meus alunos, mas também considero importante formá-los como cidadãos coscientes do espaço que podem e devem ocupar no mundo. Iguais a mim existem um número enorme de educadores, dos quais o Sr. Ioschpe faz sempre muit questão de massacrar em seus artigos sobre essa categoria. Por acaso o senhor sabe que em uma escola de ensino fundamental e médio, de rede pública, com cerca de 48 professores, 2 coordenadores pedagógicos, vice diretor e diretor e mais cerca de 16 funcionários, entre escriturários e serventes, atualmente chamados de agentes de serviços gerais, apenas 4 professores podem ser assinantes dessa revista tão conceituada que paga por seus artigos? Não lhe parece que a nossa educação já atende a alguns interesses, quando impede que se crie uma geração de pensadores e colabora para que continuemos os colonizados incapazes de pensar sozinhos? Tudo tem um preço, senhor, e os professores não estão podendo pagar por ele com o excelente salário acima da média dos salários deste país, como o senhor adora alardear, fazendo uso das palavras escritas e orais, por onde anda a discutir a educação por aí!
Gostei bastante do post, é difícil encontrar alguém com opinião como está, que consiga enxergar algo além das letras.
Como economista, eu me pergunto uma coisa. A carreira de professor é desprezada a anos, todos sabem que as condições são ruins e o salário idem. Pela lógica economica, as pessoas que continuam entrando nessa profissão, sabendo dessas condições, não deveria ter algo a menos do que aquelas que buscaram outras alternativas mais rentáveis e com melhores condições de trabalho?
Aumentar o salário certamente atrairia pessoas mais habilidosas para tornarem-se professores, bem como possibilitaria a preparação dos professores. No entanto, é preciso aumentar a remuneração por meritocracia, porque o professor que ganha uma renda certa não possui incentivos a melhorar sua aula.
Os incentivos ao comprometimento com o ensino dos alunos deve ser resposanbilidade do professor também, eles não podem só ficar demandando melhores salários, devemos cobrar metas junto com a remuneração, pois o professor tem um papel fundamental na formação do aluno.
Analisando o censo escolar, percebo que muitas escolas possuem 100% dos professores com especialização, mas será que isso é de alguma forma aproveitado pelo aluno? Certamente os docentes estão recebendo uma gratificação pelo título.
Pq será que o Gustavo é odiado pelos sindicatos de professores? Tem até análises dizendo que tudo que ele fala é falácia, mas será que as falácias não estão na avaliação corrente, que está enraizada no meio acadêmico e na sociedade de que a solução do ensino passa por um grande aumento das verbas para a educação? Aí quando o Gustavo mostra que no Brasil se gasta em educação, per capita e em relação ao PIB, valores próximos a países que estão no topo das avaliações internacionais, como o Pisa, fica claro que o problema é de gestão e não de recursos, mas será que essa conclusão é favorável aos sindicatos? Claro que não, eles querem mais recursos, sei que o salário e plano de carreira dos professores é deprimente e isso tem que mudar. Mas o problema vai além disso, o diretor da escola tem que ser um bom gestor, ser um bom professor não significa ser um bom diretor, e a grande maioria dos diretores de escolas são nomeaçoes politicas muitas vezes gente que não sabe nada de gestão nem de educação. E pra quem acha que um não-professor não tem qualificação para avaliar e dá soluções para a educação confunde gestão com metodologia/pegagogia. O economista, administrador – gestor público tem muita a contribuir ao debate. Os sindicatos estão todos contaminados ideologico-politicamente, e muitas vezes vão contra boas medidas para a melhoria da educação, menos politica e mais trabalho, o Brasil agradece.
As falácias que eu analisei não tratam de sindicatos!
Os comentários de Gustavo Ioschpe não se restringem à gestão. No JN no Ar ele foi apresentado como especialista em educação, falando inclusive sobre o trabalho de sala de aula.
Bom, Ioschpe é fraquinho mesmo e nisto é absolutamente coerente com aquela revistinha. Isto ultrapassado, nem entrarei no debate com os nobres argumentos dos internautas acima, apenas digo: Dinheiro é não é tudo, mas é bom, muito bom. Bom mesmo!
O Gustavo Ioschpe faz direitinho, não tem experiência em sala de aula no ensino fundamental e fala de um ideal de educação na teória e no papel que aceita o que escreve. O meu marido falou quem pega na enxada ganha mal e mais que faz, ainda faz pouco “professor de sala de aula” não tem valor, o meu marido fez duas facudades e especilização em educação, Hoje vive de teória da educação, fazendo palestra pelo brasil e passeando e não podendo falar verdade num país de faz de conta.
Bom, depois de muito esforço para tentar entender o que escreveste, ainda me resta uma dúvida: a senhora quis dizer que o seu marido, a exemplo de Ioschpe, ganha bem fazendo palestras sobre educação ciente de que seu discurso não corresponde e não pode corresponder à prática, e a senhora acha que ele está certo em fazer isso? Eu entendi direito?!
Bom, depois de muito esforço para tentar entender o que escreveste, ainda me resta uma dúvida: a senhora quis dizer que o seu marido, a exemplo de Ioschpe, ganha bem fazendo palestras sobre educação ciente de que seu discurso não corresponde e não pode corresponder à prática, e a senhora acha que ele está certo em fazer isso? Eu entendi direito?!
Na Rede Globo está passando uma série de reportagens sobre a Educação brasileira, com a consultoria de Gustavo Ioschpe e o que me chamou atenção foi sua formação, o que entende um economista de educação,fica claro a visível fragilidade de seus argumentos; por sua visão deturpada da realidade . Gostei de encontrar esse texto. Senti uma irresistível vontade de desmontar os argumentos desse Ioschpe. É interessante comparar as reportagens atuais com as falácias de Gustavo antigas. Hoje fiz a seguinte pergunta para minha turma da 6° série,o que é um especialista em educação ? R-o professor,um educador.Acho que não preciso falar nada.Fiquei feliz com o resposta.
Ótimo texto.
Ofereço um link que complementa a discussão:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=494FDS001
Ioschpe e seus sofismos, pra atender seu mundo umbigo! Vai pra sala de aula, meu filho!
Sou professora do 1º segmento do fundamental e tenho investido 40% do que ganho em minha carreira. Tive que esperar 9 anos para isso, pois minhas responsabilidades com a família não me permitiam esse “LUXO”.
Essa semana fiquei curiosa em saber um pouco mais sobre esse tal especialista em educação_ do qual nunca antes havia ouvido falar, que visita uma escola de periferia, onde as crianças teem que trabalhar para ajudar no sustento de suas famílias, vivem em comunidades carentes submetidas a todos os tipos de mazelas e provavelmente por isso apresentam um baixo rendimento escolar, e tem a irresponsabilidade de dizer em rede nacional que se o IDEB dessa escola é baixo, a culpa é dos professores e da gestão desta unidade escolar.
Não fiquei surpresa ao constatar que não se trata de um educador e sim de um economista. Um educador, que conhece a realidade de nossas escolas públicas, jamais falaria tamanha asneira.
Comunico que publico todos os comentários feitos aqui no meu blog – os que concordam e os que discordam de mim -, mas não aprovo comentários que não se atenham ao tema de nosso debate, como por exemplo, aqueles que apontam os atributos físicos de Ioschpe. Se “ele é uma delícia de homem”, bem, isso não afeta ou deixa de afetar os problemas que aqui estamos discutindo.
Ana Maria,
Quero parabenizar a sua iniciativa, ao comentar alguns dos textos do sr. Gustavo Ioschpe. Como educadora, muitas vezes fico indignada com as palavras de quem não está na sala de aula, de quem não fez um curso de pedagogia ou sequer fez uma licenciatura na vida. Para que se faça uma análise séria sobre os procedimentos cirúrgicos de um médico, seguramente será convidado a dar o seu parecer um especialista da área médica. Se o assunto são os processos construtivos empregados por em engenheiro, penso que ocorrerá o mesmo. Entretanto, para se observar criticamente a situação da educação brasileira, jornalistas, economistas e até médicos são considerados pela mídia e pelo poder público como especialistas no assunto. Com que experiência? Ah, sim… há muitos anos atrás estiveram em uma sala de aula, atrás das carteiras, como alunos. Isso é mesmo que imaginar que um paciente tenha condições de ministrar palestras sobre qualquer tratamento, a partir da sua experiência vivida num consultório médico.
Fiquei decepcionada com a participação do Sr. Gustavo Ioschpe no programa “Blitz da educação”. No início, achei que a ideia de levar um especialista em educação seria enriquecedora e ultrapassaria o propósito de uma simples reportagem. Porém foi mostrado, de forma muitíssimo superficial, o que todos já sabiam. Surpreendi-me também com o fato de o Sr. Ioschpe simplesmente ignorar a figura de um dos protagonistas do processo de educação: o professor. Ele sequer mencionou as precárias condições de trabalho que a maioria dos educadores enfrenta, a necessidade de constante formação e os baixos salários. O professor com pós-graduação, segundo a reportagem, recebe em torno de R$1.200,00. São praticamente dois salários mínimos. A título de comparação, a minha faxineira, semianalfabeta, ganha isso. Sr. Ioschpe, na condição de especialista em educação, é imperdoável a sua omissão diante de aspecto tão relevante e tão determinante para a sonhada melhoria do ensino em nosso país. Não imaginava que um profissional do seu calibre fosse capaz de criar o neologismo “grevar”, com o intuito de debochar de trabalhadores que lutam para ter seus direitos respeitados. Provavelmente o senhor não sofre desse tipo de problema em sua profissão.
Espero que a sua participação na “Blitz da educação” não tenha se resumido a um simples passeio de jatinho por cinco cidades brasileiras.
Prezados leitores, acredito que seria bem mais saudável para todos em ouvir as críticas de um especialista e procurar entender os seus comentários. Tirem este ranço esquerdopatas de suas cabeças falando que ele esta a serviço da direita e das elites e estas bobagens. Os artigos dele sáo excelentes e muito importantes para que procuremos melhorar a educaçao neste país que é uma vergonha e que os professores e seus sindicatos também tem sim parcela de culpa.
Gustavo Ioschpe é uma piada ( Desculpa mas não tem outro termo pra ele…) Ele soltou uma pérola no Jornal Nacional….
Gustavo Ioschpe é uma piada ( Desculpa-me mas não tem outro termo pra ele…) Ele soltou uma pérola no JN: “Então se a média da escola é baixa, a culpa não é do filho, significa que é um problema da escola.”A culpa é da escola se o aluno não estuda, se vai pra escola simplesmente para comer a merenda, se o professor não tem giz, cartilhas, material didático, não tem luz, nem água, se tem aluno analfabeto na 5 série, etc. A culpa é da escola Sr. Ioschpe?! HA HA HA HA
SIMPLESMENTE GENIAL. PARABENS. TO DIVULGANDO!!
Esse senhor chamado Gustavo Ioschpe não sabe nada sobre educação. Primeira sua formação não o qualifica como profissional de educação, sua formação é no âmbito da economia e política. Para mim especialista em educação é profissional com especialização, mestrado ou doutorado em educação. Não possui Lattes na base de dados do Cnpq. Quem é este cidadão que se diz apto a analisar a educação em nosso país? Ele mesmo realizou seus estudos fora do país. Durante a série de reportagens do JN no ar educação sua postura é de uma formiga fora de seu formigueiro. Criticar os professores e suas instituições sem saber das reais dificuldades. Um especialista que se preze não iria jamais ficar em uma sala de aula fazendo anotações em um caderninho para criticar as posturas dos profissionais… Lamento a escolja que a Rede Globo fez em colocar a frente uma pessoa que não tem o preparo para falar de educação.
ZH, domingo, 22/05/2011. Entrevista com o especialista de Educação Gustavo Ioschpe. ” Quem sofre quando a escola está mal? o prefeito perde voto? Não. O professor é PUNIDO, REPREENDIDO? Nâo”
Tem mais, “Se a educação for deixada unicamente para os educadores, eles criaram tal carapaça, tal mecanismo de defesa, as coisas não vão mudar”.
A pérola: A indisciplina vem depois de a escola jogar a toalha. É uma consequência e não a causa.”
Gente que é esse cara? Filinho ou apadrinhado de quem? Para aparecer na Globo e falar que nós educadores devemos ser punidos, que vestimos carapaças, que jogamos a toalha, mas o que é isso, que falta de respito é esse?
E ai vamos continuar parados enquanto jogam toda a culpa em nós educadores, para escutarmos isso desses guris que nem sequer devem ter trabalhado em escola pública, que nas próximas eleições vão pleitar voto, entrar na política e seguir no poder mantido por pessoas ignorantes, que eles precisam para manter o sistema.
Violência, indisciplina? Quantas crianças a mais vão ter que morrer, serem violentadas, para que se faça alguma coisa. Quantas professoras Amandas tem que ir por YouTube para que as população sinta o que se passa em uma sala de aula.
AH! Por favor, que sumam, desapareçam criaturas que tem esse discurso rridiculo, sem fundamento, sem coerência.
O sr Gustavo Ioschpe, além de repetir todas as maravilhas que sempre saem da sua boca, para comentar a greve dos municipários de Porto Alegre, ontem (23/05/2011) num programa da rádio Gaúcha (RBS), disse que estaria disposto a conversar com o sindicato dos professores (apesar da greve ser de todos os municipários, os comentários foram sobre os professores, porque, afinal, ele é “especialista em educação”), mas SE LHE FOSSE PROVIDENCIADA SEGURANÇA!!!!! Portanto, os professores, além de reclamarem indevidamente de seus salários, além de não terem preparo, além de não se preocuparem com seus alunos e de serem os principais responsáveis pela crise da educação no país (junto com as famílias, é bom que se diga, tantos pais e mães relapsos por aí!!!), ainda devem ser representados em seus sindicatos por gente perigosa, com quem um “especialista em educação” não pode se reunir sozinho!!!
(Talvez eu tenha usado de falácias para expor o que penso, mas porque só o sr. Gustavo Ioschpe pode???)
PS: Da Wikipedia, formação de Gustavo Ioschpe: Gustavo Ioschpe (Porto Alegre, 1977) é um economista com duas graduações (em Ciência política e Administração estratégica) pela Wharton School, na Universidade da Pensilvânia, e mestrado em Economia internacional e Desenvolvimento econômico, pela Universidade Yale, nos Estados Unidos da América.
Cadê mesmo a educação? Ah, ele é especialista em economia da educação (Education Economics), área da economia pouco conhecida no Brasil. (WIkipedia, de novo)
A área em que ele é especialista é tão nova e tão pouco conhecida que nem ele sabe o que está falando!Além disso ; caráter, ética e moral não precisam ser ensinadas em universidades de renome internacional pois afirmar indiscriminadamente com todas as letras que falta aos professores em geral comprometimento e interesse é algo que me irritaria mesmo que eu estivesse em profundo estado de estupor!Aprecio muito a possibilidade de poder fazer mestrado e doutorado em ciências do movimento humano com enfoque em inclusão/reabilitação/saúde coletiva,mas até o momento consegui fazer apenas uma especialização em educação psicomotora no biênio 2005/2006.Será que o nosso “especialista em educação” entenderia e saberia aplicar os conteúdos acima citados?No dia que vi a matéria na TV coincidentemente estava sendo convocado a vaga conquistada na rede escolar de Porto Alegre(atuo no município de Guaíba e Novo Hamburgo, pasmem pela coincidência)e realmente fiquei atento a notícia.E não é que o nosso paladino da justiça social em conjunto com a Globo anunciou enfaticamente o salário “histriônico”de R$3.000,00(após aprox. 24 anos de exercício)!?!?OBS:novos concursados não tem plano de carreira!!!!!!!!
Será que Sr.Ioschpe trabalharia pegando 6 ônibus /dia?Ou embaixo da intempérie de quadras ou pátios para ministrar uma aula de Educação Física;faça garoa,poluição,vento,sol escaldante…ou deverá o nosso “ministro da educação”implantar campos de pólo e golfe,quadras de tênis e squash,piscinas p/ a prática de saltos ornamentais e nado sincronizado além de espaços para regatas de iatismo e remo dentro dos nossos estabelecimentos educacionais(ensino infantil,fundamental,médio,superior e técnico) tal e qual… Yale ou Pensilvânia?!
A discussão é realmente válida porém sejamos francos…é muita teoria e cara de pau para querer julgar e criticar a escola e os professores!”Pede prá saí zero dois”
Olá, pessoal!!!!
Compartilho com vocês a idéia de que o Gustavo Ioschpe não sabe nadasobre Educação. Ele falou cada barbaridade durante as matérias realizadas pela rede Globo. Anotei algumas…
Também corri para a internet e procurei o lattes dele… queria saber sua formação… E o que encontro??? Nada, nada, nada de educação…
Ele falou muito a respeito de diretores e professores transformadores. Gostaria muito de saber quantas escolas ele transformou??? Como um excelente professor, quantas vidas de alunos que ele conseguiu transformar???
As pérolas dele na televisão:
“O que a gente realmente vê e que eu acho que faz uma diferença significativa para o aprendizado é para o desempenho dessa escola é a pressão e a expectativa dos pais e da comunidade. Uma das pedagogas nos disse: ‘os pais aqui querem que o filho aprenda como se estivesse em uma escola particular’. Isso é fantástico!”, destacou Ioschpe.
Fantástico!!! Quem disse que a escola particular é melhor que a pública. Isso pode acontecer, mas nem sempre…
“Essa é uma professora que faz tudo certo. Ela ensina com material didático, ela é formada na área que ela ensina, ela é formada em alfabetização, ela dá atenção especial para cada aluno. E, muito importante, ela tem a expectativa de que todo aluno esteja alfabetizado já no fim do ano. Agora nós estamos vendo, já é o terceiro mês de aula e os alunos já estão lendo e escrevendo bastante bem para esse período. Vejo que mesmo em uma escola ruim, tenho certeza de que os alunos da professora Alexandra, no futuro, vão ter um desempenho escolar bem melhor do que seus colegas mais velhos”, analisou o especialista.
Escola ruim!?!? Como um especialista em Educação pronuncia tal asneira???
Simplesmente inacreditável….
olá,
sou diretora há 9 anos e, lamento o que ocorre com a educação neste país. Falta recursos humanos, pedagógicos, físicos, sobra serviço. Pra vc ter noção da minha realidade, não tenho secretária(o) de escola, estagiários, sala de recursos, espaço adequado para atividades culturais.Há um banheiro com um vaso sanitário para 36 professores, e 10 funcionários,, tenho 778 alunos distribuídos em 34 salas. Recebo em média 15% destes alunos na safra, advindos da bahia, pernambuco, minas e outros estados. Há 10% dos alunos com graves problemas de aprendizagem, pois são filhos de pais drogados, alcoolizados, e, tb com problemas intelectuais. Nossos alunos são de classe baixa, vivem em terrenos onde são construídos várias “casas” , de eternit, sem reboco e sem piso. Cultura no bairro nem pensar!!!! Há mtossss bares e casas de prostituição.. pois recebemos peões para a safra,, é assim que eles vivem…
Me polpe, eu ainda tenho que acreditar que os governantes estão preocupados com a educação neste País!!!!! aahhh e, assinar embaixo que nós educadores somos os culpados!!!! Meu Deus!!! me ajude… fica o desabafo… e por falar em filosofia eu amo…
“A concepção da diferença em Bergson” Bergson contribuiu para uma filosofia da diferença. Aprendemos com ele… Há muita diferença qdo os meios favorecem o fim.. que é a aprendizagem dos alunos. Os meios são tantos… eu nem preciso descrevê-los vocês sabem quais são..Angela/sp
É da maneira que você escreve realmente me polpe kkkk
Você está no lugar certo. continue assim
Será que ele toparia o desafio de lecionar por apenas um dia na escola que apresenta o menor IDEB do país e conseguir mudar sua realidade?
Então , porque é tão fácil avaliar o trabalho desses professores em poucas horas de observação?
Querida não adianta um dia não muda nada. Quanto a avaliação do professor em sala não precisa nem de uma hora para saber se o cara é bom ou ruim dez minutos bastam. E creia-me a maioria é ruim pra matar mesmo.
Fico feliz de ver que muitas pessoas ja concluiram quao bobo (para se dizer o minimo) e este senhor, herdeiro do Grupo Maxion. Hoje procurei e nao achei nem mesmo o Curriculo Lattes deste bacharel (nao me consta que ele tenha nem mesmo Mestrado). Mais um amigo dos Marinho a construir nome sem mesmo saber do que fala.
O senhor Gustavinho quer discutir educação no Brasil? Sua graduação foi obtida no exterior. Pois bem, para se falar com propriedade sobre o assunto é necessário conhece-lo amplamente, através da realidade que ai está presente e não através de uma mesa de escritório “fazendo educação de gabinete”. E é exatamente dessa forma que esse mocinho faz, fica no ar condicionado descendo a lenha em quem realmente entende de educação que são esses heróis nacionais, chamados PROFESSORES. Agora se mesmo assim mesmo o Gustavinho acha que que é fácil e simples mudar a educação nacional eu o convido a entrar para o quadro de professores públicos e vivenciar o nosso cotidiano, ai sim o senhor Gustavinho poderia ter moral para poder externar algo em relação a nossa categoria.
Ótimo!!! Fui checar, no Google, quem era esse Dr. Sabidão e, graças a Deus, me deparei com seu texto.
Princípio do caos:
Estarei nesta manhã a caminho da Secretaria do Rj, a fim de assumir a minha segunda matrícula para professor de física.
Foram 623 vagas ofertadas no concurso público, das quais, 180 foram ocupadas. Acho que o argumento de que a procura é grande decai perante o número de físicos na área, os poucos que entram, como eu, estamos apenas usando essa função como trampolim a algo maior, tal qual os 10 professores diários, de todas as áreas, que abandonam a Educação no RJ por dia.
Postei no meu face esta pg
Independente da posição em relação a defesa dos argumentos apresentados, vale uma colocação importante.
Na lógica formal falácias e sofismas são raciocínios inválidos, pois que suas premissas não são suficientes ou nem são necessárias para se chegar a conclusão dada, não “um tipo de raciocínio, indutivo ou dedutivo, baseado em uma argumentação que, apesar de seguir rigorosamente as regras da lógica, leva a conclusões absurdas.”
Como assim seguir as regras da lógica? As falácias contrariam as regras da lógica, são essas regras que permitem identificá-las como conclusões inválidas. A falácia ocorre em razão de uma falha de quem argumenta e o sofisma com o objetivo de enganar. É isso!
Dito isto, de fato, o salário dos professores não é o único problema a ser enfrentado na educação, o preparo também é uma necessidade, assim como a estrutura, o ambiente e um planejamento de educação eficiente. Qualquer professor com real interesse na melhora da educação, certamente estará atento a todas as variáveis de influência, concentrar-se em um único aspecto, se constitui em uma “falácia da generalização apressada”, onde se tira uma conclusão geral a partir de uma observação insuficiente.
Tens razão, Frederico, quanto à definição de falácia. Vou editar meu texto assim que eu tiver tempo. Com relação ao segundo aspecto do seu comentário, quero deixar claro que nem eu nem nenhum professor que eu conheça acreditamos que apenas aumentar o salário da categoria docente qualificará a educação. Deixo isso bem claro tanto no post quanto em comentários em resposta a outros leitores. Obrigada!
Prezada Ana Maria;
A educação no Brasil deteriorou-se gravemente a partir do último terço do século passado. E apodreceu como um todo. Tive um colega que lembrava sempre que não se consegue elevar o nível de nada elevando somente alguns pontos (pense num lago, por exemplo). Ou seja, dá para criticar tudo na educação no Brasil e sempre estaremos certos… o problema é elevar o nível desse “lago”, como um todo. Haja visão sistêmica!
Pior ainda, há ralos abertos. Fui professor de ciências e estou cursando licenciatura em Filosofia. Vou ser otimista em relação ao que vejo: a maioria (não estou dizendo todos) dos alunos dos cursos de licenciatura não têm condições intelectuais para serem professores. Mas não há peneira que os detenha… As avaliações são planejadas para todos irem em frente (pagamentos em dia, aprovação garantida). Com esses “professores”, e essa preparação, certamente é perda de tempo manter os alunos nas escolas; mais proveito$o é jogar futebol. E haja sindicatos para defender a intocabilidade dessas vacas sagradas.
Em suma, o sistema atingiu um ponto de deterioração auto-alimentado. Sou pessimista: isso não tem mais volta; a barbárie venceu. E assim como o programa bolsa-família alimenta as pretensões eleitorais do pessoal que se vale do povão, o “programa bolsa-magistério” faz o mesmo para proveito dos que se valem dos professores. E pensar que ainda há professores que pensam que ganham salário…
Esse velho “truque” de, na falta de contra-argumento tentar desqualificar quem fez o comentário é especialidade dos incapazes.
Se ganhar bem fosse sinônimo de serviço de boa qualidade não teríamos péssimos serviços no Judiciário, Polícia Federal e na Política.
Nossos professores não QUEREM se qualificar, salvo raríssimas exceções daqueles vocacionaos.
A maioria só quer aumento de salário e que a “aposentadoria” chegue logo.
Pelo menos é o que ouço da maioria dos meus colegas professores.
Aqui, em Santa Catarina, eles boicotam qualquer curso para qualificação, com tudo pago, inclusive transporte e alimentação.
Mas quando o ex-Governador “inventou” uma “curso de qualificação” no Parque de diversões Beto Carrero, apenas para agradar e conseguir votos (foi eleito com folga para o Senado), apareceu professor até de municípios com mais de 500 Kms., de distãncia do local do “curso”.
É essa classe quer quer respeito e seriedade?
Olha, Carlos, não é truque nenhum. Concordo totalmente contigo: salvo raras exceções, a classe é composta de profissionais muito pouco comprometidos, e que adoram se fazer de vítimas. Estás certíssimo quando dizes que eles só querem a aposentadoria. Sabes o que uma colega minha disse no primeiro dia letivo deste ano? “Vamos, lá pessoal, faltam só 199 dias”, referindo-se aos 200 dias letivos. Ou seja, ela – e uma grande parcela dos docentes – já começam querendo terminar. Será que alguém que pensa assim se realiza no seu trabalho? Acredito que não! E são profissionais desse quilate que estão educando a garotada.
Mas…. o fato de eu atacar algumas ideias de Ioschpe não quer dizer que eu defenda “os incapazes”, muito menos de que eu seja uma “incapaz”. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Dizer que os professores não merecerem respeito é uma coisa. Dizer que se a carreira docente é tão procurada é porque ela não é tão ruim é outra completamente diferente. Sim, muitos professores não merecem respeito. Mas a carreira docente continua sendo procurada porque aqueles que a procuram não têm alternativa melhor com a mesma facilidade de acesso.
Aliás, Carlos, eu não desqualifiquei Ioschpe em nenhum momento, prestaste atenção nisso? Desqualifiquei apenas dois – dois!!! – argumentos dele! E para desqualificar esses dois argumentos, não tive falta de contra-argumento, como dizes. Eu contra-argumentei muito bem, sim – modéstia à parte. Agora, tu estás no direito de concordar com os argumentos dele e de discordar dos meus contra-argumentos, mas dicordar dos meus contra-argumentos não te autoriza a dizer que eu não os tenho.
Obrigada pela participação, de qualquer modo.
Cara, e é isso mesmo, também já vi algo assim (eu sou de Minas Gerais). Além de quererem com tanta avidez o aumento de salário e a aposentadoria, eles também esperam ansiosamente pela sexta-feira.
Por acaso fui direcionado à esse site. Impressionante alguém se dedicar tanto a desqualificar um colunista, ao invés de discutir a fundo a qualidade de educação (que não passa somente por remuneração).
“Se dedicar tanto a desqualificar um colunista”? Quem se dedicou tanto? Eu? Escrevi um textinho de nada no meu blog – e é o único em todo o meu blog em que falo a respeito desse senhor. Que exagero da sua parte, Luciano! E, como já afirmei no próprio post e também em comentários, também acho que a qualidade da educação não passa somente pela remuneração. Pra saber que dinheiro não resolve tudo, basta observar outras classes profissionais – médica, jurídica, política, etc – que são bem remuneradas, e no entanto, a meu ver, não exercem em sua totalidade suas funções com competência.
Por outro lado, é difícil manter uma vocação sem ser reconhecido(a) por isso, não? Fico pensando em quantos músicos eruditos ou escultores foram fazer outras coisas porque esses ofícios não dão dinheiro. Daqui a pouco vai acontecer – já está acontecendo – com professores também. E não nos enganemos pensando “Bom para a educação que esses incompetentes estão caindo fora!” Os que debandam não são os incompetentes, pelo contrário, são os que têm condições – intelectuais e financeiras (em virtude de herança, família ou cônjuge em melhor situação financeira) – de fazer outra coisa: cursar outra faculdade, fazer um concurso público para qualquer outra coisa, abrir um negócio, montar uma banda de pop, mudar para o exterior, etc. Os que ficam, os que se aposentam na profissão, em geral – há exceções, sem dúvida – são os ferrados que não têm dinheiro sequer para fazer um curso de especialização de fim de semana, muito menos de fazer um cursinho preparatório para concurso público, são os acomodados que sequer têm atitude para planejar uma aula diferente da do ano passado. Vocês pensam que essas pessoas terão atitude para mudar de vida? Muito provavelmente não. E portanto continuam dando sua contribuição para a mediocridade do ensino brasileiro.
Cara Ana Maria
Concordo plenamente com vc, a educação não passa por melhores salários necessariamente. Claro que ajuda mas com a classe do jeito que está (só vai para a educação quem não arruma nada em outros lugares) dificilmente o salário vai aumentar.
A qualidade dos professores na média é muito baixa, ganham até muito. Se sairem , morrem de fome !!!
Um grande abraço !!!
Pergunta tostines: o salário é baixo porque os professores são ruins ou os professores são ruins porque os salários são baixos? Rsrsrsrs
Concordo plenamente com o Gustavo Ioschpe.
Os professores das escolas públicas no Brasil em geral só vão ser professores quando não arrumam nada na vida.
A prova para ingresso no município e no estado é ridícula. Qualquer aluno com 2º grau (pode ser até favelado) com um mínimo de conhecimento passa na prova, Então qualquer um entra.
Digo isso porquê sou professor do município do RJ e vejo como anda o nível dos professores. É ridículo. As professoras do primário em geral são analfabetas funcionais, entregam os alunos para a quinta série igualmente analfabetos.
Os professores da 6º à 9º pouco ligam, levam 10 minutos para fazer chamada, 10 minutos com piadinhas e abraços, 10 minutos de descanso e depois mostra um pouco da sua matéria da maneira mais infantil possível.
Quanto as notas desse tipo de professor são no mínimo 7 , os alunos gostam e ele é um “excelente professor ” sendo eleito até como representante dos alunos. É o professor super legal , que beleza. Mal sabe ele que quando chegar a prova do IDEB sabemos o que acontece..
O resultado disso é o que vemos nas provas do IDEB , resultados comparáveis somente ao Sudão.
Usa-se várias desculpas ,
1) o aluno é pobre…
2) é melhor ele estar na escola do que na rua
3) não tem base
4) não prestam atenção ]
5) blá, blá , blá
O professor que dá realmente aula nesse tipo de escola é mal visto por seus próprios colegas pois coloca tanto as deficiências dos colegas como dos alunos. Isso o torna um problema , começa a ser ‘perseguido ‘ também pela direção pois esta quer notas boas para ser prestigiada pelos seus superiores.
Basicamente o processo é esse, eu ousaria afirmar que se acabássemos com as escolas públicas no Brasil , a sociedade como um todo sairia lucrando pois os pais se associariam e achariam uma forma de colocar seus filhos na trilha do conhecimento por mais deficiente que fôsse essa forma. Sem escola pública teríamos ainda alguns analfabetos mas isso teria uma grande vantagem , pelo menos não teriam diploma ah ah ah.
Espero ter contribuido para o debate de alguma forma !!!
PS – Todo professor de escola pública no Brasil deveria ser submetido a uma prova a cada 4 anos , não passou está fora !!!!
José Alberto Muner
José.
Você é professor? Se não é, cala a sua boca e fica na sua.
José Alberto, eu não iria tão longe. Sei do que você está falando porque também já fui professor, mas a parte da avaliação é perigosa: já hoje existe avaliação de desempenho e ela só serve para separar o joio do trigo e queimar o trigo.
Cordialmente,
Walter N. Braz Jr.
Meu Deus, QUANTA FALÁCIA tanto da articulista, quanto de seus comentadores.
É tanta ignorância que sou obrigado a duvidar da indiscutibilidade do direito de expressão.
O problema é simples: as crianças, os jovens e os eventuais adultos que passam ou se submetem ao ensino brasuleiro, estão aprendendo o que deveriam aprender? Se não estão, a ‘falácia ou contra falácia’ é simples: se o aluno não aprendeu o professor ou não ensinou ou não soube ensinar. pode duplicar salário, voltar a inquisição, mudar o partido político que a merda vai estar espalhada no pais. Com falácias ou não é isso o que está acontecendo. E os resultados se medem em dólares: exportamos 20 toneladas de ferro em troca de um chip, pelo mesmo valor. A culpa?,Não temos como agregra valor a nada sem educação. A culpa é das falácias do Ioschpe, e dos articulistas que tentam dizer o que está acontecendo e os ideologos da educação não aceitam
Estou de acordo contigo, Airton, quando dizes “se o aluno não aprendeu o professor ou não ensinou ou não soube ensinar”. Eis a questão: por que ele não ensina ou não sabe ensinar? Dizem os professores que a culpa é dos alunos, que são pobres, que não estudam, que não se interessam, ou da carga horária, que é pequena, ou das condições materiais das escolas, que são precárias, ou dos salários, que não os motivam. Os que contrariam essa ideia dizem que é culpa pura e simplesmente da incompetência dos professores, ideia com que concordo mais. Mas e aí, onde se origina essa incompetência? Por que há tantos incompetentes na educação? E como o Brasil vai resolver isso? Como vai fazer de uma área cheia de incompetentes uma área cheia de competentes? Vai tornar os incompetentes competentes? Ou vai eliminar os incompetentes e contratar competentes? Para mim, como cidadã brasileira preocupada com o assunto, tanto faz, desde haja competentes. Mas qualquer que seja a alternativa adotada, como o Brasil vai fazer isso? Como?!
Pois é…os sindicatos realmente estão se tornando uma máfia, né? Uma máfia estatizada, claro. Todos concordamos que os salários estão baixos, não apenas o dos professores. A exeção dos políticos, sindicalistas e membros do PT, todos ganham pouco. Portanto acho justo que a categoria dos professores lute por salários melhores.
Existem professores que são praticamente analfabetos funcionais. É mentira? Existem faculdades em que o único critério para aceitar o aluno é a mensalidade. É mentira? É justo que um professor capaz receba o mesmo que um analfabeto funcional? Por que vcs tem tanto horror ao Mérito? O corporativismo é péssimo em qualquer situação, mas na educação é cruel. Condenar gerações ao analfabetismo funcional, a ignorância é de amargar. Exijam aumentos saláriais, mas não venham vender essa causa para a sociedade como se fosse uma causa nossa, a única saida para o desastre da educação brasileira. Não é.
O maior erro de uma nação se se diz do futuro e achar que esse “futuro” chegará para uma legião de ignorantes e uma minoria de privilegiados estatizados.
“Vocês” quem, Angela? Eu não tenho horror nenhum ao mérito!
Pessoal, na hora de comentar, peço que se atenham A) ao meu texto – e nesse texto eu questiono apenas duas ideias de Ioschpe, 1) o fato de ele afirmar que aumento salarial dos professores não qualificaria a educação porque isso não tem respaldo empírico; e 2) o fato de ele afirmar que se a a carreira docente é tão procurada, esse é um sinal de que essa é uma boa carreira (vejam que não afirmo nem nego que a carreira é boa ou ruim, apenas questiono o raciocínio dele, que segue uma lógica semelhante à do raciocínio “se tem tanta gente na fila para levar injeção, deve ser porque levar injeção é muito bom”) – ou B) a um comentário específico. Nesse caso, dirijam-se diretamente à pessoa que fez o comentário. Tenho recebido comentários como se eu tivesse questionado as ideias de Ioschpe sobre sindicatos de professores ou a meritocracia. Se Ioschpe escreveu artigos sobre esses assuntos, não sei, mas eu não li nenhum artigo a esse respeito e, portanto, tampouco escrevi sobre eles, muito menos os critiquei!
((FAVOR NÃO PUBLICAR))
Olá, Ana Maria,
Gostaria que fossem excluimos meus comentário do dia 22/05/2011, sobre a definição de falácia e minha formação.
Só alerto que estás exposta a críticas (até dequalificação, dependendo da índole do crítico) se não corrigires tua definição do conceito principal do teu comentário (falácia).
Aguardo a exclusão (tentei sozinho, mas não consegui) e envio um abraço cordial.
Com certeza a questão salarial é totalmente relevante para uma boa educação. Eu sou professora contratada do Estado de Pernambuco, que como todos devem saber é um dos piores do Brasil e isso reflete totalmente na qualidade da educação. Pernambuco está também na derradeira posição no ranking da educação brasileira. Eu entrei na educação pela facilidade mesmo de cursar o magistério mas eu há muito já estou saturada. A educação é burocrática demais e nem um pouco compensadora. Ser professor é incrivelmente desgastante e não há qualquer compensação. Guenta-se a prática da aula, as correções de atividades, os planejamentos das aulas, as reuniões maçantes e improdutivas e recebe-se uma miséria. Quero sair o mais rapidamente possível e sei, com certeza, que os alunos vão sair perdendo. Sou uma professora muito responsável. Mas eu não sou uma mula de carga! Tenho sonhos, adoro ler e me qualificar, mas não tenho nenhum incentivo.
Olá, pessoal!! Tenho acompanhado as declarações do Sr. Gustavo Ioschpe na mídia e, desde que o vi e ouvi, pela primeira vez, há exatos dois anos atrás no Programa Conversas Cruzadas, na TV COM/RBSTV, afiliada da Globo em Porto Alegre, já discordava das teorias dele.Sempre trabalhei na rede privada e, desde 2010, entrei na rede municipal. Sempre fui comprometida e preocupada com minha prática docente e, como muitos que se expressaram, postando sua indignação com este senhor, “especialista em educação”, acredito que só se indigna com as teorias dele, baseadas em índices do “economês”, aqueles que têm esta preocupação e que dividem a reflexão sobre a nossa prática docente. Realmente é péssimo saber que alguns colegas, nem mesmo ouviram falar neste senhor. Muito pelo contrário, é muito difícil ser professor hoje em dia. Aguentar, por anos, a jornada de trabalho de sessenta horas semanais, em sala de aula, fora todo o trabalho em casa. Dar aulas em salas lotadas, com 45 a 50 alunos, com perfis diferenciados, os alunos não ficam mais quietinhos. Nem se quer uma aula túmulo, mas há o desrespeito, onde alunos enfrentam seus professores, desrespeitando-os, como se fôssemos os seus coleguinhas e amiguinhos. Não sabem respeitar mais a hierarquia, não o autoritarismo. É difícil, e não é a carreira mais fácil, NÃO é “aquela em que não se conseguiu ser mais nada”, então vamos ser professores. Formados por um sistema que está há anos estabelecido e estabilizado, nossos alunos têm o pensamento do bitolado do tirar nota para passar e mais nada. As famílias também pouco se preocupam com o rendimento e aproveitamento dos alunos. Famílias desestruturadas, alunos mal alimentados, pais interessados no bolsa família ou porque o Conselho Tutelar os cobra, se os filhos não estiverem na escola, pais ausentes, que saem de casa para trabalhar às 6 horas e voltam às 22h, os filhos ficam sozinhos o dia todo (às vezes, a escola passa o ano todo sem saber quem é o responsável pelo aluno, pois ninguém aparece, mesmo com várias tentativas de contato). Confundem o papel da escola, pois repassam a responsabilidade dos pais, de um tratamento com psicólogo, a violência, a agressividade, a baixa auto-estima, a rejeição, o abandono e tantos outros problemas psicológicos, pessoais, físicos que se apresentam na vida escolar de uma criança ou adolescente. Tudo isto e mais um pouco é a realidade de uma sala de aula e de uma escola. Uma sala de aula que em de 45 a 50 alunos, com perfis diferenciados. Tudo isto sem falar nos problemas estruturais da escola, como espaço para lazer, equipamentos disponíveis, etc. Gostaria de ver e saber como ele, que se diz “especialista em educação”, lidaria com todos estes problemas e depois de um dia de trabalho ter que pegar dois ônibus e metrô para ir para casa. Falar, discursar, teorizar, é fácil. Queria saber qual a experiência em sala de aula que tem O Sr. Gustavo Ioschpe. Com todos os títulos e sua vivência fora do país, ele faz uma lavagem cerebral nas pessoas de pouca visão ideológica. Ele é uma pessoa de sobrenome forte, nascido em berço esplêndiddo, que, muito provavelmente teve um QI na sua carreira de colunista em revistas e emissoras de TV que reproduzem o pensamento da sociedade pequeno burguesa brasileira.
Responder
É isso Liliane. Talvez não o QI (não sei), mas o pensamento coletivo social o tenha produzido.
Pingback: Política educacional e remuneração do professor | EXAME DE VISTA
Grupo sobre as idéias de Gustavo Ioschpe sobre educação
http://www.facebook.com/groups/138591566228393/
Caros amigos,
Sinto-me obrigado a um pequeno comentário sobre esse grande diálogo que o texto da Ana Maria se tornou. Sou licenciado em Matemática, filho e marido de professoras. Há muito acompanho a situação da educação no RJ. Também sou assinante de VEJA há mais de 10 anos, tendo lido todos os textos publicados por Gustavo Ioschpe na revista. e sempre senti que as ideias do moço – é apenas 3 anos mais velho que eu – eram interessantes, porém pintadas com cores fortes demais em desfavor da situação dos professores no teatro da educação. Explico o porquê:
Uma melhor remuneração certamente atrairia melhores educadores além de auxiliar em sua formação. Minha mãe tinha vocação para a carreira, assim, sem qualquer gratificação extra, dava aulas de reforço para os alunos que tivessem interesse. Hoje, aposentada, reconhece que os alunos não davam valor a tal esforço. Eu, que sempre alimentei o desejo de ser professor, trabalho como técnico judiciário – função de nível médio – e ganho um salário que, para igualá-lo dando aulas, teria que acumular duas matrículas no estado com, ao menos, mais dois empregos em escolas particulares, de 12 h/a cada. Entretanto, também é verdade que o professor médio não vê com bons olhos a meritocracia e a avaliação contínua, pois por muito tempo ele foi o senhor soberano de sua sala de aula, decidindo sua grade curricular ao arrepio dos PCN’s e orientações superiores. Por tudo isso, e perdoem meu desabafo acima, concluo sustentando que é boa a discussão que o Sr. Gustavo traz, embora concorde plenamente com o que considero a essência do que nossa amiga Ana Maria apresentou em seu texto: os argumentos dele são falaciosos, mas os problemas por ele levantados são reais e merecem argumentos e debates melhores do que os que ele apresenta.
Um abraço.
Muito lúcido o seu comentário, Ilcimar! Concordo que Gustavo Ioschpe tem o mérito de levantar questões importantes sobre a educação – e acrescento ainda que nem todas as ideias deles são absurdas, nem todos os seus argumentos falaciosos. Aqui me ative apenas aos que assim considerei. E vejam, o senhor e os demais leitores deste post, que em nenhum momento ataquei a ideia da meritocracia, justamente porque com essa, eu concordo!
Ô, Anna, vai me desculpar, mas o teu comentário não tem muito sentido. O Ioschpe não disse que o salário não deva ser maior, apenas que essa não seria a principal ou única solução.
Criticar por criticar eu também faço…
Ok Ana Maria, maravilha. Ele tem seus méritos é claro, mas como debater com o Gustavo Ioschpe que a imprensa criou? Podemos discordar dele devidamente embasados ou corremos o risco de cair no que o Rômulo diz mais acima: a crítica pela crítica. O que por exemplo tem ocorrido com a indústria dos grandes laboratórios farmacêuticos e os fitoterápicos. Sou da área educacional e trabalho com assessoria pública. Desculpem dizer que é uma porcaria a qualidade efetiva de trabalho destinado a esse fim. As pessoas simplesmente NÃO querem ser produtivas. Fazem de conta. Isso é triste. A educação virou uma redoma ou ambiente de pessoas mau amadas, desmotivadas e por aí vai. Poucos se salvam. Até uma simples Pós-graduação que pode ser usada para ampliar, não funciona assim. Pena! Lidar com as idéias de Gustavo só mostra que “o buraco é mais embaixo!”.
Parabéns por deixar bem clara as as tentativas de sofisma deste indivíduo. As sofismas são idéias capciosas que aparentam ter raciocínio válido, mas são concluídas com resultados absurdos. É ridículo ver pessoas que não são formadas e não possuem experiência na área de educação opinarem de forma equivoca sobre temas que não conhecem especificamente. Números, índices e notas não expressam todas as potencialidades humanas na aquisição do conhecimento, somos mais complexos que isso. Um economista opinar sobre educação é tão superficial como um professor opinar sobre economia.
Eu sou leitor assiduo dos artigos do Gustavo. Sou professor de escola pública. Na maioria das vezes ele esta coberto de razão. Nós somos muito ruins mesmo. A maioria merece ganhar o que ganha. Digo mais, a maioria sequer deveria estar em sala. Reclamam. Se estivessem na iniciativa privada já teriam levado o pé faz tempo. A maioria dos meus colegas sabe como é ruim, como é mal formada e insiste em dizer que é ótima.
Reclamam do salário. Mas veja como são desarticulados a maioria sequer é sindicalizada, quando tem paralização são os primeiros a negar o movimento. Por que? Porque sabem como são ruins e o que estão ganhando é uma fortuna.
Concordo, Felipe. E não é só na rede pública, não. Há muitos professores ruins na rede privada também (aliás, o Ioschpe fala sobre isso na sua última coluna da Veja). Para esses, os atuais salários são mesmo uma fortuna. O que eu penso é que, mantendo os salários tão baixos, os professores vão continuar ruins, porque as melhores cabeças do atual Ensino Médio não vão escolher ser professores justamente por causa desse salário miserável.
Concordo, Felipe. E não é só na rede pública, não. Há muitos professores ruins na rede privada também (aliás, o Ioschpe fala sobre isso na sua última coluna da Veja). Para esses, os atuais salários são mesmo uma fortuna. O que eu penso é que, mantendo os salários tão baixos, os professores vão continuar ruins, porque as melhores cabeças do atual Ensino Médio não vão escolher ser professores justamente por causa desse salário miserável.
Oi, sou Débora, Professora da rede municipal de ensino de São Paulo neste exato momento escrevo uma monografia onde analiso o discurso do economista Gustavo Ioschpe sobre Educação. NO meu blog há uma pouco desse trabalho. Lá também há um link sobre uma das mais recentes publicações desse senhor sobre o mesmo tema. Convido-os a ler o que escrevi no meu blog e, depois, comentar o “artigo” escrito por ele sobre sua edificante experiência nas viagens de jatinho da Rede Globo com a finalidade de “mapear” a educação brasileira (o link desse artigo encontra-se no meu blog ao final da postagem Cuscuz Alegado).
Ana, belo espaço. Parabéns
http://www.bombalaio.net/search?q=cuscuz+alegado
Sugiro enxugar as lágrimas e ler a última coluna dele na Veja (Steve Jobs).
Ana Maria Montardo,
Com todo o respeito a senhora eu faço aqui uma crítica construtiva:
- A senhora se pegou no gancho do salário para criticar o colunista Gustavo Ioschpe e não o larga de forma alguma! Seria válido da sua parte apresentar mais do que isso para de forma não “falaciana” contribuir para a melhora da educação do nosso país, ou então você estaria sugerindo que apenas o salário resolveria toda a questão e reciclagem, motivação, cobrança de resultados, meritocracia não existem !!
Lembra-se daquele médico que recebeu fortunas fazia com suas pacientes ?
Olá, Paulo! Veja bem, neste meu texto eu critiquei dois aspectos (inclusive destaquei dois trechos das colunas de Gustavo Ioschpe para ilustrar minha crítica) do pensamento deste economista: 1) a ideia de que aumento de salário não interfere na qualidade do ensino; e 2) a ideia de que a profissão não é tão difícil quanto parece. Isso não significa que eu não veja outros problemas a serem sanados na Educação. Existem milhões de outros problemas, inclusive retratados pelo próprio Ioschpe. Porém, limitei-me a retratar as ideias de Ioschpe das quais discordo. Repito: não significa que discorde de tudo o que ele escreve. Concordo com muitas, aliás! E se o senhor ler todos os meus comentários aqui, vai ver que eu não acho que o aumento salarial por si só resolveria a Educação. repeti isso várias vezes em meus comentários, e continuo repetindo. Conheço professores universitários que ganham muito bem – 8 mil, 10 mil, 15 mil mensais – e são incompetentes. Obrigada pela sua visita!
Ok. ele esta errado,mas o que importa este seu site e de outros da àrea se nossa educacão(não tem cedilha no meu teclado)recebe todas as màs notas possìveis em todos os testes internacionais que se propõe, e nòs sabemos que decoreba e vestibular não classificam coisa alguma de valores intelectuais e pràticos para nosso povo.Ao invès de se debaterem ,coloquem algo evolutivo na nossa cadeia educacional.
O que importa esse meu site? Não sei! Não fiz para importar a ninguém. Eu gosto de escrever sobre determinados assuntos. Venho aqui e escrevo. Se tem quem venha aqui e leia, é por vontade própria. Não tenho a intenção de melhorar nada nem ninguém. Mas acho que debate é sempre bom, porque faz com que conheçamos os pontos de vista de outras pessoas.
Boa tarde, Ana Maria. Procurei algo com o nome desse Gustavo na internet para responder sobre uma reportagem que li na Veja, não sei que edição, apenas anotei o título: “O rombo da educação é o cabide de empregos…” e não deu tempo de anotar o restante, pois estava num consultório médico.
Já que encontrei esse espaço democrático, e no momento não consegui ler toda sua reportagem, gostaria de expor minha indignação sobre o que ele escreveu. Eu ainda não me graduei, mas apesar de saber utilizar o emprego correto das palavras, não sei elaborar algo de acordo com matérias de revista, mas algumas coisas que ele escreve como o salário de um funcionário da educação se equiparar ao dos professores (meu piso é 800 reais, e ele cita o valor de $ 2.262 na revista). Diz também que utilizamos o cargo como cabide de empregos. Tenho duas irmãs também concursadas, assim como eu e mais milhares de concursados nesse país, inclusive magistrados e com certeza, muitos amigos desse economista. Ele cita que deveríamos – os funcionários da educação que usufruem dessa vantagem – nos retirar e deixar que nossos salários fossem incorporados aos dos professores, para que eles melhor lecionassem – aquele negócio do paga melhor que faço melhor.
Bem. Eu conheço casos (o Gustavo não conhece, como ele mesmo disse) que inspetores de alunos foram agredidos e até assassinados nos pátios das escolas. Eu sei que o meu trabalho é lidar com a papelada burocrática de quem se forma – diploma, para quem termina o curso. Bem. Não sei se professores gostariam de fazer esse serviço. Digitar históricos, mandar os alunos entrarem de volta pra sala, fazer ocorrências na diretoria quando alguns “anjos” explodem o banheiro.
Só sei que o que ganho é pouco, e hoje não consigo arcar com aluguel e contas. O que eu faço? Presto outros concursos, faço faculdade e assim vou tentando melhorar. Também sei que não tenho nenhum PADRINHO POLÍTICO QUE ME ARRUMOU ESSE CABIDE. Eu prestei a prova e passei, SEM MARACUTAIA. Esses dias prestei o Enem achando que poderia CONSEGUIR UMA BOLSA PARA POUPAR MEUS 800 REAIS DE SALÁRIO…mas o Enem é isso aí que virou…
Enfim, precisava desabafar e explicar o que é a nossa realidade. A realidade de quem está na escola pública, onde A LINDA INCLUSÃO SOCIAL COLOCOU CRIANÇAS COM DÉFICIT DE APRENDIZAGEM nas escolas consideradas “para normais”, e quem sabe isso funcione bem mesmo (não no Brasil, com certeza.) Qualificar o professor? aumentar seu salário? claro, com certeza. Eles também são rechaçados em sala de aula pelos alunos QUE TEM TODOS OS DIREITOS DE TUDO HOJE, E NUNCA SÃO PUNIDOS, PQ ISSO SUJA O NOME DA ESCOLA. Mas nõs, que não cuidamos de 40 alunos em sala, mas DE 800 NO PÁTIO, E TAMBÉM SOMOS CHAMADOS DE FILHOS DA P***, TAMBÉM MERECEMOS RECONHECIMENTO, AFINAL, QUANDO O ALUNO QUERIDO PASSA MAL, TEM DOR DE BARRIGA OU PULA O MURO, SOMOS NÓS, DO PÁTIO, QUE RESOLVEMOS. E NÃO SOMOS GRADUADOS NEM FOMOS PREVIAMENTE TREINADOS PARA ISSO, POIS FUNCIONÁRIO DA EDUCAÇÃO COM CARGO ABAIXO DO SECRETÁRIO NÃO RECEBE CURSOS, NÃO GANHA BENEFÍCIOS, COMO O GUSTAVO ACHA. E SE PARA O GUSTAVO FALTAM DADOS, SÓ ESSE MÊS, TIVERAM 5 CHAMADAS PARA ESCOLHA DE VAGA (QUANDO O SUJEITO É CHAMADO NA LISTAGEM QUE PASSOU PARA TOMAR POSSE). DE 807 CANDIDATOS, SE APARECERAM 10%, FOI MUITO. POR QUE SERÁ?
(E SE UM FUNCIONÁRIO COMO EU GANHA 2.262 IGUAL AO PROFESSOR, EU TAMBÉM QUERO. E AUMENTO DO VALE COXINHA (SIM, VALE COXINHA). PQ HOJE É $4 REAIS AO DIA.)
QUERO VER DEPUTADO E ECONOMISTA IR AO MERCADO COM 80 REAIS MENSAIS.
OBRIGADA.
“Fálácias” e “Argumentos” verdadeiros é o que trata o artigo, acima, que vale também para analisarmos as respostas (indiganadas) dos leitores. Muitos professores parecem cumprir o destino de Sisifo: de tanto empurrar sua pedra, já viraram pedra, fazem um trabalho sem sentido, sem esperança e sem reconhecimento, mas recrutam energia para culpar sempres os de fora. PRECISAM DAR UMA PARADA PARA ESCUTAR ARGUMENTOS DE UM GUSTAVO, sim. Tenham coragem para fazer autocrítica. Fazer de conta que as causas do nosso fracasso escolar é somente o neoliberalismo, o capitalismo, etc não dá mais. Lembro-em do tempo que a culpa é do FMI, e de tantos que queriam ver nosso povo ignorante. Ora, quanto anos mais a esquerda precisa estar no poder para melhorar nossa educaçã? Ora, precisamos calibrar melhor nosso debate sobre as causas do fracasso escolar. Primeiro, há que ENXERGAR OS INDICADORES. Os professores – inclusive pesquisadores das nossas universidades – NÃO ENXERGAM OS INDICADORES. Isso não é falácia, é ARGUMENTO. Os contra-argumentos são furados. Segundo, em vez de desqualificar a pessoa, vamos melhorar nossos contra-argumentos? (nota: desqualificar a pessoa do Gustavo é uma falácia…). Lamento.
Oi, Ana, gostaria de saber por que este blog é maluco quanto às datas. Vejo que sua última postagem foi dia 2 de dezembro de 2011, mas depois dela há comentários de novembro, e constam 4 arquivos em julho/2011, o que dá a impressão de que você não atualiza o blog desde essa data, no entanto se sabe que você escreveu até o dia 2DEZ2011!, tudo isso me deixa bem confusa; será que é porque cada computador tem uma data e um horário que, não necessariamente, correspondem à data correta do dia ou ao horário? Eu também tenho um blog e quando faço uma postagem, tenho que alterar o horário; em geral, quando digito por volta das 21 horas, o horário do blog está marcando mais cedo, umas 15 horas. Bom, altero para as 21, mas aí ele fica agendado para publicar somente dali a 6 horas, que é o quanto falta para chegarem as 21 horas. E, aí, já sabe, se alguém faz um comentário entre o meu post e as 15 horas, fica esquisito no caso de o comentário do seguidor em questão desdizer algo, etc. Não sei se me fiz entender… Bom, só para garantir: hoje é dia 04DEZ2011, 23:55 h. Parabéns pelo seu site, hoje o visitei pela primeira vez, só li a parte principal, ou seja, não as colunas à direita, como seus sites ou blogs favoritos, etc, pretendo visitá-lo novamente quando houver mais tempo livre, agora está tarde e preciso ir dormir para não perder a hora amanhã cedo. Gostei demais do seu site, e, como ele é reflexo de sua alma, gostei demais de você. Mais uma vez: parabéns! Um forte abraço!
Cecília, não sei! rsrsrs! Na verdade, o que eu fiz no dia 02 de dezembro foi um comentário, não um post propriamente dito!
Obrigada pela visita!
P.S.: adoro o seu nome!
“Segundo seu raciocínio, tantas pessoas procuram a carreira docente porque a carreira docente é boa. Ele deve pensar também que se há uma lista quilométrica de homens interessados no emprego de lixeiro, deve ser porque ser lixeiro é muito bom! Ora, não lhe ocorre que talvez tantas pessoas procurem a carreira docente por não terem outra escolha?”
Mas não lhe ocorre, Ana, que talvez tantas pessoas procurem a carreira docente porque dentre as escolhas que têm é a que preferem, ou acham melhor? Não lhe ocorre que sempre há outra escolha? Não lhe ocorre que você está diminuindo a profissão de lixeiro, jogando uma tonelada de preconceitos sobre a escolha que eles fizeram?
Bom já vi essa discussão antes na internet — mas era de um médico reclamando que médico ganha pouco. Meu ponto de vista é que há um tanto de naivité neste tipo de discussão. Veja um post mais elaborado aqui http://simplesmente.com/2010/01/28/medico/
Sou a favor dos professores ganharem mais — mas o ponto não é bem feito com discussões do que é “justo” ou “bom”. O ponto deve é bem feito com discussões do que funciona e é necessário — como muito melhor disse a professora Amanda Gurgel naquele vídeo do YouTube.
Olá, Ricardo!
Não, não diminuí a profissão de lixeiro. Em nenhum momento disse, implícita ou explicitamente, que é uma profissão menor ou inútil. Usei-a como exemplo justamente porque é uma profissão, a meu ver, muito, muito difícil: eles trabalham aspirando cheiro ruim e correm o risco de contrair doenças ou no mínimo de se cortar com objetos de vidro quebrados colocados nos sacos.
E, Ricardo, não me ocorre não que pessoas que reclamam tanto de uma profissão a tenham escolhido por preferirem ou por acharem melhor. E, sim, sei que sempre há outra escolha, mas elas podem ser ainda piores. Exemplos: minha cunhada era caixa de supermercado aos 18 anos. Ela juntou dinheiro para fazer cursinho pré-vestibular (não havia nenhuma faculdade em sua cidade, nem pública nem privada, portanto teve de se mudar para uma cidade maior, onde havia uma universidade federal). Queria fazer arquitetura. Mas arquitetura, numa federal, era um curso muito concorrido, e além do mais, mesmo numa instituição pública é um curso caro devido aos materiais que o aluno precisa comprar. Ela escolheu, portanto, uma faculdade mais fácil de passar e que não demandasse a compra de materiais: Matemática. Virou professora. E ser professora é melhor do que ser caixa de supermercado, não é?
Leia o diálogo que escutei ontem de duas pessoas formadas em Letras:
_ E aí, o que andas fazendo?
_ Estou trabalhando como camareira em cruzeiros.
_ Ah, melhor do que estar na sala de aula, né?
_ Com certeza! E tu?
_ Passei num concurso para uma universidade federal.
_ Ah, estás dando aula?
_ Não!!! Passei para tradutora, trabalho no gabinete do reitor!
_ Ah, que beleza, não estás em sala de aula então!
_ Não! Deus me livre! Fui professora no estado por dois anos e quase morri!
É por aí, Ricardo: pouca gente escolhe ser professor por gosto, e muitos, assim que podem, a trocam por outra mais tarde, usam-na como um trampolim para sair da pobreza para depois dar um passo maior.
É esta a realidade de modo geral.
Obrigada pela visita e opinião.
Caros debatedores (a autora e os comentaristas), observando os comentários aqui, além do próprio texto, confirmo o que já sabia: Gustavo Ioschpe mais acerta do que erra sobre Educação. Um dos erros absurdos de alguns textos dele é mostrar o sindicato dos professores como uma categoria que consegue intimidar o governo. Papagaios! Como um sindicato tão poderoso pode conseguir um aumento miserável de menos da metade do exigido depois de toda greve de três ou quatro meses?
Mas como eu já fui professor, posso confirmar que ele está certo em dizer que aumentar o salário do professor em duas ou três vezes não vai resolver nada, pois o profissional é medíocre (inclusive, geralmente estudante medíocre da escola pública). E vamos dizer a verdade: muitas professoras entraram na Pedagogia ou nas licenciaturas só para terem um diploma fácil, são muito bem ca$adas, daí nem mesmo participam das greves.
Entre os comentaristas, alguns falam de problemas além do salário. Estão certos, e eu posso confirmar. Mas essa é a terceira vez que vejo professores falarem na internet sobre problemas como professores horríveis, estudantes mal formados, pressão sobre professores para aprovação quase incondicional. E achei esse texto por acaso. O que vemos, e certamente o que Gustavo Ioschpe conhece, são meia dúzia de sindicalistas avacalhando o trânsito em nome de um salário maior e blogueiros professores lulo-petistas falando mal do PSDB-DEM e bem de Lula e das ditaduras comunistas.
Cordialmente,
Walter N. Braz Jr.
http://uniplebe.blogspot.com
depois de ler 172 comentarios, justo no ultimo, alguem “postou” algo coerente.
Somente para registrar, o argumento mais usado contra Gustavo Ioschpe é que ele rico e morou nos EUA, e por isso ele nao pode falar sobre educacao. Depois querem falar de falacia.
outro registro. procurem sobre a educacao na Finlandia, la os professores nao sao os mais bem remunerados do mundo, longe disso, porem sao os mais motivados e o pais tem a melhor educacao do mundo.
“Depois querem falar de falacia”: não misture as coisas, Eduardo. Quem falou de falácias fui eu, mas não fui eu quem atacou Ioschpe no que se refere à sua classe ou formação. Sobre os professores da Finlândia, bem, nada posso afirmar, pois desconheço a realidade deles, mas antes de usá-los como argumento seria preciso verificar qual é a remuneração deles em relação à realidade dos outros profissionais finlandeses. Pouco importa se não são os mais bem remunerados do mundo, o que importa é o padrão de vida que eles conseguem ter com sua remuneração tomando como parâmetro o padrão de vida de outros profissionais de seu país. Desigualdade sempre foi causa maior de discórdia do que pobreza!
Obrigada pela visita e contribuição!
Prezada Ana Maria Montardo, obrigado por manter este espaço na rede. É importantíssimo que as pessoas possam se comunicar e colocar suas opiniões sobre a educação no Brasil, construindo uma base sólida e imparcial de discussão. Todos que aqui escreveram tem um traço comum que deve ser exaltado, a vontade de um Brasil melhor. Sigamos juntos em 2012!
Olá!
Não tenho tempo! Então apenas isto: professor ruim; rua! Professor bom; melhor salário. Ou seja, realizar concursos públicos para selecionar bons profissionais, com curso de pedagogia ou não, para os já professores ou não. Os melhores receberão aumentos substantivos e serão acompanhados em seu desempenho, podendo obter mais vantagens.
Outra necessidade: eliminar boa parte dos profissionais de “educação”, que nem sequer dão aula.
Mais: Promover competição entre as escolas, premiando as mais de melhor desempenho.
Mais: Outras medidas de menor impacto e que ajudariam a melhorar nosso ensino, mas sem querer transformar nossos jovens no estilo chines. Estes têm um futuro brilhante, mas perdem sua adolescência. Nossos jovens, atualmente, aproveitam ao máximo sua adolescência e juventude, mas não tem futuro.
Cesar Pöpper
Bom dia, Ana Maria.
Me dei ao trabalho de ler todos os comentários feitos neste post e me surpreendi com o tempo (já está entrando no terceiro ano) que ele tomou, sem que as pessoas saíssem do lugar. A sua colocação inicial não tinha nenuma pretensão política nem sociológica, mas gerou um enorme debate onde todos apontaram problemas e fizeram críticas mas, infelizmente, ninguém se deu ao trabalho de pensar nas causas.
A sociedade brasileira está doente como um todo, não somente na educação. E como todo doente, ela é assediada por dúzias de conselheiros com “remedios” infalíveis” dos mais descabidos aos que realmente funcionam mas nenhum tem respaldo de verdadeiros profissionais.
Mas no caso de uma sociedade, quem seriam esses profissionais? Os sociólogos? Os cientistas políticos? Não. Os verdadeiros profissionais de uma sociedade são os cidadãos. Não aqueles que se limitam a reclamar e esperar que um “salvador da pátria” apareça para salvar a todos, mas aqueles que se comprometem com os resultados, participam de todos os processos sociais e brigam por seus direitos. Se os cidadãos se omitem, dão espaço para a formação do pior tipo de sociedade que existe, o estado tecnocrata, onde teóricos de laboratório decidem sobre pessoas baseado somente em números e estatísticas. E é para onde estamos caminhando, se já não estivermos lá.
Os pais se omitem da educação de seus filhos; transferem essa responsabilidade para a escola que a joga nas mãos dos professores, preparados apenas para ensinar, que é o papel deles. Esta omissão se deve ao fato de que eles precisam trabalhar muito porque ganham pouco e não têm tempo para se dedicar. Será? O debate é muito mais amplo do que simplesmente aumentar ou não o salário de professores ou pais, e sei que essa não foi a sua intenção, e acho que você não tem poder para isso, mas esta questão tem que ser levantada por alguém e espero que esse alguém leia o seu blog.
Para todos: Se o quadro da educação no Brasil é tão devastador, porque continuamos a formar tão bons profissionais para as outras áreas? E porque pessoas de vários países (da Europa, inclusive) vêm estudar nas universidades brasileiras? (Isso eu posso afirmar porque trabalho na UFRJ e vejo essa realidade.) A culpa da situação é dos professores ou dos que trocam votos por favores pessoais?
Obrigado.
Eduardo Bolis
Aumento de salario resolveria somente se fosse possível demitir um professor incompetente para contratar um mais capaz.
Em São Paulo, um professor com doutorado na melhor universidade do mundo e com longa experiencia em escola privada vai sempre ser preterido pelo professor formado na pior faculdade e que não tem domínio sobre a área do conhecimento que pretende lecionar, mas que já tem tempo de casa…
Alguém aqui ja viu uma escola pública que prefere o professor de lingua inglesa que fala inglês a aquele que não fala? Ou o professor de artes que sabe música e desenho a aquele que apenas conhece a história da arte? Ou o professor de Português que conhece gramática a aquele que se embanana com regência nominal (caso real relatado por uma amiga)? Que nada! Muitas vezes eles são os primeiros da fila na hora de escolher as aulas.
Não há mecanismos para tornar salário em melhor rendimento melhor. Dobre hoje o salário do professor. Ele embolsa o dinheiro e segue fazendo o de sempre. Sempre foi assim.
Normal. É assim em toda carreira. Aumento de salário sem aumento de exigências ou pedido de contrapartida não melhora nada. Juízes tem ótimos salários e muitos são disidiosos. Só se preocuparam em produzir mais quando veio a cobrança do CNJ. Na educação, vide caso dos professores com licenciatura curta. Houve aumento e eles continuaram na mesma situação. Somente ante a ameaça de perda do cargo voltaram para a faculdade. Note que, nas escolas privadas, não há aumento sem merecimento. Primeiro vem a “pós”, depois o aumento. E quem faz corpo mole vai para a rua, não para a direção.
E você esqueceu de mencionar que o autor citou um fato de que sou testemunha: escola particular que paga menos que pública, mas tem melhor rendimento. Uma professora de meu filho deixou a escola privada em que ele estuda para assumir cargo em escola municipal. Ela, que é amiga de minha esposa, disse que ganha 40% mais na rede pública e que a escola pública dispõe de biblioteca e computadores melhores. Mas o filho dela e o meu continuam na escola privada.
Mas eu sou totalmente a favor de demitir um professor incompetente! Em nenhum momento eu disse que os salários devem aumentar sem que se aumente as exigências. Pelo contrário, o que eu acredito que aconteceria é que, uma vez aumentando os salários, mais pessoas se interessariam pela carreira docente, o que aumentaria a concorrência nos vestibulares e levaria só os melhores a passarem e a se formarem professores. Sem contar que, com ou sem concorrência no vestibular, o fato é que tem um monte de gente inteligente por aí que adoraria ser professor, mas que escolhe outras carreiras porque “não quer morrer de fome”. Tive um aluno brilhante que queria fazer História, mas se tornou militar. Tive outra aluna que queria fazer Letras, mas optou por Agronomia. Tive uma colega no Ensino Médio que era um pequeno gênio da Matemática. Hoje ela é dentista. Os talentos fogem da carreira docente. Mesmo dentre os que já se formaram em alguma licenciatura, os mais competentes tentam mudar de profissão. Tenho uma colega que é professora de Espanhol que está esperando sua clínica estética engrenar para abandonar a sala de aula de vez. Tenho outra colega que já abriu uma loja de roupas femininas como mesmo objetivo. Tenho dois colegas, professores de Língua Portuguesa, que abriram suas próprias editoras. Tenho uma colega, professora de Química, que trocou a sala de aula por um laboratório. Os docentes fogem da docência, acreditem nisso!
Quanto a escolas públicas que pagam melhor que algumas particulares, em primeiro lugar, não esqueci de mencionar: eu não li esta coluna dele. Li apenas as que eu critiquei aqui. Mas, sim, algumas municipais pagam melhor mesmo. O município de Porto Alegre, onde moro, paga muito bem. Não sei quanto aos outros. E as escolas federais, então, pagam melhor ainda! Mas creio – não tenho dados para afirmar – que a maior parte dos professores do Brasil esteja nas redes estaduais, que pagam muito mal. Eu nunca fiz e nunca vou fazer concurso para o estado. Recuso-me a trabalhar por tão pouco!
Entendo e respeito seu ponto de vista. Mas discordo em parte.
Na rede municipal paulistana, os professores iniciam a carreira ganhando cerca de R$ 2 mil. Somando tempo de carreira e pontos por pós-graduação, é possível ganhar R$ 7 mil após 15 anos de profissão.
E essas escolas continuam com o desempenho muito abaixo de escolas particulares que pagam menos. Por que?
E não me parece muito certo afirmar que o aumento de salário faria a cabeça dos vestibulandos. Some ao salário acima uma jornada de 30 horas semanais (não 40 ou 44) e dois períodos de férias por ano e fica difícil explicar com esse argumento porque as licenciaturas atraem tão poucos candidatos.
Não disponho de estatísticas, mas me parece evidente que a maioria dos recém-formados tem condições de trabalho bem abaixo dessas listadas acima. Sou advogado. O estudante recém-formado em Direito tem de prestar a tão temida prova da OAB. Se não passar, nem vai exercer a profissão. Se passar, vai ganhar entre R$ 1.200 e R$ 1.800 nos primeiros anos para trabalhar, no mínimo, 40 horas (se trabalhar em escritório, pode facilmente passar disso) e gozar 30 dias de férias por ano.
Penso que muitos vestibulandos preferem Direito à uma licenciatura porque enquanto a carreira de advogado e de médico (como você citou) são apresentadas na TV de forma glamourosa, a carreira de professor aparece sempre como um martírio (com destaque para as absurdas agressões). As vantagens de ser professor e as desvantagens de ser médico ou advogado não são muito comentadas.
Repito: se o Estado de São Paulo imediatamente dobrasse os salários dos professores, ocorreria injustiça. Premiariam a desídia de muitos e a educação continuaria na mesma. Conceder aumentos mediante provas e titulação, criar uma forma de punir alunos delinquentes e investir na divulgação das vantagens da profissão são, ao meu ver, as medidas que podem melhorar a educação.
.
Humberto, as 30 horas semanais são em sala de aula. Temos de contabilizar o tempo para planejamento de aulas e avaliações e correções destas últimas. Para mim, a questão das férias é um dos aspectos negativos. É claro que adoro ter férias duas vezes por ano. Mas preferia mil vezes ter só uma, contanto que eu pudesse escolher quando tirar as férias. Jamais poderei tirar férias em abril ou outubro – melhores épocas para visitar os países do hemisfério norte. Estou condenada a passar calor (e pagar caro) ou andar abaixo de neve se eu quiser visitar NY antes da aposentadoria (até hoje eu não fui por causa disso, não consigo tomar coragem de ir nessas temporadas “bruxas”). De qualquer forma, isso vai acabar: há projetos de aumentar os dias letivos tramitando no congresso. A ideia é fazer com que os professores tenham os mesmos 30 dias de férias dos demais trabalhadores. Uma “vantagem” a menos.
Quanto ao seu último comentário (“Conceder aumentos mediante provas e titulação, criar uma forma de punir alunos delinquentes e investir na divulgação das vantagens da profissão são, ao meu ver, as medidas que podem melhorar a educação”), só tenho a aplaudir! É isso aí!
Somente no Brasil uma revista pode publicar um artigo desses. Imagina se nos USA essa reportagem fosse impressa. Um jornalista, sem conhecimento de causa, com um raciocínio completamente equivocado, ao meu ver tão simplista como o de uma criança, dizendo que é melhor formar médicos de “quinta” do que formar ninguém!!!! Enlouqueceu? Para você ter uma ideia, nos USA existem provas (USMLE) de 2/2 anos até o médico se formar, para que diminua o risco de se colocar médicos despreparados no mercado…O médico não é contratado se ele não tiver feito uma residência, e mesmo quando ele se torna especialista as sociedades fazem avaliações periódicas para minimizar o risco de erros. Aqui um pseudo-intelectual de umas das revistas mais renomadas do país diz que é melhor você ser operado por um incompetente do que por ninguém ???? Sou cirurgião e infelizmente já vi colegas pouco preparados fazerem desastres, os quais certamente poderiam ter sido evitados se o bisturi estivesse na mão de um médico competente. De acordo com o raciocínio “genial” do jornalista da VEJA , não seria uma má idéia se pudéssemos ressuscitar o médico nazista Joseph Menguele e colocá-lo para atender os desassistidos, afinal de contas, se o intuito é fazer qq coisa que “pareça” medicina não se importando com a competência de quem á pratica, como se pacientes fossem cobaias; e mesmo sabendo que isso poderia acarretar em um erro grave e em mortes, Menguele seria bem vindo ao SUS.
PS : Em sua “brilhante” reportagem o nobre jornalista cria uma situação fictícia onde o mesmo refere, que se estivesse infartando preferiria ser atendido por um cardiologista de “quinta” , do que por ninguém. Eu discordo radicalmente, porem gostaria de saber se nosso jornalista manteria seu argumento genial , se ao estar deitado ao chão, com dor, agitado, descobrisse que o cardiologista de “quinta”, era ninguém menos que Conrad Murray, e o mesmo resolveu sedá-lo afim de amenizar sua dor até a chegada ao hospital… Ainda tem certeza que é melhor ser atendido por um médico de “quinta” ? Eu não.
Falácias ou mudança de opinião?